Marcas como Montblanc, Hublot e Panerai querem ir da Suíça ao Silício

Para não ser atropeladas pelas inovações tecnológicas, manufaturas tradicionais correm contra o tempo — e a favor de suas expertises
 (Panerai/Divulgação)
(Panerai/Divulgação)
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Raphael Calles

Publicado em 22/11/2018 às 04:26.

Última atualização em 23/11/2018 às 11:22.

RELÓGIOS

Relógios mecânicos têm valor reconhecido por um público mais maduro. Mas como despertar desejo em consumidores mais jovens, afeitos às novidades tecnológicas? Conciliar esses dois universos é a missão da indústria relojoeira suíça para manter seu legado e melhorar os resultados. De 2015 para 2016, as exportações de relógios tiveram uma queda de quase 10%, segundo dados da Federação da Indústria Relojoeira Suíça.

A recuperação começou a dar as caras em abril de 2017 e seguiu firme até agosto deste ano. O ano de 2018 acumula um aumento de 7,5% nas exportações. Quanto desse incremento se deve a uma mudança de percepção ainda é cedo para dizer. Destacamos aqui três recentes inovações que mostram para onde miram os ponteiros desse setor.


Inteligência vintage

A Montblanc aposta suas fichas na segunda geração de seu smartwatch Summit. O modelo traduz os traços tradicionais da relojoaria suíça em uma versão mais compacta, de 42 mm (4 mm menor do que a primeira geração), passando a agregar botões em suas laterais como uma referência aos antigos cronógrafos. Recém-lançado, incorpora a tecnologia mais recente de processamento, com Snapdragon Wear 3 100 e funções que incluem assistente de voz, resistência à água e um aplicativo que promete reduzir efeitos do jet lag. “Queremos atingir um público que goste de superar seus limites, que queira conectar-se continuamente e manter sua produtividade on-the-go, sem deixar de usar uma peça atemporal”, diz Nicolas Baretzki, presidente da Montblanc.


Impressão em 3D

A relojoaria já faz uso da impressão tridimensional na criação de seus protótipos, mas poucas — ou quase nenhuma — dessas criações chegam ao público final. A Panerai adotou essa tecnologia para a apresentação de um de seus recentes lançamentos. A caixa do modelo Lo Scienziato é montada com a junção de finas camadas de 0,02 mm de espessura de pó de titânio, criadas por meio de uma impressora 3D, que realiza o processo utilizando um laser de fibra óptica, técnica chamada Direct Metal Laser Sintering. Assim, a caixa fica oca por dentro. O resultado final é uma bela peça, bastante leve, com função turbilhão e caixa de 47 mm. Apesar do que pode sugerir a técnica, o relógio é bastante robusto e resiste a até 100 metros sob a água.


Pagamento em bitcoins

A Hublot anunciou, em meados de setembro, que lançaria um relógio comercializado apenas via internet, com o pagamento em bitcoins. A moeda, que chegou a ter sua cotação em quase 70.000 reais no final de 2017, vale entre 20.000 e 30.000 atualmente. Desde o anúncio, consumidores interessados puderam entrar em uma fila de pré-venda do modelo, que foi apresentado oficialmente no início de novembro. “Predefinimos o dia 31 de outubro para que os clientes da lista de espera tivessem uma referência do valor a ser pago pelo relógio”, diz Ricardo Guadalupe, presidente da Hublot.

Os demais clientes interessados na aquisição da peça estarão sujeitos à cotação da moeda virtual na data da operação de compra, realizada em parceria com a empresa asiática de corretagem OSL. O valor de referência em dólares é de 25.000, ou cerca de 3,9 bitcoins na cotação de 9 de novembro. O cadastramento para a aquisição é realizado diretamente no site da Hublot. A entrega dos 210 relógios modelo Big Bang Meca-10 P2P, com caixa de cerâmica preta de 45 mm, deverá começar em 3 de janeiro.