Redação Exame
Publicado em 10 de janeiro de 2026 às 20h19.
Em 2015 ia ao ar o último capítulo de 'Em Família', novela que marcaria a grande despedida de Manoel Carlos do mundo da teledramaturgia. O autor, que morreu hoje, 10, ficou famoso por ter popularizado o estilo 'dona Helena' de ser, e foi responsável por mais de 15 novelas. Entre as mais famosas, estão 'Por Amor', 'Laços de Família' e 'Mulheres Apaixonadas', da Globo.
Além das Helenas, personagens como Zilda, Paulinha, Dóris e Marcos entraram para a cultura brasileira. Mesmo mais de 30 anos depois de suas primeiras novelas, as cenas dos folhetins ficaram estampadas na memória dos brasileiros, que transformaram diversas cenas icônicas em memes inesquecíveis.
Não é exagero dizer que foi Manoel Carlos, ou Maneco, como também é conhecido, o responsável por trazer um clima diferente à zona sul do Rio de Janeiro, sobretudo ao bairro do Leblon.
Após ser diagnosticado com Parkinson, Manoel Carlos se aposentou da teledramaturgia. E a filha de Maneco, a atriz Júlia Almeida, recebeu a missão de preservar seu legado. Ela assumiu a gestão produtora Boa Palavra, criada em 2005 para perpetuar o legado do escritor, e passou a organizar mais de sete mil caixas com sinopses inéditas e livros.
Inspirado pela mitologia grega, Maneco escolheu o nome Helena como símbolo da mulher forte, capaz de grandes feitos por amor. Suas protagonistas eram, em geral, mães abnegadas, capazes de se sacrificar pelos filhos, mas sem abrir mão de sua individualidade.
“Elas defendem um filho até a injustiça. É muito difícil uma mulher escapar da sua semelhança com a própria mãe”, disse ao Fantástico, em 2014.
A atriz Regina Duarte deu vida a três Helenas — em “História de Amor” (1995), “Por Amor” (1997) e “Páginas da Vida” (2006). Vera Fischer protagonizou “Laços de Família” (2000), enquanto Christiane Torloni viveu Helena em “Mulheres Apaixonadas” (2003). Em “Viver a Vida” (2009), Taís Araújo foi a primeira Helena negra de Maneco. A última foi Julia Lemmertz, filha da primeira Helena, em “Em Família” (2014).
Além das novelas, Maneco também escreveu minisséries marcantes como “Presença de Anita” (2001) e “Maysa – Quando Fala o Coração” (2009).
Em suas palavras, o Rio de Janeiro era mais que cenário, era personagem:
“As tragédias e os dramas acontecem, mas o dia está lindo. A praia e o espírito carioca dão uma coloração rosa ao contexto cinzento”, afirmou ao Memória Globo.
Seu estilo buscava o realismo, inspirado nas conversas de bar e de café que ouvia nas ruas. Ele acreditava que os conflitos familiares e os sentimentos humanos eram universais e atemporais.