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De 'pato manco' a 'maldição': o teste de Trump nas midterms

Republicano enfrenta as urnas no meio do mandato

Donald Trump: a depender do resultado das midterms, estará em jogo também o peso  da influência do presidente para as eleições de 2028 (Ron Przysucha/US Dept of State/Divulgação)

Donald Trump: a depender do resultado das midterms, estará em jogo também o peso da influência do presidente para as eleições de 2028 (Ron Przysucha/US Dept of State/Divulgação)

Luiz Anversa
Luiz Anversa

Repórter

Publicado em 28 de outubro de 2026 às 06h00.

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No jargão da política norte-americana, o termo lame duck (pato manco) se refere a um presidente que já não consegue tocar a agenda de seu governo por falta de apoio. As midterms de novembro podem trazer esse conceito para a mesa de Donald Trump. Estarão em jogo todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e um terço dos 100 assentos do Senado. As eleições de meio de mandato são consideradas referendos sobre o desempenho do mandatário da Casa Branca.

Segundo pesquisa Reuters/Ipsos, a aprovação do republicano caiu para 31% em setembro, o menor nível registrado por Trump em seus dois mandatos. Inflação e guerras no exterior ajudam a explicar a impopularidade do presidente norte-americano. "No caso do conflito com o Irã, Trump se meteu numa guerra sem fim que não tem vínculo com nenhum interesse do país e que está acabando com a imagem dele”, diz Carlos Eduardo Lins da Silva, membro do Grupo de Análise da Conjuntura Internacional do IRI, da USP.

A “maldição” das midterms

A história não favorece Trump. Desde a Segunda Guerra Mundial, o partido do ocupante da Casa Branca perdeu, em média, 26 cadeiras na Câmara e outras quatro no Senado nas midterms. Para Lucas de Souza Martins, pesquisador da Universidade de Temple, um revés para o presidente não o deixa necessariamente enfraquecido. “O problema de Trump é que ele chega às midterms com a popularidade em queda, o que dificulta até a escolha de seu sucessor”, afirma.

A maneira como os republicanos vão enxergar uma eventual derrota nas eleições também vai importar. “Se a narrativa dominante for a de que esta eleição sinalizou o fim de Trump, então os republicanos seguirão em frente, deixando o presidente para trás”, diz Peter Loge, diretor na Universidade George Washington. Neste segundo mandato, figuras que se associaram ao movimento MAGA, como Elon Musk, chegaram a romper com o republicano, para depois ensaiar uma reaproximação, como aconteceu no evento na Casa Branca com executivos de big techs no final de setembro. “Esse movimento transcende Trump, que não foi um acidente na história dos Estados Unidos. É o resultado de uma ideologia que é muito forte no país há bastante tempo”, diz Lins da Silva.

O que preocupa os americanos

Pesquisas de institutos como Gallup e Pew Research Center mostram que as principais preocupações dos norte-americanos hoje são custo de vida e acesso a serviços de saúde. A taxa anual de inflação no país ficou em 3,7% em setembro (último dado disponível antes do fechamento desta reportagem). “Com esse custo de vida, para o eleitor médio fica muito mais difícil alcançar o ‘sonho americano’, que é trocar de carro com facilidade e comprar uma casa”, diz Martins.

Somada a isso, a questão dos combustíveis também ganhou importância. Os preços da gasolina subiram 27,4% em relação ao ano anterior, enquanto os preços do petróleo bruto aumentaram 52%, reflexo, em parte, do conflito iniciado com o Irã em fevereiro. “A guerra foi a medida mais absurda que Trump poderia ter tomado. Até porque vai contra aquilo que ele pregou durante anos”, diz Lins da Silva. Segundo projeções, esse ato de Trump pode custar o controle do Congresso. Com isso, projetos da agenda republicana, como a política de construção de data centers e infraestrutura de inteligência artificial, reformas fiscais e orçamentárias, além de nomeações para cargos no Judiciário e indicações para o Executivo, podem sofrer atrasos. Vencer o Senado neste ano daria aos democratas uma vantagem inicial para manter o controle do Congresso em 2028, ano também da próxima eleição presidencial do país. E selar o caminho para um Trump manco até lá.

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