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Elvis, Michael Jackson e Amy Winehouse: como músicos ganham milhões após a morte

Catálogos, royalties e espólios mantêm artistas como Elvis Presley e Michael Jackson entre os maiores faturamentos da música, mesmo décadas após a morte

Elvis Presley: espólio do cantor está na lista da Forbes desde 2001 (Bob Campbell/San Francisco Chronicle via Getty Images)

Elvis Presley: espólio do cantor está na lista da Forbes desde 2001 (Bob Campbell/San Francisco Chronicle via Getty Images)

Publicado em 29 de abril de 2026 às 05h01.

Elvis Presley morreu, em 1977, com um patrimônio estimado em US$ 5 milhões, valor abaixo do esperado para o maior ídolo da história do rock and roll, segundo a Finance Monthly.

Décadas de gastos elevados e um contrato de gestão desfavorável com o empresário Colonel Tom Parker haviam desgastado a fortuna do Rei.

A trajetória financeira mudou décadas depois. O filme biográfico Elvis, lançado em 2022, impulsionou os ganhos do espólio para US$ 110 milhões em um único ano, segundo a Forbes.

No ano seguinte, foram mais US$ 100 milhões. Desde que a Forbes começou a monitorar ganhos póstumos de celebridades, em 2001, o espólio de Elvis aparece na lista todos os anos, sem exceção, segundo a RouteNote. No acumulado desde a morte de Presley, o valor chegou a US$ 1,2 bilhão.

A virada é expressiva, mas está longe de ser a maior da indústria.

Em 2025, a Forbes declarou Michael Jackson o artista com maior faturamento do mundo. Não o maior entre os mortos, mas o maior entre todos, vivos ou não. Foram US$ 105 milhões arrecadados entre outubro de 2024 e setembro de 2025 por um artista que morreu em 2009, segundo a Forbes. Desde então, o espólio do Rei do Pop acumulou cerca de US$ 3,5 bilhões em receita.

A indústria póstuma da música movimenta catálogos, royalties, licenciamento de imagem, filmes, documentários e disputas familiares. Em alguns casos, a morte amplia o valor comercial de um artista. Em outros, expõe contratos desfavoráveis, decisões financeiras ruins e ausência de planejamento patrimonial.

O padrão aparece em diferentes trajetórias. Elvis Presley, Prince, Amy Winehouse, Kurt Cobain e Avicii morreram sem testamento.

Em comum, deixaram processos, disputas e fortunas reduzidas por taxas legais, impostos e decisões que não partiram deles.

O dado mais revelador vem da própria Forbes: em 2025, 10 dos 13 artistas com maior faturamento póstumo eram músicos, com ganhos combinados de US$ 541 milhões antes de impostos.

Kurt Cobain: US$ 50 milhões viram US$ 450 milhões — e uma batalha familiar

(CRÉDITO OBRIGATÓRIO: Koh Hasebe/Shinko Music/Getty Images) Kurt Cobain, do Nirvana, retrato durante uma entrevista no Hotel Roppongi Prince, Tóquio, Japão, 18 de fevereiro de 1992. (Foto de Koh Hasebe/Shinko Music/Getty Images)

Kurt Cobain: cantor morreu aos 27 anos, em 1994 (Koh Hasebe/Shinko Music / Colaborador/Getty Images)

Quando Kurt Cobain morreu, em abril de 1994, aos 27 anos, seu patrimônio era estimado em cerca de US$ 50 milhões, segundo a Finance Monthly.

Àquela altura, ele já havia transformado o rock alternativo em fenômeno global com o Nirvana. O álbum Nevermind, lançado em 1991, tinha vendido mais de 30 milhões de cópias no mundo.

Cobain não deixou testamento. A ausência de instruções formais abriu espaço para uma longa disputa em torno de direitos autorais, imagem, licenciamento e bens pessoais.

