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Disputa por prefeitos acirra corrida ao governo do Rio entre Paes e Douglas Ruas

Ex-prefeito do Rio amplia articulação no interior e atrai prefeitos de diferentes partidos, enquanto o presidente da Alerj vê sua base encolher após o PL perder o comando do governo estadual

Publicado em 13 de julho de 2026 às 11h17.

O avanço de Eduardo Paes sobre prefeitos do interior do Rio de Janeiro tem reduzido a base de apoio do pré-candidato do PL ao governo estadual, Douglas Ruas, e alterado a disputa política nos municípios.

Mesmo contando com uma coligação que elegeu mais da metade dos 92 prefeitos fluminenses, Ruas enfrenta deserções desde que o PL perdeu o controle do governo estadual com a renúncia de Cláudio Castro, em março.

Nos últimos meses, Paes intensificou viagens pelo interior e conseguiu atrair prefeitos de diferentes legendas. Em junho, o PSD filiou o prefeito de Arraial do Cabo, Marcelo Magno, que deixou o PL. Outro movimento em andamento é a filiação do prefeito de Paraíba do Sul, Julio Canelinha, atualmente no União Brasil, à legenda comandada por Paes.

Prefeitos mudam de lado

Ruas esperava contar com a estrutura formada por 51 prefeitos eleitos por PL, União Brasil e PP para ampliar sua presença no estado. Levantamento do O Globo, porém, mostra que apenas 13 dos 49 gestores que permanecem nessas siglas manifestaram apoio explícito ao presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). Paes, por outro lado, já recebeu declarações públicas de apoio de ao menos 33 prefeitos de diferentes partidos.

Para a cientista política Mayra Goulart, professora da UFRJ, ao Globo, o posicionamento dos prefeitos costuma indicar a percepção sobre quem reúne melhores condições de chegar ao governo.

"Quanto menor o município, mais próximo o prefeito tende a estar dos eleitores. Esses apoios também refletem a expectativa de poder dos gestores, que normalmente evitam confrontar quem pode comandar o estado", afirma.

Julio Canelinha confirmou que deixará o União Brasil para ingressar no PSD e justificou a decisão dizendo que Paes tem demonstrado maior disposição para dialogar com os municípios do interior.

Como reação ao avanço do adversário, Ruas reuniu mais de 50 prefeitos aliados na Alerj em um encontro de alinhamento político. Integrantes do PL também passaram a pressionar gestores que apareceram ao lado de Paes, caso do prefeito de Queimados, Glauco Kaizer (União), cuja esposa se filiou ao PSD para disputar uma vaga na Assembleia Legislativa.

Dentro do próprio PL, entretanto, o cenário ainda é dividido. Dos 21 prefeitos eleitos pela legenda, dez não manifestaram apoio público a nenhum dos pré-candidatos ao governo nas redes sociais.

Disputa pelo interior

Especialistas avaliam que a impossibilidade de Ruas assumir o governo estadual após a saída de Cláudio Castro enfraqueceu sua capacidade de articulação política. O Supremo Tribunal Federal (STF) impediu que a Alerj elegesse o deputado para ocupar o cargo de governador-tampão, reduzindo o peso da máquina estadual em sua campanha.

Enquanto isso, Paes mantém uma agenda frequente pelo interior. Na última semana, esteve em Campos dos Goytacazes ao lado do prefeito Frederico Paes (MDB). Em outras cidades, prefeitos têm buscado preservar interlocução com os dois lados. É o caso do prefeito de Quissamã, Marcelo Batista (PP), e da prefeita de Silva Jardim, Maíra Figueiredo (MDB), que receberam tanto Paes quanto Ruas em agendas separadas.

*Com O Globo 

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