Alice no País das Maravilhas: após um século, Oxford recebe exemplar pessoal de Lewis Carroll
Redatora
Publicado em 5 de janeiro de 2026 às 13h05.
Um século após um roubo histórico, “Alice no País das Maravilhas” voltou ao centro da Universidade de Oxford.
A Christ Church recebeu o exemplar pessoal de Lewis Carroll, pertencente à primeira edição suprimida de 1865. O volume também passa a integrar o acervo das Bibliotecas Bodleianas, após 100 anos de desaparecimento.
De acordo com informações do O Globo, a doação foi feita pela bibliófila americana Ellen A. Michelson. Pesquisadores consideram o exemplar singular. A edição reúne anotações manuscritas do autor e ilustrações originais. O material nunca havia sido exibido ao público no Reino Unido.
A chegada do livro dialoga com um episódio do passado. No início do século XX, a Christ Church perdeu seu exemplar da primeira edição em um roubo. O volume ficava na Sala Comum dos Professores Seniores e, desde então, não havia sido recuperado.
Conhecido como “A Alice de Michelson”, o livro preserva anotações feitas pelo próprio Carroll. O volume inclui 10 esboços originais a lápis de John Tenniel, ilustrador da obra. Dos 42 desenhos preparados para a primeira edição, apenas 31 são conhecidos atualmente.
A primeira edição de "Alice no País das Maravilhas" teve circulação limitada. Cerca de 2 mil cópias foram impressas em 1865. Após o lançamento, Tenniel criticou a qualidade da impressão e solicitou a retirada do livro. A maior parte dos exemplares foi destruída.
Carroll recebeu parte da tiragem antes da supressão e chegou a distribuir alguns volumes a amigos. Hoje, apenas 23 exemplares dessa edição são conhecidos. O livro doado figura entre os exemplares mais completos ainda preservados.
Com isso, a relação entre Lewis Carroll e a Christ Church ganha maior contexto histórico. Sob seu nome verdadeiro, Charles Lutwidge Dodgson, o autor estudou e lecionou na instituição ao longo do século XIX.
Ele também atuou como bibliotecário assistente entre 1855 e 1881. Foi nesse período que manteve contato próximo com a família Liddell, cuja filha, Alice, inspirou a personagem central da obra.
O exemplar será exibido nas Bibliotecas Bodleianas ainda em janeiro. Depois, integrará a exposição “Animais de Estimação e Seus Donos”, dedicada à relação entre humanos e animais.