Christian Gebara em ação: curadoria assertiva de entrevistados e revisão de cada matéria (Leandro Fonseca/Exame)
Editor de Casual e Especiais
Publicado em 28 de outubro de 2026 às 06h00.
Última atualização em 28 de outubro de 2026 às 09h05.
O CEO da operadora Vivo, Christian Gebara, edita desde 2022 a Velvet, revista impressa bimestral sobre temas como cultura, comportamento, viagem e culinária. Ele reserva cerca de duas horas semanais para pautas, revisa os textos e conduz parte das entrevistas. Com tiragem de 20 mil a 30 mil exemplares, a publicação funciona como ferramenta de construção de marca.
O “sextou” de Christian Gebara tem um sentido diferente. No fim das tardes de sexta-feira, quando muita gente larga a caneta e se prepara para o fim de semana, ele deixa temporariamente o cargo de CEO da operadora Vivo e assume o papel de editor de revista. Esse é o momento em que ele tem a reunião semanal com a equipe que produz a Velvet, edição impressa bimestral que ele mesmo criou, em 2022, e que trata de quase tudo. Menos de telefonia.
Gebara calcula gastar cerca de duas horas por semana só com essa agenda semanal, em que discute com o time sugestões de possíveis assuntos e entrevistados para a edição. Sem contar o tempo que dedica a revisar cada matéria.
“Acho que não existe uma edição em que eu não tenha lido todos os textos”, diz Gebara. A leitura é feita no iPad — ele fotografa a tela, circula trechos, manda para a equipe pelo WhatsApp com comentários específicos sobre o que ajustar. A rotina de produção começa muito antes da publicação. Em julho, por exemplo, ele estava fechando a edição de setembro e organizando a de novembro — a antecedência, diz, é o que garante tranquilidade quando chega a época de fim de ano e a agenda dos entrevistados fica mais apertada.
Cada edição tem um conceito e reúne em geral 12 perfis organizados por categorias fixas, como família, viagem, comportamento, arte, culinária. A equipe mantém uma lista de candidatos que vai sendo alimentada ao longo do tempo. Muitas vezes um nome fica meses na lista até a pauta certa aparecer. Muitas das entrevistas são conduzidas pelo próprio Gebara, que se prepara com briefings do time e apoio de inteligência artificial para organizar perguntas a partir de entrevistas anteriores do convidado.
Na lista de personalidades que já foram retratadas na Velvet estão o ator Lázaro Ramos, o curador Bonaventure Ndikung (responsável pela Bienal de São Paulo, que a Vivo patrocina), o fundador da Natura, Luiz Seabra, o cientista Carlos Nobre, a empreendedora Adriana Barbosa, criadora da Feira Preta. A atriz Monica Martelli e o ator Wladimir Brichta também já foram capa, e Regina Casé é uma das próximas da fila. Entre os bastidores mais memoráveis para Gebara está o encontro com o fotógrafo Bob Wolfenson, hoje colaborador recorrente da revista. Eles se conheceram em um evento de premiação e, segundo o executivo, bastou mostrar a Velvet no celular para o fotógrafo topar fotografar para a revista.
A caça aos entrevistados às vezes passa por canais pouco convencionais. Gebara conta que manda mensagem direto pelo Instagram — “muitas vezes me ignoram, mas alguns respondem”. Ele já chegou a pegar um voo direto de uma viagem à Espanha para entrevistar uma personalidade no Rio de Janeiro e voltar a São Paulo no mesmo dia. A equipe fixa da Velvet gira em torno de 20 pessoas, entre internos e parceiros externos, incluindo produção, fotografia e revisão.
A Velvet nasceu dentro de uma operadora com 60 milhões de clientes, espalhados por segmentos que vão do pré-pago ao plano família de alto valor — uma base ampla demais para ser alcançada só por anúncio tradicional, segundo Gebara. A edição impressa da revista circula para um público mais restrito de formadores de opinião, concentrados principalmente em Rio e São Paulo. A tiragem gira em torno de 20.000 a 30.000 exemplares. A versão digital pode ser encontrada no app e no site da Vivo.
Para além do apego pessoal ao projeto, Gebara trata a Velvet, e outras iniciativas da operadora na área da cultura, como ferramenta de construção de marca, e não como parte da estratégia de crescimento. “Eu ganho cliente com apoio a uma revista, ao ter um teatro com meu nome? Não. Mas reforço a preferência pela Vivo entre quem gosta de arte”, diz. E brinca: “Se o CFO fizer a conta, manda parar com tudo”.
Há um critério de edição que Gebara defende com convicção: cada matéria tem o número de páginas que merece; nem mais, nem menos. O executivo cita como exemplo uma capa que rendeu pouco além da foto, porque a conversa simplesmente não avançou — e outra, menos ambiciosa de início, que ele considera uma das melhores do projeto, construída em cima de poucas respostas certeiras.
No fim, a seleção de quem entra na revista passa sempre pelo próprio Gebara. Ele conta que frequentemente recusa indicações de pessoas próximas quando sente que a pauta não tem força suficiente. Fora do escritório, o olhar atento para pautas virou quase um hábito. Mas muitas vezes o assediado é ele. Em jantares e eventos, quando descobrem que o executivo é quem edita a Velvet, é comum que alguém se aproxime oferecendo-se como entrevistado. Gebara diz tratar esses pedidos com cautela, para não comprometer a curadoria da edição. Editar revista, para Gebara, é assunto sério.
A Velvet é uma revista impressa bimestral criada em 2022 por Christian Gebara, CEO da operadora Vivo. Cada edição reúne, em geral, 12 perfis distribuídos por categorias como família, viagem, comportamento, arte e culinária.
Christian Gebara participa da seleção de pautas e entrevistados, revisa todas as matérias e conduz parte das entrevistas. O executivo calcula dedicar cerca de duas horas por semana apenas à reunião editorial realizada nas tardes de sexta-feira.
A Velvet já retratou nomes como Lázaro Ramos, Bonaventure Ndikung, Luiz Seabra, Carlos Nobre, Adriana Barbosa, Monica Martelli e Wladimir Brichta. Regina Casé está entre as próximas personalidades previstas pela revista.
A edição impressa da Velvet tem tiragem de cerca de 20 mil a 30 mil exemplares e circula entre um público restrito de formadores de opinião, principalmente no Rio de Janeiro e em São Paulo. A versão digital está disponível no aplicativo e no site da Vivo.
A Vivo trata a Velvet como uma ferramenta de construção de marca, e não como parte de sua estratégia de crescimento. Segundo Christian Gebara, iniciativas ligadas à cultura reforçam a preferência pela operadora entre pessoas que gostam de arte.
A equipe mantém uma lista de possíveis entrevistados, mas a seleção final passa por Christian Gebara. O executivo afirma que recusa até indicações de pessoas próximas quando considera que a pauta não tem força suficiente.