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Privatização da Eletrobras está fora do radar da Enel

Em visita ao Brasil, presidente do grupo italiano diz que modelo de venda, que permitira a compra de no máximo 10% da estatal por investidor, é desinteressante para a companhia

Em conversa com jornalistas durante visita ao Brasil, o executivo explicou que o modelo escolhido para a privatização, que limita a participação por investidor a 10% do capital, torna impraticável o investimento para a Enel (SOPA Images/Getty Images)

Em conversa com jornalistas durante visita ao Brasil, o executivo explicou que o modelo escolhido para a privatização, que limita a participação por investidor a 10% do capital, torna impraticável o investimento para a Enel (SOPA Images/Getty Images)

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Agência O Globo

Publicado em 14 de abril de 2022, 18h48.

O CEO global do grupo Enel, Francesco Starace, disse nesta quinta-feira que a empresa italiana não tem interesse na privatização da Eletrobras. O governo trabalha para tentar colocar a estatal à venda ainda este ano.

Em conversa com jornalistas durante visita ao Brasil, o executivo explicou que o modelo escolhido para a privatização, que limita a participação por investidor a 10% do capital, torna impraticável o investimento para a Enel. Segundo Starace, a venda de ativos no setor de energia no país interessa à Enel, contanto que a companhia possa assumir o controle da operação e definir os rumos para o negócio conforme a sua estratégia.

Nas diversas partes do mundo onde está, a Enel está envolvida com a eletrificação das matrizes energéticas. Por isso, em São Paulo Starace e outros executivos no comando de suas operações no país assinaram junto ao prefeito Ricardo Nunes um protocolo de intenções para apoiar a capital no cumprimento de suas metas de redução da emissão de gazes causadores de efeito estufa à metade, até 2030, e a zero, até 2050.

A companhia vai aplicar metade dos 9,8 bilhões de euros em investimentos previstos para a América Latina no país, nos próximos três anos. Os recursos serão voltados à geração de energia renovável e à renovação das redes de distribuição em que opera, como em São Paulo. Somente em geração renovável, o Brasil deve receber 40% dos investimentos dedicados à região, nesse período.

O valor destinado ao país dentro do montante que cabe à região deve crescer paulatinamente nos anos seguintes, até chegar a 70% do investimento total, num horizonte de dez anos. Segundo o CEO executivo, essa evolução se deve ao potencial oferecido pelo país, que vai além do apresentado nos vizinhos.

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