Museu do Louvre: Novos depoimentos ajudam a reconstruir o maior roubo da história recente do Louvre, enquanto investigadores ainda buscam as joias
Freelancer
Publicado em 13 de julho de 2026 às 23h14.
O maior roubo da história recente do Museu do Louvre ganhou um novo capítulo. Suspeitos presos pelo furto de joias da Coroa Francesa, avaliadas em US$ 102 milhões (mais de R$ 521 milhões), afirmaram que o mentor da operação ficou decepcionado com o resultado porque acreditava que o grupo poderia ter levado ainda mais peças do acervo.
As informações foram reveladas em depoimentos obtidos pelo jornal francês Le Monde. Segundo Abdoulaye N. e Ghelamallah A., eles foram recrutados poucos dias antes da invasão ao museu e receberam imagens da Galeria de Apolo para estudar o local e identificar as vitrines com as joias mais valiosas.
Durante os interrogatórios, Abdoulaye afirmou que o chefe da quadrilha avaliou que o grupo perdeu tempo durante a entrada no prédio e deixou peças importantes para trás. O suspeito disse que o líder acreditava que "eles poderiam ter levado mais". A existência desse suposto mentor, porém, ainda não foi confirmada oficialmente pelas autoridades francesas.
Além de Abdoulaye e Ghelamallah, outras duas pessoas permanecem presas preventivamente por suspeita de ligação com o caso. As autoridades, no entanto, não divulgaram detalhes sobre a participação delas.
O grupo roubou oito peças históricas, entre tiaras, colares, brincos e um broche ligados à família imperial francesa. Durante a fuga, uma das coroas ornamentadas usada pela imperatriz Eugénie caiu da bolsa de um dos criminosos e sofreu danos.
Diante dos investigadores, Abdoulaye admitiu ter derrubado a peça e reconheceu a gravidade do ocorrido ao ser confrontado com fotografias da coroa danificada.
Os dois suspeitos afirmam que entregaram todas as joias roubadas a um cliente logo após a fuga. Segundo eles, cada participante receberia até 25 mil euros pelo trabalho. Ambos se recusaram a identificar quem teria organizado a operação, alegando receio de represálias contra suas famílias.
Apesar dos relatos, os investigadores mantêm cautela sobre a existência de um mentor. De acordo com o jornal francês, não foram encontrados registros de comunicação entre os suspeitos e outra pessoa que sustentem essa versão.
As buscas pelas peças roubadas ainda continuam. Uma das principais hipóteses é que as joias tenham sido revendidas no mercado ilegal ou desmontadas para facilitar sua comercialização. Até o momento, nenhuma delas foi recuperada.
O assalto aconteceu em outubro de 2025 e durou poucos minutos, tornando-se um dos crimes contra patrimônio cultural mais impactantes das últimas décadas na França. A investigação revelou falhas relevantes no sistema de segurança do Louvre, incluindo cobertura limitada por câmeras de vigilância, o que levou à renúncia da então presidente do museu meses depois.
Enquanto o paradeiro das joias permanece um mistério, os novos depoimentos oferecem a descrição mais detalhada da operação até agora e reforçam que as autoridades ainda buscam identificar quem comandou o roubo que abalou um dos museus mais famosos do mundo.
O Louvre é o museu mais visitado do mundo e reúne mais de 33 mil obras, entre esculturas, pinturas e antiguidades. O acervo inclui a Mona Lisa, de Leonardo da Vinci. A invasão ocorreu por volta das 9h30, cerca de meia hora após a abertura do museu ao público.
Na época do crime, o ministro do Interior da França, Laurent Nuñez, classificou as joias roubadas como de "valor inestimável" e afirmou que elas representam um "verdadeiro patrimônio".