O autor de novelas Manoel Carlos (MAURICIO MELO/ANAMARIA)
Redação Exame
Publicado em 10 de janeiro de 2026 às 20h50.
Última atualização em 10 de janeiro de 2026 às 20h50.
Aos 92 anos, o autor Manoel Carlos morreu neste sábado, 10, deixando um legado incontestável na teledramaturgia brasileira. Mas sua obra e influência seguem vivas — revisitadas e celebradas em duas séries documentais idealizadas por sua filha, a atriz Júlia Almeida, que está à frente da produtora Boa Palavra, que administra a obra do dramaturgo.
Com uma abordagem pessoal e intimista, os documentários O Leblon de Manoel Carlos e As Helenas de Manoel Carlos mergulham no universo criativo do autor que transformou o cotidiano do Leblon em poesia televisiva e fez de personagens femininas, sempre chamadas Helena, espelhos das complexidades humanas.
Em entrevista à EXAME em 2024, Júlia Almeida afirmou que seu pai foi pioneiro ao abordar em sua obra diversos temas de extrema importância para a sociedade, entendendo como poucos a força da televisão e seu papel de influenciadora de opinião, muito antes do boom das mídias digitais.
A produtora Boa Palavra foi criada em 2005 para administrar a obra de Manoel Carlos e, desde então, foi comandada por ele e por sua esposa, Elisabety.
"No ano passado [em 2023], recebi deles a incumbência de assumir a produtora e de cuidar para que o trabalho deles, que inclui todas as obras criadas por meu pai, fosse preservada e pudesse chegar às novas gerações. Encaro o desafio com muito amor e responsabilidade", afirmou Almeida à EXAME.
Lançada em setembro de 2024, a série documental "O Leblon de Manoel Carlos" explora, em oito capítulos, o cotidiano, os hábitos e as inspirações do autor — com o bairro do Leblon como símbolo de sua assinatura artística.
“Foi muito visceral. Manoel Carlos é intenso como profissional, como pessoa e sua história também”, afirmou Almeida em entrevista à revista Vogue em 2024.
A série apresenta depoimentos de nomes como Vera Fischer, Julia Lemmertz, Rogério Gomes, Jayme Monjardim e Marcos Gasparian, em conversas que revelam tanto o criador quanto o homem por trás das novelas que marcaram gerações.
A segunda produção documental, As Helenas de Manoel Carlos, foi detalhada por Júlia em entrevista à CNN Brasil no ano passado. Lançada em outubro de 2025, também no YouTube, a série contará com oito episódios publicados quinzenalmente.
A obra trará depoimentos de atrizes que viveram as icônicas Helenas — entre elas Regina Duarte, Vera Fischer, Taís Araújo, Maitê Proença, Christiane Torloni e Julia Lemmertz.
Cada episódio é dedicado não apenas à personagem, mas à jornada da atriz com a personagem, às nuances exigidas por esse papel que atravessou décadas.
“Cada Helena foi escrita para uma determinada atriz. Cada história, trama, foi desenvolvida pensando na atriz. Era um conjunto complexo”, afirmou Júlia à CNN.
Segundo a produtora, o processo de criação da série foi diferente da primeira. “O roteiro caiu. Vamos do zero, apenas com as entrevistas”, disse, ao comentar como decidiu apostar em uma estética mais livre e espontânea, com direção de entrevistas assinada por Paulo Matta.
O episódio mais recente da série foi lançado na quarta-feira, 7. Assista: