Dona Beja: Entre mito e realidade: quem foi a mulher que inspirou remake da HBO Max (HBO Max/Divulgação)
Redação Exame
Publicado em 3 de fevereiro de 2026 às 16h12.
Você sabe quem foi Dona Beja? Personagem histórico do Brasil no século XIX, Ana Jacinta de São José virou personagem de novela e mito popular. Sua vida real serviu de base para a nova produção da HBO Max, que estreia como uma releitura do clássico da novela que foi exibida originalmente nos anos 1980.
Nascida em 1800 na região que hoje é Minas Gerais, Dona Beja ganhou fama desde jovem por sua beleza marcante. O apelido “Beja” teria vindo de uma comparação feita por sua avó entre sua beleza e a suavidade da flor “beijo”.
Quando tinha cerca de 15 anos, Ana foi raptada pelo ouvidor do rei, Joaquim Inácio Silveira da Motta, que se encantou por ela e a levou para Paracatu, onde ela viveu como sua amante por cerca de dois anos. Seu avô morreu ao tentar impedir o sequestro.
Ao retornar a Araxá após esse episódio, ela enfrentou a rejeição de uma sociedade conservadora que a via como alguém de reputação duvidosa. Para responder a esse julgamento social, Dona Beja montou um estabelecimento conhecido como Chácara do Jatobá, onde passou a exercer atividades "chocantes" para a população da época.
O bordel de luxo que administrou não apenas a tornou independente financeiramente como também a colocou em contato com homens importantes da região. A vida de Dona Beja desafiou os papéis tradicionais que se esperavam de uma mulher no Brasil imperial.
Além disso, historiadores indicam que ela acumulou riqueza ao longo dos anos, inclusive através de investimentos em comércio de ouro e diamantes em cidades mineiras, o que lhe garantiu um lugar de destaque fora dos padrões sociais que a criticavam.
Beja também era uma estrategista política: ela usava seu salão para influenciar decisões regionais, como o movimento que integrou o Triângulo Mineiro ao estado de Minas Gerais (antes pertencente a Goiás).
Faleceu em 1873, com 73 anos, deixando um testamento que provou sua independência financeira, algo quase impossível para uma mulher solteira daquela época.
A nova produção da HBO Max, que estreou nessa segunda-feira, 2, é estrelada por Grazi Massafera, revisita essa vida intensa e polêmica. Mais do que um simples remake, a narrativa atual, que vai contar com 40 capítulos, busca mostrar Beja menos como uma "vítima do destino" e mais uma mulher consciente do que é necessário para sobreviver.
Além disso, a vilã Angélica, interpretada como Bianca Bin, vai fugir do papel maniqueísta comum em novelas: a trama vai mostrar como o patriarcado coloca mulheres umas contra as outras.
A nova produção também traz um elenco mais diverso, já que vai abordar tensões raciais do Brasil colonial.
Veja o trailer:
A releitura contemporânea da HBO Max conta com um elenco brasileiro de peso, como: