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'O KPI principal é a venda', diz CEO da Ancar após R$ 19,2 bi em vendas e aquisição

Operadora de shopping centers projeta crescer dois dígitos em 2026. "Quando o lojista vende, não há inadimplência, não há vacância e a relação flui sem fricção”, diz o CEO Evandro Ferrer

Midway Mall: shopping do grupo Guararapes foi comprado pela Ancar  (Leandro Fonseca/Exame)

Midway Mall: shopping do grupo Guararapes foi comprado pela Ancar (Leandro Fonseca/Exame)

Isabela Rovaroto
Isabela Rovaroto

Repórter de Negócios

Publicado em 23 de janeiro de 2026 às 06h00.

Após fechar o último ano com vendas de R$ 19,2 bilhões e ocupação próxima de 97%, a operadora de shopping centers Ancar entra em 2026 com metas ambiciosas. A operadora de shopping centers projeta crescimento de vendas em dois dígitos e reforça sua estratégia de ampliar fluxo e consumo dentro dos empreendimentos. O movimento ganha tração com a aquisição recente do Midway Mall, em Natal, um dos maiores shoppings do Nordeste.

“Estamos projetando crescimento de vendas em dois dígitos em 2026. É uma meta desafiadora, mas a companhia entra no ano organizada e com plano claro de execução”, diz Evandro Ferrer, CEO da Ancar, em entrevista durante a NRF, em Nova York.

A Ancar está presente nas cinco regiões do Brasil e opera 23 shoppings, parte próprios e parte sob gestão. O portfólio concentra empreendimentos de grande porte e relevância regional, com foco em ativos capazes de gerar alto volume de vendas e fluxo constante de consumidores. Entre as principais unidades estão Iguatemi Porto Alegre, Shopping Metrô Itaquera e Shopping Nova América.

O principal movimento recente foi a aquisição do Midway Mall, em Natal. O shopping tem mais de 300 lojas, registra vendas anuais em torno de R$ 1,6 bilhão e está entre os 20 maiores do país. No ano passado, o Midway Mall registrou receita líquida de cerca de R$ 125 milhões e lucro operacional líquido de R$ 123 milhões. A operação passou oficialmente para a Ancar no início de janeiro. Antes, o ativo pertencia a Guararapes, grupo controlador da Riachuelo.

“Foi uma troca silenciosa. O shopping já é muito bom, não exige reposicionamento. O trabalho agora é implementar nosso modelo de gestão e capturar sinergias”, afirma Ferrer.

Venda como centro da estratégia

O desempenho operacional sustenta a confiança da companhia. No último ano, a Ancar registrou vendas totais de R$ 19,2 bilhões, crescimento de 5%. A taxa de ocupação chegou a cerca de 96,5%, avanço de um ponto percentual no período. O EBITDA acompanhou o mesmo ritmo de expansão. Ao longo do ano, a empresa assinou mais de 550 novos contratos com lojistas, em um esforço de renovação de mix e busca por operações com maior produtividade.

A ambição agora é adicionar cerca de R$ 2 bilhões em vendas mantendo os mesmos 23 shoppings. A tese central por trás dessa meta é direta: colocar a venda no centro da estratégia.

“O KPI principal da indústria não pode ser o EBITDA. O KPI principal é a venda. Quando o lojista vende, não há inadimplência, não há vacância e a relação flui sem fricção”, diz Ferrer.

Para ampliar vendas, a Ancar aposta em aumento de fluxo, calendário de eventos, relacionamento próximo com lojistas e gestão ativa do mix. Gastronomia, entretenimento e bem-estar são segmentos que concentram os investimentos. O objetivo é elevar tempo de permanência, recorrência de visita e ticket médio.

No entretenimento, a companhia vem operando espaços proprietários. Um dos destaques é o Junga, parque infantil de arvorismo com cerca de 1.100 metros quadrados, já inaugurado em shoppings no Rio de Janeiro e em Porto Velho. A estratégia é transformar parte da área comum em negócios próprios que geram receita adicional e atraem famílias.

“O shopping é a extensão da casa. Quando você atua em cima da criança, você traz a família inteira. Isso aumenta fluxo e consumo em todo o empreendimento”, afirma o CEO.

Um setor em transição

Para o executivo, a indústria de shopping centers passou por uma transformação estrutural nos últimos anos. A relação deixou de ser apenas B2B, restrita a contratos de locação, e passou a disputar diretamente a atenção do consumidor final. A resposta tem sido investir em experiência, diversificação de mix e uso de dados para orientar decisões comerciais.

No panorama setorial, o Brasil tem hoje cerca de 640 shoppings em operação, mas com pouco apetite para a inauguração de novos shoppings. O foco do mercado está em melhorar ativos existentes, realizar expansões pontuais e movimentar portfólios.

Dentro desse cenário, a Ancar busca se diferenciar pela proximidade com lojistas e execução comercial disciplinada.

“Nosso modelo é baseado em proximidade com lojistas e entendimento do consumidor”, diz Ferrer.

Para 2026, a companhia aposta em um ambiente mais favorável ao consumo, especialmente nos segmentos de renda média, onde concentra grande parte de seus empreendimentos. Com portfólio estabilizado, ocupação elevada e estratégia centrada em vendas, a Ancar busca crescer sem precisar abrir novos shoppings.

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