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Quem é Joseph Safra, o banqueiro mais rico do país (mesmo)

Herdeiro de um clã marcado pela habilidade de multiplicar dinheiro, Safra tem hoje uma fortuna de 15,9 bilhões de dólares

Joseph Safra: banqueiro foi um dos poucos que não teve fortuna reduzida em 2012  (Epitacio Pessoa)

Tatiana Vaz

Publicado em 27 de março de 2013 às 16h55.

São Paulo – Itaú e Bradesco podem ser os maiores bancos do país em varejo, e os mais populares, mas a fortuna de seus donos ainda está longe de alcançar a do banqueiro brasileiro mais rico. Aos 74 anos, Joseph Safra , do Banco Safra, acumula um patrimônio de 15,9 bilhões de dólares – valor que corresponde a pouco menos da metade de todo o patrimônio concentrado na mão dos banqueiros do Brasil, de 34,45 bilhões de dólares.

Na lista de bilionários brasileiros mais ricos, segundo a Forbes, Jorge Paulo Lemann trocou de lugar com Eike Batista na primeira posição, mas nada abalou Joseph do segundo lugar entre os mais ricos do país. Ao contrário da maioria dos outros banqueiros do Brasil, como as herdeiras do fundador do Bradesco e a família Villela, da Itaúsa, Safra não viu sua fortuna reduzida de um ano para o outro. Sua história dá alguns indícios de como ele conquistou tal proeza.

Filho de uma família judia com origem na Síria, José (como gosta de ser chamado) nasceu no Líbano em 1938 e só chegou ao Brasil em 1962 – apenas anos depois se tornou brasileiro naturalizado, motivo pelo qual ele aparece no ranking da Forbes entre os brasileiros. Herdou da família, além do apreço pelo conservadorismo, a habilidade de multiplicar dinheiro.

Banqueiros de berço

Desde o século XIX, o clã Safra é formado por banqueiros, todos judeus halabim, uma das mais renomadas classes mercantis do Oriente Médio de comerciantes e empresários de vários ramos. Os primeiros Safra trocavam dinheiro e forneciam crédito, mas o primeiro banco da família foi aberto em Beirute pelo pai de Joseph, Jacob Safra, na década de 20. Jacob casou-se com Esther, sua prima, e com ela teve oito filhos.

Três deles, Edmond, Joseph e Moise, seguiram a profissão. Naturalizados brasileiros, eles se tornaram, aos poucos, banqueiros de renome internacional, sendo que o primogênito, Edmond, trabalhou no banco do pai desde os 16 anos e vendeu sua parte aos irmãos para abrir outros bancos sozinhos. Acumulou uma fortuna bilionária até ter uma morte trágica, em Mônaco, onde vivia com a esposa Lily Safra (ex-dona do Ponto Frio).

O banqueiro foi morto em um incêndio dentro de sua própria casa, em 1999. A suspeita é de que a tragédia tenha sido provocada por assaltantes, mas até hoje não se sabe ao certo o que teria acontecido.


A morte de Edmond desencadeou a briga entre os outros dois irmãos pela divisão da herança da família. Donos do banco Safra no Brasil, Joseph queria comprar a parte de Moise, mas eles não chegavam a um consenso sobre o valor do negócio. Depois de dois anos, fecharam um acordo: cinco bilhões de reais para Moise e o comando para Joseph.

Na época do impasse, em 2004, eles criaram o J. Safra, que opera nos mesmos setores e oferece serviços aos clientes do Safra. Comandado por Alberto, filho de Joseph, o J. Safra ocupa hoje o lado oposto ao Banco Safra na Avenida Paulista, na cidade de São Paulo. Moise, quatro anos mais velho que o irmão, também aparece na lista, mas com uma fortuna menor, de 2,4 bilhões de dólares.

Paixões e negócios

Os negócios de Joseph prosperam desde então dentro e fora do país (bom negociador, fala inglês, francês, espanhol, italiano, árabe e hebraico). Hoje, segundo a Forbes, seu filho mais velho, Jacó, supervisiona as operações da família banqueira na Europa e nos Estados Unidos. Enquanto isso, seus outros dois filhos, David e Alberto, gerenciam o Banco Safra no Brasil, o sétimo maior do país em ativos, com negócios concentrados em private bank.

Da vida pessoal, pouco se sabe de Joseph. Porém, nas raras entrevistas que concedeu, deixou claro que gosta de levar uma vida simples ao lado da esposa Vicky e dos quatro filhos– e tem outras paixões, além de cuidar do seu banco. O gosto por livros caros e raros, que fazem deles um dos maiores colecionadores de obras do país, é uma delas. A torcida pelo Corinthians é outra. Essa o leva até os estádios com os filhos e uma tropa de seguranças, claro.

