Pearson busca comprador para sistemas de ensino COC e Dom Bosco

Companhia britânica se concentraria em sua operação de escolas de idiomas no país

A Pearson, companhia do setor educacional e origem britânica, tem negociado a venda dos dois sistemas de ensino que opera no Brasil, COC e Dom Bosco. A transação marcaria a saída da empresa do setor de educação básica privado.

A informação foi antecipada pelo jornal Valor Econômico nesta terça-feira, e confirmada pelo O Globo com pessoas do segmento que acompanham as tratativas. No país, a Pearson continuaria com o sistema de ensino Name, voltado para a rede pública de ensino básico, e manteria as marcas de escola de idiomas Wizard, Yázigi e Skill.

Os sistemas COC e Dom Bosco foram compradas pela Pearson em 2010 juntamente com o Name e o sistema da rede Pueri Domus. As marcas foram compradas do grupo SEB, controlado pelo empresário Chaim Zaher. A transação de 888 milhões de reais mais do que dobrava o tamanho da Pearson no Brasil na época. Sete anos mais tarde, o SEB, que manteve a rede de escolas Pueri Domus, recomprou o sistema de ensino homônimo por 20 milhões de reais.

Agora, a Pearson pretende levantar caixa ao se desfazer dos sistemas de ensino locais que não foram internacionalizados e se concentrar no ensino de idiomas.

Segundo a reportagem do Valor Econômico, Cogna (Kroton) e Arco Educação estariam entre as interessadas pelo negócio. Ao O Globo, executivos do segmento afirmam ainda que a Cruzeiro do Sul estaria entre as interessadas pelos ativos. Procuradas, as empresas não se manifestaram.

A Pearson afirmou que não comenta rumores ou especulações de mercado. "Como uma empresa que atende milhões de alunos em todo o mundo, a Pearson está comprometida em tomar as melhores decisões corporativas para garantir que nossos parceiros, professores e alunos continuem tendo acesso à melhor educação possível”, disse em nota.

Para Leonardo Toscano, sócio da consultoria Excelsia, a transação faz sentido para a Pearson em um momento em que a empresa reestrutura seus negócios globalmente.

"O negócio de livros didáticos e sistemas de ensino vive um desafio porque, embora ainda seja rentável, tem futuro incerto com a tendência de uso de tecnologia e personalização do ensino privado no mundo. É uma forma consagrada no país, mas pode ser ultrapassada", diz ele.

Toscano avalia que o negócio poderia render à Pearson entre sete e dez vezes o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) dos sistemas.

Por outro lado, o negócio vale a pena para quem já atua no setor, e pode ampliar sinergias, ou para quem ainda quer entrar no segmento de educação privada de massa. A Cogna, por exemplo, controla a Somos Educação, dona do sistema Anglo.

Os sistemas de ensino, segundo Toscano, têm maior apelo em escolas particulares de menor tíquete médio, que têm vantagem em oferecer a padronização do conteúdo como forma de garantir um piso para a qualidade de ensino.

"É um mercado forte aqui, que ainda gera receita e tem alguma atratividade. Demanda um investimento inicial forte, mas depois monetiza. Os sistemas em geral são adotados por escolas de tíquete médio menor, que conseguem contratar professores mais jovens, sem tanta autonomia para criar conteúdo, e mesmo assim garantir um padrão. Já as escolas de conteúdo personalizado, que são mais caras, não usam os sistemas", afirma.

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