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Zoop mira R$ 1 bi apostando em celular como maquininha

Empresa cresceu 132% em 2025 com tecnologia 'tap to pay' que transforma smartphones em maquininhas para parceiros como Nubank e OLX

Cesário Martins, CEO da Zoop: "A gente transformou o pagamento de hardware em software" (Divulgação/Divulgação)

Cesário Martins, CEO da Zoop: "A gente transformou o pagamento de hardware em software" (Divulgação/Divulgação)

Leo Branco
Leo Branco

Editor de Negócios e Carreira

Publicado em 22 de janeiro de 2026 às 11h25.

Última atualização em 22 de janeiro de 2026 às 12h19.

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A Zoop, empresa de tecnologia de pagamentos que pertence ao grupo iFood desde 2024, fechou o ano de 2025 com um faturamento de R$ 700 milhões — um avanço de 132% em relação ao ano anterior. 

Até março, quando encerra seu ano fiscal, a empresa projeta atingir R$ 1 bilhão em receita. Para 2026, a meta é dobrar o tamanho do negócio e alcançar R$ 2 bilhões.

O principal motor desse crescimento é o Tap to Pay, uma tecnologia que transforma qualquer celular com sistemas Android e iOS além de chip de aproximação em uma maquininha de cartão. 

Só em 2025, a Zoop processou mais de 21 milhões de transações com essa solução, o que representa uma alta de 644% em relação a 2024.

O volume financeiro movimentado chegou a R$ 36 bilhões, com crescimento de 24% no período.

Segundo Cesário Martins, CEO da Zoop, o modelo elimina uma série de custos logísticos e operacionais comuns às maquininhas tradicionais, como envio de equipamentos, manutenção e bobinas. 

“A gente transformou o pagamento de hardware em software. Com isso, deixamos de depender de estoque, transporte e instalação. Isso muda completamente a escala”, afirma.

De acordo com ele, a Zoop levou 12 anos para colocar 100 mil maquininhas físicas no mercado. Com o Tap to Pay, em apenas dois anos, já superou 1 milhão de dispositivos ativos.

B2B e escala via parceiros

A tecnologia da Zoop é oferecida no modelo B2B.

Em vez de atender diretamente o microempreendedor, a empresa fornece a infraestrutura para que outras companhias incorporem o Tap to Pay em seus próprios aplicativos. Nubank, OLX, Invisalign e o próprio iFood são alguns dos parceiros que oferecem a solução aos seus usuários.

“O nosso cliente é a empresa que tem um ecossistema. Pode ser um banco digital, uma empresa de software, um varejista. Nós entramos com a tecnologia, e eles distribuem para a base deles”, diz Martins.

Com esse modelo, a Zoop também evita custos com aquisição direta de clientes finais. “Quem atende o dentista, o motoboy ou o vendedor de loja é o nosso parceiro. A gente atua nos bastidores”, explica.

Esse posicionamento é descrito por Martins como uma “estratégia de dentro para fora”. A ideia é desenvolver, testar e amadurecer novas soluções primeiro no ecossistema do próprio grupo, como o iFood Pago — braço financeiro do aplicativo de entregas —, e só depois levar os produtos para o mercado mais amplo.

“O iFood é nosso maior cliente e também nosso laboratório. Tudo que a gente cria é validado ali, com os restaurantes e entregadores. Quando algo funciona nesse volume, sabemos que pode funcionar para outros parceiros”, afirma.

Histórico e mudança de gestão

A Zoop foi fundada em 2014 com foco em infraestrutura para meios de pagamento. O iFood se tornou sócio majoritário em 2020 e adquiriu 100% da empresa em 2024. 

Na prática, a parceria entre as duas empresas já existia desde antes, com a Zoop sendo a responsável pela tecnologia por trás do iFood Pago.

Com a saída dos fundadores, o iFood buscou um novo perfil para liderar a empresa. Cesário Martins, empreendedor com passagens por negócios como ClickBus e Loop, assumiu o comando. 

“A ideia era trazer alguém com experiência em escalar tecnologia e com visão de produto”, diz.

Martins define o papel da Zoop como semelhante ao da AWS, o serviço de nuvem da Amazon. 

“A AWS surgiu para resolver um problema interno da Amazon e depois virou um negócio. A gente faz algo parecido. Criamos tecnologia para o iFood e agora vendemos para fora”, explica.

O avanço do Tap to Pay no Brasil

A popularização dos pagamentos por aproximação no Brasil criou o cenário ideal para a expansão do Tap to Pay. Segundo Martins, o país já ultrapassou os Estados Unidos em número de transações por essa modalidade. 

“O Brasil virou referência nesse tipo de pagamento. Lá fora, essa escala ainda não existe”, diz.

Na NRF, um dos principais eventos do varejo global, realizado todos os anos no início de janeiro, em Nova York, a adoção do Tap to Pay no Brasil foi citada como exemplo de inovação com alto impacto prático. 

A Zoop foi uma das pioneiras no país a oferecer essa tecnologia, lançando sua solução em 2023, em parceria com o Nubank.

Um dos diferenciais do produto é permitir o parcelamento da compra em até 21 vezes no cartão de crédito, algo importante para o mercado brasileiro. 

Além disso, a funcionalidade de pagamento instantâneo ao vendedor, que repassa os valores em até cinco segundos, tem sido usada como argumento para atrair pequenos negócios.

“Esses dois pontos — parcelamento e recebimento rápido — são decisivos para quem está na ponta. É isso que permite ao vendedor aceitar o cartão com confiança”, afirma o executivo.

De olho em 2026: educação de mercado e IA

A estratégia da Zoop para os próximos meses envolve duas frentes. A primeira é educar o mercado sobre o uso do Tap to Pay. 

Segundo Martins, muitos empreendedores ainda não sabem que podem transformar o próprio celular em uma ferramenta de cobrança. 

“A tecnologia existe, mas ainda falta comunicação. Muita gente nem sabe que pode usar o celular para vender no cartão. Nosso foco em 2026 será explicar isso de forma simples”, diz.

A segunda frente é o desenvolvimento de uma nova geração de produtos baseados em inteligência artificial. 

A empresa está testando os chamados pagamentos agênticos, que usam assistentes de voz ou mensagens para intermediar transações. A proposta é substituir a interface tradicional de aplicativos por interações conversacionais.

Essas tecnologias estão sendo experimentadas dentro do iFood e da Decolar, outra empresa do grupo Prosus, holding que reúne os ativos de tecnologia da qual a Zoop faz parte desde 2024. A expectativa é que as soluções sejam oferecidas comercialmente em 2026.

“O futuro dos pagamentos não é mais só mobile. A próxima fase será conversacional. Vamos pagar com voz, com chat, com agente. Já estamos desenvolvendo isso e vamos levar ao mercado quando estiver pronto”, afirma Martins.

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