(ElevenLabs/Divulgação)
Exame Brand Solutions
Publicado em 19 de agosto de 2026 às 17h00.
Última atualização em 19 de agosto de 2026 às 17h08.
Uma voz de inteligência artificial pode pronunciar corretamente todas as palavras e, ainda assim, soar artificial. Em uma operação de atendimento o desafio é ainda maior. É preciso conversar com naturalidade, responder a interrupções, consultar sistemas e resolver demandas a qualquer hora, sem ultrapassar as permissões definidas pela empresa.
A naturalidade da fala está na origem da ElevenLabs. Fundada em 2022 por Mati Staniszewski e Piotr Dąbkowski, a empresa surgiu com foco em inteligência artificial generativa para áudio e desenvolveu modelos de síntese de voz capazes de reproduzir diferentes entonações e formas de falar.
Com o ElevenAgents, leva essa tecnologia ao atendimento corporativo, com vozes que podem ser configuradas de acordo com o público e a identidade de cada marca. Em operações de grande escala, os agentes podem atender vários consumidores ao mesmo tempo, durante 24 horas por dia.
A proposta leva a voz para além dos menus automáticos e a transforma em uma interface entre empresas e consumidores. No varejo, pode ajudar uma pessoa a escolher um produto, acompanhar uma entrega ou solicitar uma troca. Em instituições financeiras, pode assumir atendimentos transacionais dentro das regras estabelecidas pela organização.
O Brasil já tem um comportamento favorável a esse tipo de interação. Os brasileiros enviam quatro vezes mais mensagens de voz pelo WhatsApp do que os usuários de qualquer outro país, segundo dado apresentado por Mark Zuckerberg durante o Meta Conversations, realizado em São Paulo, em 2024. Para as empresas, o próximo passo é transformar esse hábito em conversas capazes de atender, vender e resolver problemas em escala.
“O resultado esperado é uma combinação de maior capacidade operacional, menor tempo de espera e uma experiência mais fluida, sem necessariamente aumentar a estrutura na mesma proporção que o volume de atendimentos”, afirma Eduardo Villalba, head de marketing da ElevenLabs.
No atendimento automatizado tradicional, o consumidor costuma seguir uma sequência definida pela empresa. Escolhe opções em um menu, repete informações e, muitas vezes, precisa esperar até chegar a uma pessoa capaz de resolver o problema.
Com um agente conversacional, a lógica muda. O cliente pode explicar o que precisa com as próprias palavras, interromper uma resposta, acrescentar uma informação ou mudar de assunto sem necessariamente voltar ao início. O agente acompanha a conversa em tempo real e encaminha o contato para a equipe quando a solicitação exige análise humana.
Essa divisão não elimina o trabalho das pessoas. Demandas recorrentes ou transacionais ficam com a tecnologia, enquanto profissionais assumem negociações, exceções e casos que dependem de julgamento. A capacidade de atendimento cresce sem que a estrutura humana precise aumentar na mesma proporção.
No varejo e no e-commerce, o uso começa antes da compra. O agente pode qualificar um interessado, responder dúvidas sobre produtos e ajudar a encontrar uma opção adequada. Depois da venda, pode acompanhar pedidos, orientar trocas e prestar suporte.
O ElevenAgents opera por telefone, web, WhatsApp, SMS e e-mail. Isso permite que a mesma inteligência conversacional apareça em diferentes pontos da jornada, em vez de tratar cada contato como uma interação isolada.
A escala, porém, perde valor quando a conversa continua com aparência de automação. Para reduzir essa distância, a ElevenLabs aposta no que chama de “português de negócios”: vozes que reproduzem com naturalidade o ritmo, a entonação e as variações regionais do idioma.
As empresas podem configurar a forma como o agente se comunica de acordo com seu público, inclusive escolhendo vozes e sotaques regionais. O sistema também precisa compreender diferentes maneiras de falar, expressões e mudanças de assunto para que a resposta não pareça deslocada do restante da conversa.
Esse cuidado não se limita à compreensão da mensagem. A maneira de falar passa a fazer parte da identidade da marca, assim como o vocabulário usado em uma campanha ou o tom adotado nas redes sociais. Em canais de voz, ritmo, sotaque e entonação ajudam a definir como a empresa será reconhecida pelo consumidor.
Uma voz natural, no entanto, não resolve o atendimento sozinha. Se o agente não consegue consultar o pedido, acessar o histórico ou executar uma ação, a conversa pode soar humana e terminar sem uma resposta útil. É a conexão com os sistemas da empresa que transforma a voz em uma ferramenta operacional.
“O objetivo não é automatizar por automatizar, mas gerar uma melhoria mensurável para o negócio e para o consumidor”, diz Villalba.
O ElevenAgents tem integrações com sistemas como Salesforce, Zendesk, HubSpot, Stripe e Twilio, além de interfaces de programação e kits de desenvolvimento para conexões personalizadas.
A empresa pode manter o CRM, a estrutura de atendimento e os sistemas que já utiliza, acrescentando uma camada capaz de conversar com o cliente e executar ações autorizadas.
A plataforma conta com as certificações SOC 2 Type II, ISO 27001 e PCI DSS Level 1, além de atestados relacionados a HIPAA e GDPR. Entre os controles disponíveis está o Zero Retention Mode, configuração que permite não armazenar os dados das conversas.
No Brasil, permissões e tratamento de informações também precisam ser configurados de acordo com a LGPD e as políticas de cada empresa.
As empresas também podem simular situações antes da implantação, determinar o que o agente pode ou não fazer e acompanhar métricas depois que ele entra em funcionamento. A governança serve tanto para proteger informações quanto para impedir que a IA tome decisões fora das políticas estabelecidas.
Esses controles ganham peso em jornadas financeiras, que envolvem dados sensíveis e ações ligadas à conta do cliente. No varejo, protegem informações de compra e uma relação que pode levar anos para ser construída.
A naturalidade da voz pode ser o que faz o consumidor permanecer na conversa. Mas, segundo a ElevenLabs, no atendimento corporativo, isso é só o começo. “Para funcionar de verdade, o agente precisa acessar as informações certas, executar as ações permitidas e encaminhar para uma pessoa o que exige análise ou decisão. É essa combinação entre conversa, integração e controle que define o espaço que a tecnologia pode ocupar dentro da operação”, diz Villalba.