A viúva, Courtney Love, herdou os direitos de publicação e de escrita, avaliados em US$ 130 milhões e US$ 115 milhões, respectivamente, segundo a Celebrity Net Worth.

Também ficaram com ela os direitos de imagem e licenciamento do músico, além de uma coleção de pertences pessoais, incluindo guitarras, roupas e anotações avaliados em mais de US$ 120 milhões.

O que se seguiu foi uma saga documentada de má gestão.

Em 2009, Love afirmou publicamente ter perdido cerca de US$ 30 milhões em dinheiro e US$ 500 milhões em imóveis por fraudes e má gestão de assessores financeiros, segundo a Celebrity Net Worth.

Três anos antes, em 2006, ela havia vendido 25% dos direitos de publicação do Nirvana para um empresário do setor musical.

Em 2010, transferiu os direitos de imagem e licenciamento de Cobain para a filha, Frances Bean Cobain, em troca de um empréstimo de US$ 2,75 milhões do fundo fiduciário da jovem, segundo a Finance Monthly.

Quando Frances completou 18 anos, tornou-se a principal beneficiária do espólio. Ao completar 30 anos, em 2022, herdou o controle integral. Hoje, o espólio de Cobain é estimado em mais de US$ 450 milhões, impulsionado por royalties contínuos, merchandise e licenciamentos.

Frances recebe mais de US$ 100 mil por mês em royalties e fundos fiduciários do pai, segundo a Financial Monthly.

Michael Jackson: planejamento como legado

BANDAR SERI BEGAWAN, BRUNEI - JULHO DE 1996: O cantor, compositor e dançarino americano Michael Jackson (1958-2009) se apresenta no palco durante um concerto para o 50º aniversário de Hassanal Bolkiah, o Sultão de Brunei, por volta de julho de 1996, no Anfiteatro Jerudong Park em Bandar Seri Begawan, Brunei.

Michael Jackson: cantor morreu em junho de 2009 (Bill Nation/Sygma/Getty Images)

O que transformou Michael Jackson no maior gerador de renda póstuma da história não foi apenas o talento. Foi uma decisão tomada décadas antes de sua morte.

Em 1985, Jackson comprou o catálogo da ATV Music Publishing, que incluía mais de 250 músicas dos Beatles, por US$ 47,5 milhões, segundo a Billboard.

O ativo se tornou a base de sua fortuna depois da morte.

Em 2016, o espólio vendeu metade da participação na Sony/ATV por US$ 750 milhões, segundo a AfroTech.

Oito anos depois, em 2024, vendeu metade do catálogo restante de gravações e publicação para a Sony Music Group por outros US$ 600 milhões, segundo a mesma fonte.

Jackson morreu com mais de US$ 500 milhões em dívidas, segundo registros judiciais de 2024.

O espólio, no entanto, valia mais do que o passivo. A gestão estratégica dos ativos transformou uma dívida bilionária em uma das maiores viradas financeiras da história da música.

Prince: o gênio que não deixou testamento

LOS ANGELES - POR VOLTA DE 1985: Prince se apresenta em um show por volta de 1985 em Los Angeles, Califórnia. (Foto de Michael Ochs Archives/Getty Images)

Prince: morte do cantor exemplifica a necessidade de um testamento no mundo da música (Michael Ochs Archives / Correspondente autônomo/Getty Images)

Se Jackson é o exemplo de planejamento, Prince é o alerta sobre o que a ausência dele pode causar a um legado.

Quando o músico morreu, em abril de 2016, de overdose de fentanil, o mundo descobriu um dado difícil de conciliar com sua trajetória: um dos artistas mais meticulosos da história na defesa dos próprios direitos autorais havia morrido sem testamento, segundo a Billboard.

Prince passou décadas em batalha judicial com a Warner Bros. e chegou a se recusar a colocar sua música no Spotify por discordâncias sobre remuneração. Ainda assim, não deixou instruções formais sobre a administração de sua obra.

