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50% acham que economia brasileira vai piorar em 2022 ou será igual a 2021

Desemprego e inflação em alta deixam os brasileiros mais pessimistas para 2022
 (NurPhoto/Getty Images)
(NurPhoto/Getty Images)
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Fabiane Stefano

Publicado em 16/12/2021 às 05:07.

Última atualização em 17/12/2021 às 08:30.

Após quase dois anos de pandemia, que resultou em um saldo de 620.000 mortes causadas pela covid-19 e uma economia claudicante, não é surpresa que o brasileiro não esteja exatamente otimista. Mais da metade da população acha que a economia brasileira vai piorar em 2022 ou será igual a 2021. Menos de um terço aposta numa melhora para o próximo ano, e 18% não arrisca um palpite sobre os rumos da economia brasileira.

Os dados são de uma pesquisa exclusiva EXAME/IDEIA, projeto que une a EXAME e o IDEIA, instituto de pesquisa especializado em opinião pública. Foram ouvidas 1.200 pessoas entre os dias 29 de novembro e 2 de dezembro. “Esses dados são um claro reflexo das incertezas que os brasileiros têm encontrado na atual rotina. A pesquisa mostra o peso da economia neste contexto de imprevisibilidade. Equacionar temas como inflação, renda e emprego será crítico para retomar o otimismo e diminuir a ansiedade”, diz Maurício Moura, fundador do IDEIA e professor na Universidade George Washington, nos Estados Unidos.

No rol de preocupações que tiram o sono dos brasileiros, a maior delas é o desemprego. De acordo com a pesquisa EXAME/IDEIA, para 29% dos brasileiros esse é o maior desafio que o país precisa enfrentar em 2022. Hoje o Brasil tem 13,5 milhões de pessoas na condição de desempregados — o que reflete uma taxa de 12,6% dos sem ocupação (no Nordeste, essa taxa chega a 16,4%). Quando é levado em conta o número de pessoas que trabalham menos horas do que gostariam ou que não procuraram uma vaga, mas teriam condições de compor a força de trabalho, somam-se mais de 30 milhões de brasileiros com dificuldades de se colocar no mercado. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, a taxa de subutilização é de 26,5% da força de trabalho no terceiro trimestre. Não é para menos que cerca de 39 milhões de brasileiros foram beneficiados pelo auxílio emergencial em 2021.

Uma pesquisa da agência de classificação de risco Austin Rating, com 43 economias, mostra que o desemprego no país é o dobro da média internacional, de 6,5%. Isso faz com que a taxa de desocupação no Brasil seja a quarta maior do mundo — perdemos apenas para Costa Rica, Espanha e Grécia. O problema é que a expectativa para 2022 é de pouca melhora. De acordo com um relatório do banco Bradesco, a reabertura plena da economia permitirá a geração de empregos, em contraste com as atividades parcialmente fechadas de 2021.

A expectativa do banco é que, portanto, a taxa de desemprego reduza para 12,2% no ano que começa agora, o que vai gerar 1,1 milhão de empregos. Infelizmente, é pouco para as necessidades do país. Para 45% da população, os sinais de melhora na economia virão na conquista de um emprego para si próprio ou para parentes e amigos, reflexo de que a questão tem atingido a sociedade de forma mais ampla. “A pesquisa mostra claramente que a sinalização mais concreta de retomada econômica é o grau de empregabilidade pessoal e do entorno. O efeito positivo gerado pela conquista de trabalho de alguém próximo é o que tradicionalmente sustenta a confiança na economia, que impulsiona o consumo e até mesmo incentiva pequenos investimentos”, diz Moura, do Instituto IDEIA.

(Arte/Exame)

Associado ao mercado de trabalho mais frágil, o rendimento real habitual dos trabalhadores caiu 11% entre julho e setembro de 2021 em relação ao mesmo período do ano passado. É a menor marca para o terceiro trimestre desde 2012, quando a série histórica começou a ser calculada. Em um cenário de inflação de 10%, acumulada nos últimos 12 meses, a vida do brasileiro ficou mais difícil com menos renda e preços mais altos. A inflação é justamente o segundo item mais apontado na pesquisa EXAME/IDEIA. Para 2022, os índices devem arrefecer. De acordo com o boletim Focus, que captura a média das projeções econômicas do mercado financeiro, o IPCA, índice oficial da inflação, deve chegar a 5%, resultado da política monetária do Banco Central, que vem aplicando aumento na taxa de juro básica da economia e deve continuar ainda em 2022. Com tantos desafios à frente, boa parte do mercado prevê que a economia brasileira deverá crescer apenas 0,5% neste próximo ano.

Com indícios de uma economia desafiadora em 2022, os planos para o futuro da população retratam os tempos mais difíceis. Um terço dos brasileiros gostaria de poupar mais dinheiro no ano que se inicia — percentual que chega a 36% para aqueles que ganham entre três e cinco salários-mínimos. Na parcela mais pobre da população, o sonho da casa própria é o desejo mais citado pelos entrevistados. “Para esse público, a casa própria sempre ocupou espaço importante na mente e no coração. Habitação estável significa menos ansiedade e a capacidade de oferecer o básico para toda a família. Em um contexto de inflação e desemprego, essa conquista fica mais distante e, portanto, mais desejada”, diz Moura.

As ansiedades dos brasileiros no campo econômico certamente vão impactar o próximo ciclo eleitoral. “Diante de um quadro econômico muito desafiador, com perda de renda real por causa do processo inflacionário e grau elevado de informalidade no mercado de trabalho, há diminuição de sensação de segurança na população e, por isso, ela tende a rejeitar a atual administração”, analisa o cientista político Rafael Cortez, da Tendências Consultoria. A última pesquisa eleitoral EXAME/IDEIA, realizada entre 6 e 9 de dezembro, mostra que seis em cada dez brasileiros acreditam que o presidente Jair Bolsonaro não merece se reeleger ao cargo. Em todas as simulações de primeiro e segundo turno, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva é eleito presidente em 2022. A pouco menos de um ano das eleições, o cenário eleitoral ainda pode mudar, claro. Mas a mensagem da população neste momento é clara: falta de empregos e inflação em alta farão da crise na economia o ponto central do debate eleitoral.

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