Para construtora Moura Dubeux, agora é a hora de comprar casa própria

Em entrevista à EXAME, o presidente da companhia afirma que a Selic no menor nível da história favorece pessoas físicas

O momento é de isolamento social na maioria das cidades brasileiras e os negócios menos digitais, como o das construtoras, estão sofrendo de forma significativa. Mas para a Moura Dubeux, que atua na região Nordeste, este é um momento propício para quem quer comprar a casa própria.

“Os bancos privados estão com campanhas agressivas de crédito para pessoas físicas e a Caixa tem cumprido seu papel de fomentar o nosso setor”, afirma Diego Villar, presidente da Moura Dubeux em entrevista à EXAME.

Há 37 anos no mercado, a companhia abriu capital na bolsa brasileira B3 no último mês de fevereiro, na esteira da recuperação do setor desde o segundo semestre do ano passado.

Com projetos de médio e alto padrão em Pernambuco, Ceará, Rio Grande do Norte, Bahia e Alagoas, a construtora tem, atualmente, 21 canteiros de obras funcionando. Em Recife e Fortaleza, as obras estão paradas pelas restrições de lockdown e todos os funcionários destas duas capitais foram colocados em férias coletivas.

“Estamos cumprindo rigorosamente as medidas de segurança para os funcionários e, no setor administrativo, colocamos a equipe em home office ou férias coletivas”, diz Villar.

A empresa esperava ter um ano bastante aquecido, com 14 lançamentos. No entanto, diante da pandemia da covid-19, os planos estão sendo revisados. Este número deve ser reduzido consideravelmente.

“Nesse período de lockdown, houve uma queda significativa das vendas no segmento de médio e alto padrão. Nós estamos tentando nos adaptar à nova realidade.”

O executivo acredita que o pilar da confiança está totalmente abalado neste momento, com o medo do desemprego e a diminuição da renda do brasileiro em geral. Porém, ele afirma que a taxa básica de juros Selic em 3,75% – o menor nível da história – contribui para a realização do sonho de quem busca a casa própria e está mais capitalizado.

“Mesmo na crise, os fundamentos que levam à compra do imóvel não mudam, principalmente o enorme déficit habitacional e o crédito barato para a pessoa física”, afirma Villar.

IPO

A Moura Dubeux realizou oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês) no dia 13 de fevereiro e levantou 1,25 bilhão de reais. Segundo Villar, a empresa tem hoje um caixa livre de 150 milhões de reais e recebíveis de 300 milhões para 2020, totalmente desonerados. “É uma posição muito singular”, diz.

Para ele, a companhia tem condições de “segurar os preços” dos imóveis por um tempo, mesmo em um cenário de queda das vendas relatada por construtoras. Apesar disso, a Moura está concedendo descontos de até 20% em algumas unidades prontas e lançou uma campanha que promete a devolução do dinheiro pago (exceto comissão) caso o proprietário venha a perder o emprego em até 120 dias da data da assinatura do contrato.

Segundo Villar, a economia vai entrar em recessão porque as pessoas estão consumindo somente o essencial, entretanto, na sua visão, os preços dos imóveis continuam bons no Nordeste e as condições materiais do mercado se mantêm, com boas oportunidades inclusive de aluguel de sala e de apartamentos.

A vacância é muito baixa em Recife, Salvador e Fortaleza. O segmento empresarial teve um momento de excesso de oferta, mas hoje está totalmente equilibrado”, garante Villar.

Na perspectiva dele, a crise vai levar a uma consolidação “natural” do mercado imobiliário. Algumas empresas devem ficar pelo caminho e haverá menos incorporadoras oferecendo terreno.

“Por isso, a probabilidade de aumento de preço dos terrenos é remota e do incremento do número de incorporadoras, no curto e médio prazo, também. Isso permite que tenhamos uma posição muito boa no mercado”, diz o executivo. 

A mesma crença é compartilhada pela construtora Mitre, que também abriu capital na B3 no início de fevereiro deste ano. A companhia levantou 1,18 bilhão de reais em seu IPO e engrossou, à época, o movimento de euforia no setor da construção.

Embora o tom seja de otimismo, a Moura Dubeux enfrenta como qualquer outra empresa, no país, as intempéries do mercado, em um cenário de profunda retração da economia.

Apenas em março, as negociações na B3 foram interrompidas seis vezes – o chamado circuit breaker – em um sinal de forte estresse do mercado. Nem a Moura nem as outras companhias listadas escaparam do pânico gerado pela conjuntura global.

As ações ordinárias da construtora (com direito a voto) saíram de 19 reais, no IPO, para cerca de 6,99 reais nesta quinta-feira, 23.

Apesar disso, a Moura Dubeux segue confiante. “Não demitimos e não pretendemos demitir até 31 de maio. Confiamos que, no segundo semestre, haverá uma melhora gradual na economia”, diz Villar. “Temos bons projetos para lançar, é claro que os resultados poderiam ser espetaculares, mas acredito que mesmo na crise serão bons.”

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