Invest

O prejuízo que fez a Honda dar marcha a ré nos carros elétricos

Honda cancelou projetos de elétricos nos EUA e Canadá após perdas de US$ 10 bilhões no setor

Honda: empresa cortou investimentos em EVs após queda da demanda (KAZUHIRO NOGI / Colaborador/Getty Images)

Honda: empresa cortou investimentos em EVs após queda da demanda (KAZUHIRO NOGI / Colaborador/Getty Images)

Ana Luiza Serrão
Ana Luiza Serrão

Repórter de Invest

Publicado em 18 de maio de 2026 às 07h38.

A Honda está reformulando sua estratégia global depois de registrar o primeiro prejuízo anual desde que abriu capital, em meio à queda da demanda por carros elétricos nos Estados Unidos e à alta concorrência chinesa, como a BYD.

A montadora japonesa teve perdas de US$ 2,7 bilhões no último ano fiscal após registrar cerca de US$ 10 bilhões em baixas relacionadas ao cancelamento de projetos de veículos elétricos na América do Norte.

Entre os projetos estão três modelos elétricos planejados para produção no estado de Ohio e um complexo industrial de US$ 11 bilhões no Canadá voltado à fabricação de baterias, materiais e veículos elétricos (EVs, na sigla em inglês).

A Honda também abandonou o plano de encerrar a produção de carros a combustão até 2040.

A mudança reflete uma virada no mercado, pelo menos nos EUA. A montadora havia acelerado investimentos durante o governo de Joe Biden, quando montadoras projetavam uma expansão rápida da eletrificação por lá.

Com a reversão dessas políticas pela gestão do presidente Donald Trump, o setor perdeu força e várias fabricantes passaram a rever projeções de demanda, segundo informações do Wall Street Journal.

Executivos da Honda estimavam que os elétricos representariam, aproximadamente, 15% das vendas de carros novos nos EUA. Hoje essa participação está bem menor, ficando próxima dos 6%.

Honda teve décadas de estabilidade

A deterioração do cenário atingiu a empresa depois de décadas de estabilidade financeira. A Honda atravessou a recessão de 2008, terremotos no Japão e a pandemia sem registrar perdas anuais relevantes.

Desta vez, porém, a combinação entre investimentos pesados em EVs, pressão tarifária nos EUA e avanço tecnológico de concorrentes chineses colocou a companhia em uma situação inédita.

O CEO da Honda, Toshihiro Mibe, disse que a prioridade agora é conter as perdas rapidamente, e reconheceu que manter os projetos elétricos poderia ampliar os prejuízos da empresa nos próximos anos.

Em vez de insistir em uma expansão acelerada dos EVs, a Honda decidiu voltar a apostar nos híbridos, segmento em que a companhia já teve protagonismo no mercado estadunidense.

A montadora relatou que o plano prevê o lançamento de novos modelos híbridos voltados à América do Norte a partir de 2027, além da expansão da linha global até o fim da década.

Honda sofre com concorrência

A Honda também perdeu competitividade em áreas como software automotivo e direção autônoma, segmentos que ganharam peso na nova corrida global da indústria, principalmente nas empresas chinesas e na Tesla.

Nos últimos anos, a fabricante chegou a buscar apoio externo para acelerar sua presença em elétricos. Um dos principais movimentos foi a parceria com a General Motors para desenvolver o SUV elétrico Prologue.

O modelo figurou entre os EVs mais vendidos dos EUA em 2025, mas perdeu tração neste ano. As vendas acumuladas até abril ficaram abaixo da metade do volume registrado em igual período do ano passado.

Mesmo reduzindo a aposta em elétricos, a Honda afirma que continuará investindo em baterias, software e tecnologias ligadas aos EVs para manter flexibilidade caso o mercado volte a acelerar no futuro.

A companhia também quer ampliar parcerias locais na China para tentar recuperar espaço diante do avanço das montadoras asiáticas no setor, de acordo com informações compiladas pelo Wall Street Journal.

Acompanhe tudo sobre:HondaCarros elétricos

Mais de Invest

Pinterest vai investir US$ 4 bilhões em serviço de nuvem da Amazon

IA e bolsas inflam clube dos milionários e número de ricos bate recorde mundial

O que é o Zelle, o sistema de pagamento instantâneo dos EUA defendido por Eduardo Bolsonaro

Efeito Copa na bolsa: ações sobem no país que vence o torneio, revela estudo