Netflix aposta em remake de clássico de Hitchcock

Rebecca, a Mulher Inesquecível revisita a única obra do mestre do suspense a ganhar Oscar de Melhor Filme

Se refilmagens são sempre complicadas por causa das inevitáveis comparações com a obra original, mais delicado ainda é refazer algum clássico do diretor inglês Alfred ­Hitchcock (1899-1980) — quem já tentou não foi exatamente bem-sucedido. A Netflix bancou essa aposta em Rebecca, a Mulher Inesquecível, que estreia mundialmente na plataforma em 21 de outubro.

Baseado no romance homônimo da inglesa Daphne du Maurier, publicado em 1938, o longa de Hitchcock estreou dois anos depois. Foi seu primeiro filme em Hollywood, depois de se firmar como cineasta no Reino Unido. Hoje não tão lembrado quanto outros que lhe renderam o título de “mestre do suspense”, foi seu único trabalho a conquistar o Oscar de Melhor Filme (com a estatueta indo para os produtores). Como diretor, ele nunca venceu em cinco indicações.

A personagem-título é uma mulher morta. E a trama se concentra na senhora De Winter, nova esposa de um rico viúvo ainda obcecado por Rebecca, seu amor anterior, cuja memória se faz presente em toda a mansão.

Na produção britânica da Netflix, dirigida por Ben Wheatley, a jovem esposa que se angustia com os segredos descobertos por ela é interpretada por Lily James, revelação de Down­ton Abbey. No filme de 1940, o papel foi de Joan Fontaine, indicada ao Oscar de Melhor Atriz.

Também indicados em suas categorias foram o lendário Laurence Olivier (que interpretou o marido) e ­Judith Anderson (que fez a governanta da mansão De Winter). Agora esses papéis ficaram com Armie Hammer e Kristin Scott-Thomas.

O remake tem potencial para alcançar melhor reputação do que outras tentativas de revisar clássicos de ­Hitchcock. A mais pretensiosa — e muito criticada — foi a versão de 1998 de Psicose, do diretor Gus Van Sant, que tentou recriar o original quadro a quadro, mas em cores. Houve adaptações mais corriqueiras em filmes feitos para a TV americana, como Janela Indiscreta com Christopher Reeve, o ex-Superman do cinema.

Quando o filme de Hitchcock entrou em cartaz, surgiu a acusação de que a história era um plágio descarado de A Sucessora, da brasileira Carolina Nabuco, publicado aqui em 1934 e editado na França anos depois (e, supostamente, lido nessa versão por Du Maurier). Foi apontado que a trama central e várias passagens são praticamente iguais.

Nabuco, morta em 1981, afirmou que foi procurada pela produtora United Artists para assinar um documento declarando que qualquer semelhança seria mera coincidência — ela se recusou. Porém, nunca moveu nenhum processo por plágio.

Apesar dessa suspeita, Hitchcock voltaria a adaptar uma obra (no caso, um conto) de Du Maurier em Os Pássaros (1963) — curiosamente, essa história dela também foi acusada de plágio por outro autor, o inglês Frank Baker.

Rebecca, a Mulher Inesquecível | De Ben Wheatley | 21/10, na NETFLIX (streaming)


LIVRO

Revisão do passado recente

O gaúcho Michel Laub se consolidou como escritor consistente com Diário da Queda, A Maçã Envenenada e O Tribunal da Quinta-feira. No novo romance, Solução de Dois Estados (Companhia das Letras), ele se concentra em dois irmãos — uma plus size e um dono de academia — que falam para um documentário sobre bullying, discordâncias políticas e visões de vida. Como pano de fundo, o Brasil de 1990 até aqui.

 (Divulgação/Divulgação)


LIVRO

Prosa de Drummond

Os dois primeiros livros de prosa do mineiro Carlos Drummond de Andrade ganham nova edição pela Companhia das Letras. A sensibilidade dos poemas se mostra presente também nos textos de Confissões de Minas, publicado originalmente em 1944, e Passeios na Ilha, de 1952. O primeiro traz ensaios que refletem sobre literatura e as turbulentas primeiras quatro décadas do século 20; o segundo, colunas escritas para jornais, cheias de reflexões atemporais.

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MÚSICA

Voz da experiência

Bruce Springsteen lança álbum para trazer algum alento em um ano tão terrível

 (Divulgação/Divulgação)

Alguns artistas têm o dom de consolar as apreensões de seu público com a música. O roqueiro Bruce Springsteen se especializou em se solidarizar e estimular algum otimismo em momentos ruins americanos, como a recessão no fim dos anos 1970 com The River (1980) e a tragédia de 11 de setembro de 2001 com The Rising (2002). Neste 2020 de pandemia e tensão social e política, ele se inspirou para assumir essa missão com Letter to You, seu 20º álbum.

Na letra da faixa-título, o cantor de 71 anos resume sua mensagem nos versos: “Coisas que descobri / Nos tempos difíceis e nos bons / Escrevi todas com tinta e sangue / Cavei fundo em minha alma / E assinei meu nome / E enviei tudo isso / Na minha carta para você”.

Depois de seis anos, Springsteen volta a ter num álbum sua banda fiel e mais frequente há cinco décadas, The E Street Band. Todos se reuniram no estúdio que o artista tem em sua casa em Nova Jersey e gravaram ao vivo as 12 faixas sem fazer correções nem acréscimos posteriores. O som ficou denso e vigoroso como nos discos antigos de Bruce, como se percebe no rock Ghosts.

Letter to You | Álbum de Bruce Springsteen | Disponível em streaming

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