Véspera da final da Copa em Nova York: o papelão argentino nos fez pensar se o Brasil não poderia ter chegado lá também (Lucas Amorim/Exame)
Diretor de redação da Exame
Publicado em 30 de julho de 2026 às 06h00.
A vitória da Espanha sobre a Argentina, na final da Copa do Mundo, deixou o torcedor brasileiro pensativo. Se nossos vizinhos chegaram tão longe para no fim serem atropelados, sem conseguir dar um chute a gol, será que o Brasil não poderia ter chegado lá também? Afinal de contas, o que faltou para nossa seleção chegar ao grupo de elite do mundial? São questões que vão ser pauta de mesas-redondas pelos próximos quatro anos, até a Copa 2030.
Para além do esporte, anos de Copa do Mundo são também anos de eleição presidencial. A cada quatro anos, temos a oportunidade de pensar sobre os atrasos que nos separam dos países de ponta. Pelo menos assim deveria ser. Consumidos por uma polarização que esvaziou o debate político, o Brasil chega a mais um ciclo eleitoral com o foco distante das pautas edificantes. Reportagem de Ivan Martínez-Vargas mostra que a eleição deste ano deve ser marcada pelo cansaço, por eleitores que gostariam de um algo a mais. Um sentimento parecido ao dos torcedores em relação aos últimos anos da seleção.
A boa notícia é que, para além de um desencanto mais generalizado, no esporte e na política, o Brasil tem projetos ambiciosos em frentes essenciais para o futuro. Uma delas é a da mobilidade. A reportagem de capa desta edição, do repórter André Martins, mostra o superciclo de investimento em estradas, trilhos e corredores. Estão previstos investimentos de 400 bilhões de reais nas próximas décadas. É o suficiente para ganhos de produtividade substanciosos e para a melhora na qualidade de vida de milhões de pessoas. O desafio está na gestão, capaz de transformar oportunidades em ganhos reais.
A trajetória da Motiva, que estampa nossa capa, mostra a importância do foco. Em novembro de 2025, a empresa vendeu 20 aeroportos para reduzir seu endividamento e focar um segmento considerado promissor: trilhos e rodovias. Já são 5.235 quilômetros administrados, e potencial de crescimento de norte a sul do país. Outro segmento com potencial transformador é o de saneamento. André Martins assina outra reportagem nesta edição, sobre a mineira Copasa, também às voltas com um ciclo histórico de investimentos. Privatizada em junho, a empresa equilibra aumento de investimentos com gestão de custos para dar conta de seus desafios. É o retrato de um país que corre para universalizar o saneamento até 2033.
Mais trilhos, mais estradas, mais saneamento. São avanços, muitos deles literalmente embaixo da terra, que dão esperança para os próximos anos. Seguiremos à espera de um debate político mais conectado aos desafios do futuro. E de mais vitórias da seleção, por que não?


