Atenção: vêm aí os “Volters”

A Voltz, startup pernambucana de motos elétricas, quer faturar 75 milhões de reais neste ano

Qual é o público que usa scooter elétrica como meio de locomoção? Depende da cultura do país. Na China, onde são vendidos 25 milhões de unidades por ano, motos abastecidas na tomada são consideradas veículos populares. “Por isso os modelos importados que chegam aqui têm tecnologia barata e acabamento ruim”, afirma Renato Villar, empreendedor de Recife. “Não despertam interesse no consumidor brasileiro.” E quem é esse cliente daqui? Para Villar, trata-se do estudante, do profissional liberal, do jovem do mercado financeiro. “Gente que também vê a scooter como parte do estilo de vida”, diz.

Em novembro, Villar colocou à venda a EV1, primeiro modelo de moto elétrica de sua marca, chamada Voltz. As peças são fabricadas lá mesmo, na China. O motor é Bosch, os pneus são ­Maxxis. Bateria e carenagem completam o veículo, montado no centro de distribuição da marca, no Recife.

Segundo ele, a baixa autonomia, de 60 quilômetros, é suficiente para uso urbano. A velocidade máxima, de 60 quilômetros por hora, fica a desejar porque, alega o empresário, privilegiou-se a praticidade. A bateria de lítio tem pouca capacidade, mas pode ser facilmente removida e recarregada na tomada de casa. A carga completa leva 4 horas.   

Testei a moto por uma semana em São Paulo. Realmente o torque — “equivalente a uma motinho de 50 cilindradas”, segundo Villar — fica abaixo da necessidade. Todo mundo que já andou em moto sabe que a prioridade número 1 do condutor urbano é manter-se distante dos carros.

A Voltz nem sempre responde a isso. Villar concorda. E, como todo bom empreendedor, já tem uma solução. Dois novos modelos começarão a ser vendidos em maio, ambos com autonomia de 100 quilômetros, velocidade máxima de 75 quilômetros por hora e “torque de uma PCX”, scooter da Honda de 150 cilindradas.

Um dos novos modelos continuará com cara de scooter, o outro terá a aparência de uma moto street. O investimento no negócio foi de 8 milhões de reais. A EV1 custa 9.000 reais, com margem de 30%. Foram vendidas cerca de 600 unidades, em Recife e online para o resto do país.

Os dois novos modelos terão o preço de 12.900 reais. A meta é vender 8.400 unidades em 2020, com faturamento de 75 milhões de reais. Para isso, querem passar dos atuais cinco showrooms, no Nordeste, para 15 espalhados pelo país. Se depender de Villar, os fãs da marca já têm até nome: “Queremos ver uma legião de ‘volters’ nas ruas”.

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