Repórter
Publicado em 26 de outubro de 2026 às 17h00.
A busca por melhorar tudo, da aparência ao descanso, ganhou uma expressão nas redes sociais: maxxing. O termo foi escolhido pelo Dictionary.com como a palavra do ano de 2026, em anúncio nesta segunda-feira, 26.
Derivada de maximizing, que significa maximizar em inglês, a expressão reúne práticas voltadas a obter o máximo de resultado em diferentes áreas da vida. Seu uso alcança alimentação, sono, trabalho e lazer, com presença sobretudo entre integrantes das gerações Z e Alpha, segundo o dicionário.
A seleção considerou buscas na internet, publicações em redes sociais e notícias. O Dictionary.com também avaliou como a palavra traduz comportamentos e mudanças culturais observados ao longo do ano.
Parte da circulação do termo ocorre por meio de combinações com outras palavras. É o caso de looksmaxxing, associado à tentativa de aprimorar a aparência física, e de sleepmaxxing, usado para descrever práticas que buscam aumentar a duração e melhorar a qualidade do sono.
Na alimentação, proteinmaxxing se refere ao esforço para ampliar o consumo de proteínas. Já o investimento em conforto e descanso aparece sob o nome de cozymaxxing, que aplica a mesma lógica de otimização aos momentos de pausa.
O vocabulário também chegou ao ambiente profissional. A expressão tokenmaxxing passou a designar o uso intensivo de inteligência artificial (IA), em meio ao incentivo de empresas para que funcionários incorporem essas ferramentas às tarefas do dia a dia.
Segundo o Dictionary.com, as buscas pelo termo e suas variações cresceram em 2026. A palavra também passou a aparecer sozinha, como verbo, para expressar a intenção de otimizar diferentes aspectos da rotina.
Embora a escolha destaque sua circulação em 2026, a origem desse vocabulário antecede o ano. A expressão tem relação com palavras inglesas como maximum, máximo, e maximize, maximizar, e com usos ligados à teoria dos jogos e aos videogames.
Um dos caminhos de disseminação foi o looksmaxxing, que circulava em fóruns na década de 2010. Entre esses espaços estavam comunidades da machosfera, nome dado a ambientes digitais centrados em temas de masculinidade, inclusive grupos incel, compostos por homens que se identificam como involuntariamente celibatários.
Nesses fóruns, as práticas para aumentar a atratividade física incluíam exercícios, cuidados pessoais e procedimentos estéticos. A expansão para as redes sociais ampliou as aplicações da expressão, que passou a acompanhar atividades sem relação direta com a aparência e se afastou parcialmente desses contextos de origem.
Para Steve Johnson, diretor de lexicografia do Dictionary Media Group, responsável pelo Dictionary.com, a abrangência do termo ajuda a explicar a escolha.
Em declaração reproduzida pela imprensa americana, Johnson citou como exemplos o aumento do consumo de proteínas no café da manhã, o uso de IA durante o expediente e a busca por conforto em uma noite de sexta-feira. Na avaliação dele, a palavra conecta hábitos de diferentes áreas da vida e ultrapassa as comunidades nas quais se difundiu.
A escolha destaca, assim, um vocabulário que aplica a ideia de maximização tanto à produtividade quanto ao descanso: até as pausas passam a ser descritas como algo a aperfeiçoar.