A Viagem: nostalgia não se converte em audiência e inviabiliza projeto teatral (Globo/Divulgação)
Redação Exame
Publicado em 26 de fevereiro de 2026 às 07h18.
O musical inspirado na novela A Viagem (1994), previsto para estrear ainda neste ano, foi cancelado por falta de patrocínios. A informação foi divulgada pelo Notícias da TV, que aponta que o cenário comercial se tornou desfavorável depois do fracasso de audiência e repercussão do remake e de um especial comemorativo.
De acordo com a coluna Play, do jornal O Globo, a produção do espetáculo encontrou dificuldades para atrair parcerias devido ao conteúdo de temática religiosa, o que teria causado reticências entre algumas empresas. A novela original, exibida pela Globo, é lembrada até hoje pelo forte apelo espiritualista e pelo vilão Alexandre, um dos personagens mais marcantes da dramaturgia brasileira.
Mesmo com o status de clássico, os novos produtos derivados não conseguiram mobilizar o público na mesma intensidade. A resposta morna afetou a confiança de investidores e patrocinadores.
Essa não é a primeira iniciativa baseada na novela espírita que é encerrada antes de se concretizar. Em 2022, Renata Jhin, filha de Elizabeth Jhin, chegou a desenvolver uma nova versão da trama para o horário das 18h da Globo.
A ideia era lançar o remake em 2024, ano em que a versão exibida em 1994, escrita por Ivani Ribeiro, completaria três décadas. Apesar do planejamento e de capítulos já finalizados, a emissora decidiu paralisar a produção.
Também foi cogitado um projeto especial para celebrar o aniversário da novela, mas a proposta não avançou. O canal Viva, atualmente Globoplay Novelas, havia planejado um especial com o retorno dos atores aos seus personagens, respeitando a passagem do tempo na narrativa. No entanto, divergências contratuais, principalmente em relação aos valores de cachê, impediram o acordo.
Depois da boa repercussão da reprise no Vale a Pena Ver de Novo, a Globo autorizou o desenvolvimento de um longa-metragem inspirado na história. O roteiro, assinado por Jaqueline Vargas, prevê uma nova abordagem centrada no personagem Alexandre. A escalação não deve repetir obrigatoriamente os nomes que participaram de versões anteriores.
A trama acompanha Alexandre, vivido por Guilherme Fontes, que comete um assassinato durante uma tentativa de assalto. Ao tentar escapar da polícia, ele acaba sendo denunciado pelo próprio irmão, Raul, interpretado por Miguel Falabella, e pelo cunhado Téo, papel de Maurício Mattar.
Preso, Alexandre busca o apoio do criminalista Otávio Jordão, personagem de Antonio Fagundes. O advogado, porém, se recusa a defendê-lo por ter ligação com a vítima do crime.
A única pessoa que permanece ao seu lado é a irmã Diná, interpretada por Christiane Torloni. Mesmo assim, ela não consegue reverter a situação nem impedir que ele permaneça na prisão.
Tomado pelo sentimento de injustiça, Alexandre tira a própria vida e jura vingança contra aqueles que considera responsáveis por sua queda. A partir daí, seu espírito passa a interferir na vida dos personagens, movido pelo desejo de punição e acerto de contas ao longo da história.