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Na Daki, de delivery, a nova entrega é um cheque de US$ 50 milhões

Startup de entregas rápidas conclui série C de US$ 50 milhões pouco mais de um ano após conquistar o título de unicórnio

Rodrigo Maroja, Alex Bretzner, Rafael Vasto, fundadores da Daki: rodada série C de US$ 50 milhões tem foco na operação brasileira (Gabriel Reis/Divulgação)

Rodrigo Maroja, Alex Bretzner, Rafael Vasto, fundadores da Daki: rodada série C de US$ 50 milhões tem foco na operação brasileira (Gabriel Reis/Divulgação)

A Daki, startup paulista de delivery, surgiu há exatos dois anos com a proposta de viabilizar entregas rápidas e sem muitas fricções para as tradicionais compras de mercado. Em seu aniversário de fundação, a empresa tem agora um novo motivo para comemorar. Na mesa, além do bolo para o parabéns, está um cheque de 50 milhões de dólares, fruto de uma captação série C concluída nesta sexta-feira, 3.

À frente da rodada estão investidores de longa data da empresa, como os fundos GGV, TriplePoint Capital, G-Squared e Tiger Global — estes dois últimos também participantes da captação série B, em dezembro de 2021, que tornou a Daki em unicórnio.

A rodada também marca a entrada da francesa Pernod Ricard, distribuidora de vinhos e segundo maior grupo de bebidas alcoólicas do mundo, na primeira incursão de um representante da indústria entre os acionistas da companhia.

Sem down round — termo que define a desvalorização de startups em rodadas subsequentes de investimentos a partir de uma nova avaliação de mercado —, a Daki esticou seus múltiplos com a série C. Agora, segundo os fundadores, o valuation da empresa está na casa dos 1,3 bilhão de dólares.

O que faz a Daki

Fundada em janeiro de 2021 por Alex Bretzner, Rafael Vasto e Rodrigo Maroja, a Daki é um mercado digital que faz entregas de itens perecíveis de mercearia, hortifruti e bebidas, além de artigos para a casa, higiene pessoal e até itens para animais de estimação em poucos minutos.

A proposta é unir tudo em uma cadeia logística única, sem intermediários, e assim possibilitar entregas mais ágeis que o usual. A corrida contra o relógio para atender consumidores ávidos pelo imediatismo das entregas (a Daki promete produtos na porta em até 15 minutos) tem como ponto de partida a verticalização.

Na Daki, toda a operação, das aquisições de mercadorias à entrega final, dispensa terceirizações. Tudo começa pelo contato direto com a indústria e chega aos pontos de entrega próprios, por lá apelidados de dark stores — pequenas operações físicas que atuam exclusivamente como centros de armazenagem de estoque e distribuição, com alcance limitado a poucos quilômetros.

Hoje, a Daki faz entregas em São Paulo, Santos, Campinas, ABC Paulista, Osasco, Guarulhos, Rio de Janeiro, Niterói e Belo Horizonte. Fora do Brasil, está no México, Peru e Colômbia, por onde opera sob a marca da controladora JOKR.

A onda de crescimento da Daki

O novo aporte mostra que a Daki tem conseguido driblar as tantas intempéries enfrentadas pelas startups nos últimos meses. Sem mencionar números exatos, a empresa afirma ter multiplicado por cinco a receita no último ano e triplicado a base de clientes, quando comparados os resultados de 2021.

Os indicadores positivos foram suficientes para comprovar a sustentabilidade do negócio e atrair novamente a leva de investidores que apostam no modelo de negócio verticalizado e também no time de fundadores da startup, avalia Rafael Vasto, CEO da Daki. “Posso dizer que esse novo aporte é um misto de passado e futuro. É a exemplificação da satisfação com nossos resultados sólidos e da confiança dos investidores no fato de sermos capazes de liderar a revolução tecnológica que o varejo está prestes a enfrentar”, diz.

Com desvalorizações constantes e rodadas mais escassas mundo afora, a série C dá novo fôlego à estratégia da Daki de focar no mercado latino-americano, em especial o Brasil.

O foco no país de origem tem como premissa a promissora relação “retenção-frequência”, combo típico à cadeia de supermercados. “O Brasil é um mar de oportunidades multimilionárias. Apesar de ser uma das categorias mais relevantes do varejo, os supermercados têm pouquíssima penetração online”, diz Vasto. “Enxergamos a oportunidade de reinventar o setor com agilidade, praticidade, variedade e rapidez”.

Na lista de vantagens da Daki apresentadas com pompa aos investidores está o mérito de ser a startup que ascendeu mais rapidamente ao status de unicórnio no Brasil: foram necessários apenas 10 meses após a fundação.

Além disso, a empresa de delivery ultrarrápido também ostenta margem de contribuição positiva, fator que indica a capacidade de um negócio em pagar seus custos com base no preço cobrado pelos produtos. Trata-se de um indicador com potencial de tirar o sono de muitos empreendedores. “Isso não é mais uma realidade para um determinado número de lojas, mas para todas as operações da Daki globalmente — nos pedidos e nas dark stores”, diz o CEO.

Em busca do equilíbrio

De acordo com Vasto, a finalidade do aporte é a de “cobrir os investimentos necessários para levar a Daki até o breakeven em 2024”. Na prática, isso significa que os recursos devem servir, de maneira integral, para atender ao apetite da empresa de crescer com o pé no chão, alcançando o estágio tão almejado por boa parte das startups novatas e com queima de caixa intensa para escalar nos primeiros anos de vida.

Centralizar os esforços nas praças onde já atua no Brasil faz parte da ambição da empresa de alcançar o equilíbrio entre custos e receita. “A mensagem é de que queremos crescer no Brasil por relevância, sem grandes planos de expansão geográfica. Vamos dobrar a receita em 2023 e isso será só o começo”, diz.

Do lado da tecnologia, a ideia é trazer um novo combo de personalizações e recomendações capazes de melhorar a experiência dos usuários do aplicativo.

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