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'Avatar': com mais dois filmes planejados, saga é menos lucrativa do que deveria

Franquia pode se tornar menos financeiramente viável com o tempo

'Fogo e Cinza': terceiro filme da saga 'Avatar' tem arrecadação abaixo dos predecessores (Disney / Divulgação )

'Fogo e Cinza': terceiro filme da saga 'Avatar' tem arrecadação abaixo dos predecessores (Disney / Divulgação )

Paloma Lazzaro
Paloma Lazzaro

Estagiária de jornalismo

Publicado em 13 de fevereiro de 2026 às 06h19.

Avatar: Fogo e Cinza foi o terceiro filme com maior bilheteria de 2025, atrás das animações Ne Zha 2 Zootopia 2. Lançado em dezembro do ano passado, o longa faturou US$ 1,4 bilhão mundialmente ao fim de sua trajetória nos cinemas, de acordo com o Box Office Mojo.

Apesar desse sucesso, a prestação de contas da saga com a Disney se tornou tensa. Com custos de produção, exibição e promoção cada vez mais altos, a arrecadação bilionária não foi capaz de fazer o terceiro filme da saga Avatar um lançamento lucrativo o suficiente.

O próprio diretor James Cameron reconheceu o desafio. Em entrevista à GQ, o diretor classificou os filmes de Avatar como “o pior modelo de negócio da história do cinema”. Ele estimou que a arrecadação necessária para a sustentabilidade financeira de Fogo e Cinza é de US$ 1,5 bilhão.

O padrão de arrecadação da saga é alto. Avatar: Fogo e Cinza ficou consideravelmente abaixo de Avatar (2009), que arrecadou US$ 2,9 bilhões, e de Avatar: O Caminho da Água (2022),  com faturamento de US$ 2,3 bilhões, segundo a Variety.

A preocupação aumenta porque a Disney já se comprometeu com mais dois filmes da saga, previstos para 2029 e 2031, segundo a revista.

“É uma coisa dizer: ‘Foi lucrativo, não massivamente, mas a propriedade nos beneficia de outras formas, especialmente nos parques temáticos’. Outra é dizer: ‘Vamos investir mais US$ 500 milhões duas vezes’, se você está nessa trajetória de queda”, afirma Stephen Galloway, diretor da escola de cinema da Chapman University, à Variety.

Orçamentos cada vez mais altos para as produções

A escalada de custos é um dos principais fatores de risco.

O primeiro Avatar teve orçamento estimado em cerca de US$ 237 milhões. O Caminho da Água subiu para aproximadamente US$ 350 milhões. Para Avatar: Fogo e Cinza, de 2025 esse número explodiu: o longa de James Cameron teve um custo estimado em US$ 500 milhões.

Além dos custos de produção, os gastos de um filme incluem outras cifras e o orçamento divulgado não reflete o custo total.

No caso do segundo filme da saga, os gastos com marketing, exibição e divulgação elevaram a conta para um valor estimado de cerca de US$ 800 milhões, de acordo com a Rolling Stone. Ou seja, o custo total mais que dobrou ao final do processo.

Se a tendência se manter, os próximos filmes serão mais caros ainda, e a quantia necessária para tornarem-se lucrativos será menos atingível. A lógica é simples: quanto maior o orçamento, maior o risco.

Cameron tem histórico de produções que, à época, estavam entre as mais caras já feitas, de Titanic à própria franquia Avatar.

Repasse de bilheteria

Outro fator, além dos custos mais altos, que afeta a lucratividade da saga Avatar é o modelo de repasse dos valores de bilheteria em cinemas.

Mesmo arrecadando bilhões, o estúdio não fica com o valor integral dos ingressos vendidos - cerca de 50% da bilheteria permanecem com as redes de cinema.

Isso significa que, para cobrir um custo total próximo de US$ 800 milhões, como foi o caso de o Caminho da Água, o filme deve arrecadar algo entre US$ 1,6 bilhão e US$ 2 bilhões, como o próprio Cameron indicou à época do lançamento do segundo longa. O valor superou os US$ 2,3 bilhões e conseguiu ser lucrativo, mas o mesmo pode não ser verdade para o terceiro filme da franquia.

Fogo e Cinza é mais caro que o antecessor. O faturamento de US$ 1,4 bilhão pode soar extraordinário, mas representa uma margem apertada.

Faturamento abaixo do esperado

Mesmo com esses números robustos, a saga mostra alguns sinais de desgaste comercial.

Diferentemente dos dois primeiros filmes, que lideraram as bilheterias por sete semanas consecutivas, o terceiro perdeu a primeira posição após seu quinto fim de semana.

Para Alicia Reese, analista da Wedbush Securities, a queda pode estar ligada à percepção de repetição. “Há uma enorme base de fãs”, afirmou à Variety. “No entanto, não houve nada espetacularmente diferente em termos de tecnologia ou história.”

Ela acrescenta que o intervalo menor entre os filmes pode ter influenciado. O terceiro capítulo estreou apenas três anos após o segundo, intervalo curto se comparado à espera de mais de uma década entre o primeiro e o segundo filme.

Enquanto isso, a Disney teve em 2025 outros dois sucessos bilionários — Lilo & Stitch e Zootopia 2 — com orçamentos muito menores, entre US$ 100 milhões e US$ 150 milhões, além de forte desempenho em produtos licenciados.

Avatar não é uma propriedade infantil, então a Disney não terá tanto retorno em produtos de consumo”, avaliou Reese.

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