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Roupas para bonecos impulsionam novo nicho da indústria têxtil na China

O movimento ocorre em meio à popularização de personagens como o LABUBU e à expansão do consumo jovem ligado a vínculos afetivos e identidade cultural

Labubu: popularidade de bonecos impulsiona o setor de têxtil especializado (Annette Riedl/picture alliance/Getty Images)

Labubu: popularidade de bonecos impulsiona o setor de têxtil especializado (Annette Riedl/picture alliance/Getty Images)

China2Brazil
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Agência

Publicado em 6 de janeiro de 2026 às 16h41.

Empresas têxteis da província de Zhejiang, na China, passaram a investir na produção de roupas para bonecos, um segmento que cresce junto ao mercado de designer toys e ao avanço da chamada economia emocional. O movimento ocorre em meio à popularização de personagens como o LABUBU e à expansão do consumo jovem ligado a vínculos afetivos e identidade cultural.

Essas empresas aplicam técnicas tradicionais de confecção, como o brocado Song (Songjin) e o tecido azul estampado, na produção de roupas em miniatura. Com isso, transferem o artesanato têxtil para um novo nicho de mercado e ampliam o alcance do estilo “guochao”, que valoriza elementos da estética chinesa contemporânea. Parte dessa produção já alcança consumidores no exterior.

Segundo Hu Mingyi, diretor-geral da Haining Qianshu Textile Technology, as vendas mensais de roupas para bonecos e produtos relacionados já superam RMB 100 milhões apenas nas plataformas de comércio eletrônico. Na fábrica, tecidos como o brocado Song e a seda xiangyunsha são usados na confecção de peças voltadas a colecionadores.

A empresa controla toda a cadeia produtiva, do design à fabricação, e utiliza exclusivamente seda natural. Hu afirma que a combinação de design próprio e materiais tradicionais atraiu compradores estrangeiros, que buscaram parcerias diretamente com a companhia. A Haining Qianshu passa por um processo de atualização tecnológica e planeja ampliar sua atuação, do fornecimento de tecidos à produção de artigos de moda finalizados.

Em Tongxiang, também em Zhejiang, a Jiayu Fashion direcionou parte de sua operação ao mercado de designer toys. Com mais de 20 anos de atuação no setor de malharia, a empresa produz roupas em miniatura, como suéteres com padrões Fair Isle e vestidos de renda.

De acordo com Shen Yue, gerente do departamento de produtos culturais da Jiayu Fashion, a empresa trata o segmento como uma estratégia de longo prazo voltada ao público jovem. Atualmente, os pedidos mensais somam cerca de mil peças, e a produção anual deve superar 10 mil unidades.

Além das empresas tradicionais, jovens empreendedores também impulsionam o setor. Em Puyuan, distrito de Tongxiang, Fu Zhenzhe, colecionadora de LABUBU nascida nos anos 1990, iniciou em maio de 2025 a produção de roupas de malha para bonecos, utilizando a estrutura da fábrica de sua família. Após divulgar as peças nas redes sociais, passou a receber pedidos em escala.

O trabalho levou Fu a ser convidada para criar duas edições especiais de roupas — “cowboy cyberpunk” e “tecido azul estampado” — para o boneco exclusivo Matata, lançado durante o Carnaval de Ciência e Tecnologia Juvenil de Wuzhen. As peças foram distribuídas em larga escala e associaram o evento à identidade cultural local.

Especialistas avaliam que o crescimento do mercado de designer toys reflete a consolidação do consumo emocional na China. Com base industrial sólida, empresas de Zhejiang passaram a integrar cultura, moda e produtos colecionáveis como forma de diversificar receitas.

Dados do setor indicam que o mercado chinês de designer toys movimentou cerca de RMB 60 bilhões em 2023. A projeção aponta que esse valor deve alcançar RMB 110,1 bilhões até 2026, com crescimento médio anual acima de 20%.

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