Sudário Silva, fundador da pizzaria Port’Alba: equipe tem três dias consecutivos de folga (Port’Alba/Divulgação)
Repórter
Publicado em 27 de fevereiro de 2026 às 06h00.
Última atualização em 27 de fevereiro de 2026 às 07h33.
Quando abriu a primeira operação, em 1981, Sudário Silva não tinha capital, ponto comercial nem plano de marketing. Começou com um forno improvisado na cozinha do bar do irmão, em São Roque, no interior paulista, acreditando que havia espaço para uma pizza diferente na região. Décadas depois, à frente da pizzaria Port’Alba, ele faz outra aposta pouco comum no setor de alimentação: uma escala de trabalho 4x3, com salário integral para a equipe e três dias seguidos de folga.
Entre março e dezembro, a casa funciona apenas de quinta a domingo, concentrando o atendimento nos dias de maior movimento. De segunda a quarta, as portas ficam fechadas — o que, na prática, permitiu oferecer mais descanso sem inflar a folha de pagamento. Eram dias tradicionalmente fracos, em que os custos fixos pesavam mais que a receita, e a decisão foi cortar os turnos menos rentáveis em vez de aumentar a estrutura. “Se o funcionário fica, o custo cai e a qualidade sobe”, diz Silva. Nos meses de férias, janeiro e fevereiro, a escala muda temporariamente para 5x2, acompanhando o aumento da demanda. Apesar do faturamento consolidado, Silva não tem planos de multiplicar unidades. A estratégia é fortalecer a marca em São Roque, atrair público da capital e transformar a ida à Port’Alba em passeio gastronômico, com tempo para apreciar o entorno e o salão. “É fazer a casa encher de quinta a domingo”, diz.