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São Paulo – Itaú e Bradesco podem ser os maiores bancos do país em varejo, e os mais populares, mas a fortuna de seus donos ainda está longe de alcançar a do banqueiro brasileiro mais rico. Aos 74 anos, Joseph Safra , do Banco Safra, acumula um patrimônio de 15,9 bilhões de dólares – valor que corresponde a pouco menos da metade de todo o patrimônio concentrado na mão dos banqueiros do Brasil, de 34,45 bilhões de dólares.

Na lista de bilionários brasileiros mais ricos, segundo a Forbes, Jorge Paulo Lemann trocou de lugar com Eike Batista na primeira posição, mas nada abalou Joseph do segundo lugar entre os mais ricos do país. Ao contrário da maioria dos outros banqueiros do Brasil, como as herdeiras do fundador do Bradesco e a família Villela, da Itaúsa, Safra não viu sua fortuna reduzida de um ano para o outro. Sua história dá alguns indícios de como ele conquistou tal proeza.

Filho de uma família judia com origem na Síria, José (como gosta de ser chamado) nasceu no Líbano em 1938 e só chegou ao Brasil em 1962 – apenas anos depois se tornou brasileiro naturalizado, motivo pelo qual ele aparece no ranking da Forbes entre os brasileiros. Herdou da família, além do apreço pelo conservadorismo, a habilidade de multiplicar dinheiro.

Banqueiros de berço

Desde o século XIX, o clã Safra é formado por banqueiros, todos judeus halabim, uma das mais renomadas classes mercantis do Oriente Médio de comerciantes e empresários de vários ramos. Os primeiros Safra trocavam dinheiro e forneciam crédito, mas o primeiro banco da família foi aberto em Beirute pelo pai de Joseph, Jacob Safra, na década de 20. Jacob casou-se com Esther, sua prima, e com ela teve oito filhos.

Três deles, Edmond, Joseph e Moise, seguiram a profissão. Naturalizados brasileiros, eles se tornaram, aos poucos, banqueiros de renome internacional, sendo que o primogênito, Edmond, trabalhou no banco do pai desde os 16 anos e vendeu sua parte aos irmãos para abrir outros bancos sozinhos. Acumulou uma fortuna bilionária até ter uma morte trágica, em Mônaco, onde vivia com a esposa Lily Safra (ex-dona do Ponto Frio).

O banqueiro foi morto em um incêndio dentro de sua própria casa, em 1999. A suspeita é de que a tragédia tenha sido provocada por assaltantes, mas até hoje não se sabe ao certo o que teria acontecido.


A morte de Edmond desencadeou a briga entre os outros dois irmãos pela divisão da herança da família. Donos do banco Safra no Brasil, Joseph queria comprar a parte de Moise, mas eles não chegavam a um consenso sobre o valor do negócio. Depois de dois anos, fecharam um acordo: cinco bilhões de reais para Moise e o comando para Joseph.

Na época do impasse, em 2004, eles criaram o J. Safra, que opera nos mesmos setores e oferece serviços aos clientes do Safra. Comandado por Alberto, filho de Joseph, o J. Safra ocupa hoje o lado oposto ao Banco Safra na Avenida Paulista, na cidade de São Paulo. Moise, quatro anos mais velho que o irmão, também aparece na lista, mas com uma fortuna menor, de 2,4 bilhões de dólares.

Paixões e negócios

Os negócios de Joseph prosperam desde então dentro e fora do país (bom negociador, fala inglês, francês, espanhol, italiano, árabe e hebraico). Hoje, segundo a Forbes, seu filho mais velho, Jacó, supervisiona as operações da família banqueira na Europa e nos Estados Unidos. Enquanto isso, seus outros dois filhos, David e Alberto, gerenciam o Banco Safra no Brasil, o sétimo maior do país em ativos, com negócios concentrados em private bank.

Da vida pessoal, pouco se sabe de Joseph. Porém, nas raras entrevistas que concedeu, deixou claro que gosta de levar uma vida simples ao lado da esposa Vicky e dos quatro filhos– e tem outras paixões, além de cuidar do seu banco. O gosto por livros caros e raros, que fazem deles um dos maiores colecionadores de obras do país, é uma delas. A torcida pelo Corinthians é outra. Essa o leva até os estádios com os filhos e uma tropa de seguranças, claro.

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