Daniel Marques, Tito Martins e Claudio Yamaguchi: empresa recebeu R$ 15 milhões em rodada seed para investir em tecnologia e produção de conteúdo.
Repórter
Publicado em 8 de agosto de 2026 às 08h02.
A Zayra, startup de educação voltada a finanças digitais, captou R$ 15 milhões em uma rodada seed para colocar de pé sua plataforma de ensino. O aporte foi feito pelos investidores-anjo Gustavo Guedes Maniero, Ibrahim Jamhour e Edison Raposo, além de outros investidores ligados ao mercado financeiro.
O dinheiro será usado integralmente no desenvolvimento e lançamento da plataforma, na montagem de um estúdio para produção de conteúdo e na gravação das primeiras aulas. Parte desse conteúdo será produzida em parceria com a SP Tech, faculdade de tecnologia de São Paulo.
Na prática, a Zayra quer vender formação para profissionais que precisam lidar com tecnologias que começam a ocupar mais espaço no sistema financeiro, como blockchain, stablecoins — ativos digitais projetados para manter seu valor atrelado a moedas como o dólar — e tokenização, processo que permite representar determinados ativos digitalmente.
O público inclui profissionais de tecnologia, finanças e negócios, além de desenvolvedores. A empresa também pretende reunir especialistas para ministrar aulas, palestras, workshops e mentorias sobre temas como pagamentos digitais, tokenização de ativos, contratos inteligentes, regulação de criptoativos, segurança e inteligência artificial aplicada aos negócios.
Uma das apostas da startup é usar inteligência artificial dentro da própria plataforma. Batizada de ZAI, a ferramenta terá acesso ao conteúdo das aulas — incluindo vídeo, áudio, slides e materiais complementares — para responder às dúvidas considerando o assunto que o aluno está estudando naquele momento. Segundo a empresa, o sistema também acompanhará a interação do usuário com as aulas para personalizar a experiência.
O modelo de ensino foi dividido pela companhia em três etapas, chamadas de Learn, Build, Earn. Traduzindo o vocabulário da startup, a proposta é fazer o aluno primeiro entender os conceitos, depois aplicá-los em projetos e, por fim, utilizar o conhecimento na carreira ou na criação de negócios.
“A educação é a primeira camada da nova infraestrutura financeira. Não importa o tamanho da plataforma tecnológica ou a sofisticação dos ativos, sem o conhecimento, ninguém sabe operar”, diz Tito Martins, fundador e CEO da Zayra.
A startup foi fundada por Martins, que passou três décadas no mercado financeiro, com experiências em Banco Matrix, Itaú-Unibanco e HSBC. No Itaú-Unibanco, trabalhou na operação da Fininvest e na financeira de veículos do banco.
Ao lado dele estão Claudio Yamaguchi e Daniel Marques. Yamaguchi tem 26 anos de carreira em tecnologia, comportamento e educação e foi um dos fundadores da escola de produtos digitais Tera. Marques é desenvolvedor, trabalha com blockchain desde 2016 e é responsável pela infraestrutura tecnológica da plataforma.
A equipe executiva também inclui Renato Janesch como CFO, com passagens por Citi, DuPont e Magazine Luiza.
A empresa começa agora a ampliar a rede de profissionais que produzirão os cursos. A busca inclui especialistas em blockchain, stablecoins, pagamentos digitais, tokenização, contratos inteligentes, regulação, segurança e custódia de ativos digitais.
A tese da Zayra acompanha um movimento de maior institucionalização dos ativos digitais no Brasil. Desde fevereiro de 2026, estão em vigor regras do Banco Central para empresas que prestam serviços com ativos virtuais, incluindo exigências relacionadas a governança, segurança, controles internos, prevenção à lavagem de dinheiro e relacionamento com clientes.
A tokenização também entrou na agenda do regulador. O BC já afirmou que estuda a necessidade de regras específicas para emissão, registro e negociação de ativos tokenizados e stablecoins. A instituição define tokenização, de maneira simplificada, como a representação digital de ativos em redes baseadas em tecnologias como blockchain.
Esse avanço ajuda a explicar a aposta em capacitação. Além de empresas especializadas em criptoativos, instituições financeiras tradicionais passam a lidar com uma estrutura regulatória específica para o setor.
Em julho deste ano, por exemplo, o BC aprovou novas exigências prudenciais para as sociedades prestadoras de serviços de ativos virtuais, que passarão a observar regras de gerenciamento de riscos e capital a partir de 2027.
“Estou no mercado financeiro há mais de 25 anos e vejo de perto a dificuldade das instituições em encontrar profissionais preparados para operar essa nova infraestrutura digital”, afirma Maniero. “Decidi apostar na Zayra porque a tese é simples e correta: antes de vender tecnologia, é preciso formar quem vai operá-la.”