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'Profecia' de catástrofe em mangá derruba turismo no Japão

Rumor sobre terremoto previsto em mangá viralizou em países asiáticos e levou a cancelamentos em massa de viagens ao Japão em julho

Publicado em 4 de agosto de 2025 às 09h51.

O turismo no Japão sofreu um baque em junho após a viralização de um boato que previa um desastre no país em julho de 2025.

A suposta previsão aparece em uma reedição de 2021 do mangá japonês Watashi ga Mita Mirai, Kanzenban (“O futuro que eu vi, edição completa”), da autora Ryo Tatsuki.

A nova edição trazia uma descrição na página da Amazon afirmando que a autora teria tido “novos sonhos proféticos”, incluindo a frase “o verdadeiro desastre virá em julho de 2025”.

Na capa do livro original, publicado em 1999, havia a menção a um “desastre em março de 2011” — ano do terremoto e tsunami que devastaram o nordeste japonês e causaram o acidente nuclear de Fukushima.

A combinação entre esse histórico e a nova “previsão” contribuiu para que o alerta viralizasse rapidamente, especialmente em Hong Kong. A informação foi amplamente disseminada por influenciadores e veículos de mídia tradicionais, segundo reportagem do canal americano CNBC.

Impacto nas viagens

O impacto foi imediato: as visitas de turistas de Hong Kong ao Japão caíram 33,4% em junho em relação ao mesmo mês do ano anterior, após um recuo de 11,2% em maio, segundo dados da Organização Nacional de Turismo do Japão.

A agência de turismo WWPKG, com sede em Hong Kong, relatou uma queda de 50% nas reservas e consultas de viagens entre abril e maio, na comparação anual.

O número de turistas originários de outros mercados asiáticos também desacelerou. As chegadas de visitantes da Coreia do Sul cresceram apenas 3,8% em junho (contra 11,8% em maio) e, de Taiwan, o avanço caiu de 15,5% para 1,8% no mesmo período. No total, o número de visitantes estrangeiros ao Japão subiu apenas 7,6% em junho, ante alta média de 24% registrada entre janeiro e maio.

Para CN Yuen, diretor da WWPKG, o fenômeno é inédito. “Desta vez, é diferente, porque nada aconteceu. É apenas um boato, ou uma profecia”, disse à CNBC.

Companhias aéreas de Hong Kong chegaram a cortar voos para cidades japonesas, como Nagoya, reforçando o sinal de alerta no setor de turismo.

Temor coletivo

Segundo analistas ouvidos pela CNBC, fatores culturais ajudam a explicar o efeito. O mangá é amplamente consumido e respeitado em países asiáticos, o que pode ter aumentado o peso da previsão. Além disso, a memória de desastres anteriores e a real vulnerabilidade sísmica do Japão amplificaram os temores.

Um relatório da Agência Meteorológica do Japão, publicado em janeiro, já havia alertado sobre 80% de probabilidade de um grande terremoto nos próximos 30 anos. O órgão, no entanto, afirmou que isso não significa que um tremor ocorrerá de fato.

Para o professor Kiattipoom Kiatkawsin, do Singapore Institute of Management, o medo coletivo em sociedades asiáticas favorece esse tipo de comportamento. “Mesmo que alguns indivíduos tenham dúvidas, a resposta coletiva da comunidade influencia fortemente as decisões, levando ao cancelamento de viagens”, disse à CNBC.

Além do medo, a flexibilidade das viagens de curta distância também pesou. “Se não forem ao Japão agora, podem ir depois sem muito esforço”, observou Kiatkawsin.

Apesar da queda entre turistas asiáticos, o número de visitantes ocidentais cresceu proporcionalmente em junho, segundo os dados da agência de turismo japonesa; sinal de que o impacto do boato não se espalhou com a mesma força fora da Ásia.

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