Petrobras deve ter lucro no 2º tri apesar de questões legais e protestos

Resultados que serão divulgados amanhã, 03, virão dois meses depois que a greve de caminhoneiros resultou em subsídio nas vendas de diesel da petroleira

Rio de Janeiro - O aumento nos preços do petróleo deve impulsionar os resultados trimestrais da Petrobras , mas a estatal enfrenta dúvidas sobre o seu futuro, em meio à implantação de um programa governamental de subsídios ao diesel para controlar preços, assim como obstáculos legais e políticos em vendas de ativos.

Os resultados do segundo trimestre da Petrobras, que serão divulgados na sexta-feira, virão apenas dois meses depois que as paralisações nacionais de caminhoneiros contra a alta dos preços do diesel resultaram em subsídio nas vendas do combustível da petroleira e de outras companhias dos setor.

O movimento reanimou preocupações sobre novas intervenções políticas e levou à renúncia de Pedro Parente do cargo de presidente-executivo.

No meio dos protestos, antes mesmo de o governo anunciar o programa de subsídios, a Petrobras reduziu em 10 por cento os preços do diesel, mantendo o valor nas refinarias por 15 dias, estimando uma perda de 350 milhões de reais em receita.

O tumulto aconteceu quando a Petrobras, a empresa de petróleo mais endividada do mundo, parecia deixar para trás anos de corrupção e má administração, tendo o maior lucro desde 2013 e pagando seus primeiros dividendos em três anos no primeiro trimestre.

Esses resultados foram ajudados pelos crescentes preços do petróleo, que deveriam ter alavancado ainda mais a receita da Petrobras no segundo trimestre, disseram analistas.

A empresa deve alcançar um lucro líquido de 1,505 bilhão de dólares no trimestre, de acordo com o consenso de estimativas, um salto na comparação com os 96 milhões de dólares de igual trimestre do ano passado, quando os resultados foram afetados pela adesão da empresa a um programa de regularização tributária.

Entretanto, uma decisão judicial interrompendo as vendas de ativos de estatais sem aprovação do Congresso, meses antes das eleições presidenciais em outubro, significa que talvez a empresa tenha dificuldades de cumprir suas metas de redução de dívida.

Além disso, investidores ainda estão preocupados sobre o que o controle dos preços do diesel representa no balanço da Petrobras.

"A interrogação número um para o relatório de resultados é: em que extensão os cortes nos preços impostos pelo governo encurtaram a lucratividade no segmento downstream", disse Pavel Molchoanov, analista na Raymond James.

As projeções menores para a Petrobras marcam uma grande mudança para a petroleira, que viu os preços de suas ações subirem em maio antes da greve dos caminhoneiros para máximas desde 2010, época que antecedeu a investigação de corrupção desvendada pela operação Lava Jato.

Desde então, a companhia cortou custos, melhorou as regras de governança e diminuiu sua dívida por vendas de ativos, além de ter alinhado os preços dos combustíveis com os mercados internacionais --uma situação interrompida, no caso do diesel, após os protestos de maio.

Porém, em julho, a Petrobras foi forçada a suspender as vendas da sua empresa de gasodutos, a Transportadora Associada de Gás (TAG), que deveria arrecadar cerca de 7 bilhões de dólares, e da fábrica de fertilizantes Araucaria, depois que uma decisão judicial determinou que o Congresso precisa aprovar as vendas.

A decisão jogou uma mortalha sobre vendas planejadas de refinarias, já menos atraentes devido às preocupações surgidas com o programa de subsídios, e gerou dúvidas sobre a capacidade de a companhia de reduzir a dívida líquida de 84 bilhões de dólares.

Parente disse em março que a empresa poderia alcançar a meta de redução de alavancagem neste ano, ou até mesmo ultrapassá-la se os preços do barril de óleo continuassem por volta dos 70 dólares.

As eleições que colocarão um novo presidente à frente do Brasil em janeiro acrescentam ainda mais incertezas, com os principais candidatos muito divididos se deveriam diminuir ou aumentar o papel do governo na estatal.

O impopular atual presidente, Michel Temer, tentou amenizar os temores de intervenção política, prometendo compensar a Petrobras por segurar os preços do diesel com o programa de subsídio.

Porém, a Petrobras ainda não foi reembolsada, e muitos analistas não estão convencidos.

"O fato de que o novo sistema de fixação de preços não conseguiu passar no seu primeiro teste (altos preços do petróleo e fraqueza na moeda) é problemático", disse Allen Good, uma analista da Morningstar.

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