Revista Exame

O que sobra para o humano quando a IA faz boa parte do trabalho

Com mais IA nas empresas, cresce a pressão sobre as equipes. Para o chefe de design da Philips, atração do South Summit, a tomada de decisão permanece com os humanos

Cais Mauá, sede do South Summit: evento reuniu 24.000 pessoas de 70 países (Mauro Nascimento/Divulgação)

Cais Mauá, sede do South Summit: evento reuniu 24.000 pessoas de 70 países (Mauro Nascimento/Divulgação)

Leo Branco
Leo Branco

Editor de Negócios e Carreira

Publicado em 23 de abril de 2026 às 06h00.

Última atualização em 23 de abril de 2026 às 10h30.

Priorizar nos meus resultados Google
Tudo sobreSouth Summit Brazil
Saiba mais

O avanço da inteligência artificial colocou uma pergunta prática na mesa de empresas e líderes: “Onde entra o humano quando parte do trabalho passa a ser feita por máquinas?”.

A quinta edição do South Summit Brazil, realizada em março em Porto Alegre, girou em torno dessa questão.

O evento reuniu 24.000 pessoas de 70 países no Cais Mauá, na orla do Rio Guaíba, com startups, investidores e executivos discutindo como transformar tecnologia em negócio.

O tema aparece em um momento em que a adoção de IA acelera. A pesquisa Global Talent Trends 2026, da consultoria Mercer, mostra esse movimento.

O estudo ouviu 12.000 pessoas e mostra que empresas já redesenham processos para integrar humanos e sistemas. A lógica deixa de ser substituir tarefas e passa a ser reorganizar o trabalho em torno de habilidades.

Esse avanço, porém, não vem sem tensão. Segundo a Mercer, 40% dos funcionários temem perder o emprego para a IA. Ao mesmo tempo, executivos ampliam o uso da tecnologia e buscam ganho de produtividade. O resultado é um cenário em que o investimento cresce, mas exige ajuste na forma de trabalhar e na gestão das equipes.

Na prática, isso muda o foco dentro das empresas. Em vez de cargos fixos, o trabalho passa a ser dividido por habilidades. A combinação entre capacidade técnica da máquina e competências humanas, como empatia, comunicação e leitura de contexto, ganha peso.

Peter Skillman, chefe de design da Philips: “A IA não tem empatia. E nunca terá” (South Summit Brazil/Divulgação)

Novas funções para as pessoas

Para Peter Skillman, chefe de design da Philips, empresa holandesa de tecnologia em saúde, esse movimento não reduz o papel das pessoas, mas muda sua função. “Vamos falar sobre humanidade”, diz.

Para ele, a IA funciona como aceleradora, mas precisa estar subordinada a um objetivo claro. “Nunca se esqueça de trabalhar de trás para a frente a partir do seu cliente”, afirma.

Na saúde, esse limite fica mais evidente. Sistemas já conseguem prever riscos com base em dados e sugerir ações, mas a decisão final segue com o humano.

“Temos barreiras importantes para impedir que a IA tome decisões autônomas”, diz. O desenho dessas ferramentas inclui etapas obrigatórias de validação e responsabilidade.

Ao mesmo tempo, há limites claros para a tecnologia. “A IA não tem empatia. E nunca terá”, afirma. Segundo ele, entender o contexto real ainda depende de observação direta no ambiente onde o problema acontece.

Esse papel aparece também na forma como os sistemas são desenhados. A tecnologia pode simplificar processos e reduzir tempo gasto com tarefas administrativas, mas exige controle e transparência. “Precisamos preservar o que é de fato 100% gerado por humanos”, diz.

Acompanhe tudo sobre:1286South Summit Brazil

Mais de Revista Exame

De volta à pista: Tembici capta R$ 340 milhões para comprar 85 mil bicicletas elétricas

Calor? Que calor?

Relógios de quartzo viram tendência e perdem o estigma de vilão entre colecionadores

Defesa sob pressão: Zelensky troca comando da guerra para enfrentar avanço russo