Revista Exame

Gângster, mas com muito estilo: a volta de 'Peaky Blinders'

Quatro anos após o fim da série Peaky Blinders, Cillian Murphy volta para a pele de Thomas Shelby, desta vez em longa-metragem

Família Shelby: de volta a Birmingham (Netflix/Divulgação)

Família Shelby: de volta a Birmingham (Netflix/Divulgação)

Luiza Vilela
Luiza Vilela

Repórter de Casual

Publicado em 19 de março de 2026 às 06h00.

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Por seis longos anos, a cinzenta e esfumaçada Birmingham de 1920, no Reino Unido, foi o cenário de uma das maiores séries de gangsters da modernidade. Peaky Blinders, produzida em parceria com a BBC, estreou na Netflix em 2013. O elenco era até reconhecido, mas não exatamente premiado. Tudo mudou. Só a estreia da última temporada atraiu 3,8 milhões de espectadores no Reino Unido. Os figurinos viraram tendência de moda. Birmingham virou centro turístico.

Quatro anos após o fim da série, consagrado como um dos grandes nomes de sua geração e vencedor de um Oscar por Openheimer, Murphy retorna ao papel que o transformou em ícone. A história do filme Peaky Blinders: O Homem Imortal se passa na mesma cinzenta e perigosa ­Birmingham, agora em meio à Segunda Guerra Mundial.

Mais velho e perturbado, afastado da posição que construiu na cidade, Thomas Shelby recebe a notícia de que seu filho mais velho, Duke (Barry Keoghan), está reconstruindo o império da família, de forma ainda mais impiedosa e sem controle.

“Ter interpretado esse personagem por tanto tempo me deu o privilégio de envelhecer junto com ele. São 13 anos ali. Eu nunca vou experimentar isso de novo”, disse Cillian Murphy, que também assina como produtor-executivo, em coletiva de imprensa da qual a EXAME Casual foi a única participante do Brasil. “Se continuássemos com isso e fizéssemos uma história de pai e filho, então saberíamos que estávamos no caminho certo. E seguimos em frente.”

Para além da sucessão da família Shelby, o filme trabalha com os traumas de Thomas, o vazio do luto e seus demônios pessoais. O roteiro é bem mais simples do que aqueles produzidos para a série no passado, mas retoma o ambiente familiar da cidade inglesa e a construção da história dos mesmos personagens.

“A série de TV é baseada no trauma coletivo desses homens que voltaram da Primeira Guerra Mundial — todos eles estão quebrados de formas diferentes. Nenhum deles jamais poderia ter imaginado que aquilo aconteceria de novo”, diz Murphy. “Colocar o filme tendo a guerra como pano de fundo faz com que os valores de Thomas sejam testados o tempo todo. Além de apostas ilegais, extorsão, ganhar dinheiro, comprar casas, abandonar filhos e abandonar esposas… no que você realmente acredita? O que defende? E então ele descobre isso. Acho que, perto do final do filme, ele começa realmente a perceber pelo que de fato luta.”

Peaky Blinders: O Homem Imortal | Estreia na Netflix | no dia 20 de março


LIVRO

A carne

Soledad contrata um gigolô para acompanhá-la à ópera e provocar ciúmes no amante que a abandonou. Ela tem 60 anos; o jovem, 32. Mas, na saída do teatro, um acontecimento inesperado e violento vira subitamente o jogo e marca o início de uma relação turva, vulcânica e não desprovida de perigos. Soledad se rebela contra o destino com raiva e desespero — e também com humor. Escrito com a mesma habilidade, mão graciosa e inteligência profunda e penetrante de livros como A Louca da Casa e O Perigo de Estar Lúcida, A Carne é um romance ousado e cheio de surpresas.

A Carne | Rosa Montero | Editora Todavia | 84,90 reais


SÉRIE

Margo’s Got Money Troubles

Margo’s Got Money Troubles | 15 de abril | na Apple TV (Apple TV/Divulgação)

Margo, uma jovem mãe solteira e ex-universitária, recorre ao OnlyFans para evitar o despejo, tornando-se uma sensação da internet com ajuda de seu pai, um ex-lutador. A série aborda os desafios da fama digital, maternidade e sobrevivência financeira.


TEATRO

Autobiografia no palco

Chay Suede faz estreia no teatro de São Paulo com peça autobiográfica

Chay Suede: nos palcos como o Cavalheiro Roobertchay (Divulgação/Divulgação)

Tudo é mentira, menos o que parece mentira. É sob essa premissa provocadora que Chay Suede encarna seu primeiro papel no teatro. Em Peça Infantil: A Vida e as Opiniões do Cavalheiro Roobertchay, o ator se despe da persona pública para encarnar um herói (ou vilão?) de si mesmo. Após uma temporada aclamada no Rio, o espetáculo chega ao Teatro Cultura Artística, em São Paulo, e fica em cartaz até 3 de maio.

Apesar do nome, de infantil a peça não tem nada. O título faz uma referência direta ao clássico Tristram Shandy, de Laurence Sterne. Sob a batuta de Felipe Hirsch e com o rigor literário de Caetano W. Galindo, o espetáculo transforma a autoficção em um labirinto onde realidade e invenção se confundem. Trata-se de um passeio pelas memórias (reais e inventadas) do ator, desde antes de sua concepção até o estrelato atual.

A dramaturgia de Galindo — responsável pelas traduções brasileiras de autores como James Joyce e David Foster Wallace — traz uma densidade literária que dialoga com as Memórias Póstumas de Brás Cubas em uma roupagem mais moderna. Chay discute temas como o narcisismo, a mercantilização da imagem, o consumismo e a fragilidade da autenticidade em tempos de algoritmos.

A cenografia é de Daniela Thomas, produtora associada de Ainda Estou Aqui, e o figurino é de Eliana Li.

Peça Infantil: A Vida e as Opiniões do Cavalheiro Roobertchay | Teatro Cultura Artística - Rua Nestor Pestana, no 196, Consolação, São Paulo (SP) | De 7 de março a 3 de maio sábados, às 19h e às 21h30; e domingos, às 17h e às 19h Ingressos a partir de 160 reais na Ticketmaster


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