"É uma bagunça real que ele deixou para trás. Não consigo acreditar. Como pode não haver um testamento?", disse um especialista jurídico à Associated Press na época.

Sem filhos ou cônjuge, coube ao tribunal identificar os beneficiários legais. O processo abriu caminho para dezenas de pessoas alegarem parentesco.

Após testes de DNA e disputas judiciais, seis herdeiros foram reconhecidos, segundo a Finance Monthly.

A batalha durou seis anos. O IRS avaliou o espólio em US$ 163,2 milhões; o espólio argumentou que o valor era de US$ 82,3 milhões.

O acordo final, fechado em janeiro de 2022, fixou o valor em US$ 156,4 milhões, segundo a Finance Monthly.

Os custos legais e tributários consumiram mais da metade do valor bruto, segundo a mesma fonte.

As disputas continuaram depois da partilha. Em 2024, novos processos surgiram sobre o controle da Prince Legacy LLC, holding criada para gerir o catálogo.

No mesmo ano, o espólio pressionou a Netflix a cancelar um documentário de nove partes já aprovado pela plataforma, sob alegação de imprecisões. A Netflix cedeu, segundo a Billboard.

Amy Winehouse: o que sobrou de Back to Black

REINO UNIDO - 28 DE MAIO: SHEPHERD'S BUSH EMPIRE Foto de Amy Winehouse, Amy Winehouse se apresentando no palco (Foto de Chris Christoforou/Redferns)

Amy Winehouse: cantora morreu em 2011, aos 27 anos (Chris Christoforou / Colaborador/Getty Images)

Amy Winehouse morreu em julho de 2011, aos 27 anos. Naquele momento, Back to Black já havia vendido mais de 16 milhões de cópias no mundo e rendido à cantora cinco Grammys em uma única noite, em 2008, segundo o Billboard.

A expectativa era de uma fortuna proporcional ao tamanho de sua carreira. Os documentos de inventário, no entanto, mostraram um cenário mais limitado.

Winehouse deixou um espólio bruto avaliado em 4,25 milhões de libras esterlinas — cerca de US$ 6,7 milhões —, com 2,94 milhões de libras esterlinas restantes após dívidas e impostos, segundo registros de inventário citados pela Billboard.

Também sem testamento, os ativos foram destinados aos pais, Mitch e Janis Winehouse, conforme as regras de intestato do direito britânico.

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O valor modesto, diante da dimensão da obra, refletia anos de instabilidade financeira e os custos pessoais ligados à dependência química.

Mesmo assim, o espólio continuou a gerar receita depois da morte. O álbum póstumo Lioness: Hidden Treasures, lançado em 2011, estreou em primeiro lugar no Reino Unido.

O documentário Amy, de 2015, reacendeu o interesse global pela artista. Em 2024, o filme biográfico Back to Black trouxe uma nova onda de streams, segundo o Yahoo Entertainment.

Avicii: US$ 50 milhões, nenhum planejamento, uma fundação

DJ Avicii morreu aos 28 anos

DJ Avicii: músico morreu aos 28 anos (Instagram/Avicii/Reuters)

Tim Bergling, o DJ sueco conhecido como Avicii, morreu em abril de 2018, aos 28 anos, com patrimônio estimado em US$ 50 milhões, segundo a Celebrity Net Worth.

Assim como outros artistas da lista, ele não deixou testamento.

Pelas leis suecas de sucessão, a fortuna foi destinada aos pais.

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Os ativos líquidos identificados nos documentos judiciais somavam 231 milhões de coroas suecas — equivalentes a cerca de US$ 26 milhões na época —, sem incluir imóveis, fundos fiduciários e investimentos não liquidados, segundo a Celebrity Net Worth.

Os pais criaram a Tim Bergling Foundation, organização dedicada à saúde mental de jovens, com parte dos recursos do espólio.

A destinação estaria provavelmente alinhada à trajetória do músico, embora ele não tenha deixado instruções formais sobre o uso da fortuna.

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