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Memorando sobre higiene pessoal complica venda do HSBC

Os potenciais compradores estão pedindo um desconto devido futuras demissões de funcionários, e um memorando sobre higiene pessoal também não ajuda muito nisso

Banho: em memorando interno, o HSBC lembrou sua equipe que "os funcionários precisam tomar banho e escovar os dentes” (Thinkstock/Thinkstock)

Banho: em memorando interno, o HSBC lembrou sua equipe que "os funcionários precisam tomar banho e escovar os dentes” (Thinkstock/Thinkstock)

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Da Redação

Publicado em 19 de maio de 2015 às 18h11.

São Paulo - Os potenciais compradores da unidade deficitária do HSBC Holdings Plc no Brasil estão pedindo um desconto de preço para comprar o banco por causa do alto custo com demissões de funcionários que possivelmente serão necessárias.

Um memorando interno do banco a respeito da higiene pessoal de seus empregados também não está ajudando.

Com 20.488 funcionários no Brasil no fim de dezembro, o HSBC, com sede em Londres, tem o maior número de trabalhadores por ativo do que qualquer outro banco privado no País.

Esse total terá que cair após a possível venda, deixando para o comprador a tarefa de lidar com os altos custos trabalhistas brasileiros, disseram as fontes, que pediram anonimato porque as negociações são privadas.

“Demitir pessoal no Brasil é muito caro por causa das indenizações obrigatórias que aumentam a cada ano que o funcionário fica na empresa”, disse Vilma Kutomi, advogada para assuntos trabalhistas e de emprego da Mattos Filho, Veiga Filho, Marrey Jr. Quiroga Advogados, em entrevista por telefone, de São Paulo. Kutomi não está envolvida em ações contra o HSBC.

Somam-se a essas despesas ações trabalhistas que dizem que o HSBC se envolveu demais na vida pessoal dos trabalhadores. Entre essas está uma ação dos sindicatos e uma outra do Ministério Público do Trabalho do Paraná.

“Os funcionários precisam tomar banho e escovar os dentes”, lembrou o banco à sua equipe, em um memorando interno, o que acabou sendo usado em pelo menos um processo, segundo Elias Jordão, presidente do Sindicato dos Bancários de Curitiba e Região, que está envolvido em ações contra o HSBC.

Provisão para processos

O HSBC tem provisões de quase R$ 600 milhões para cobrir despesas com ações trabalhistas no Brasil, uma quantia que os possíveis compradores acham que pode ser insuficiente, segundo as fontes.

Heidi Ashley, porta-voz do banco em Londres, preferiu não comentar sobre o processo de venda ou o relacionamento do banco com seus funcionários no Brasil.

O HSBC é o sétimo maior banco do País em ativos.

“Os trabalhadores usaram essas diretrizes de cuidar melhor da higiene e escovar os dentes em ações individuais e o departamento jurídico do nosso sindicato lembra aos funcionários que deixam o banco que eles podem entrar com processo por danos morais contra a empresa'' usando esse episódio, disse Jordão, em entrevista por telefone, de Maringá.

Ofertante preferencial

O HSBC vai selecionar provavelmente ainda em junho uma oferta pela unidade, que pode sair por cerca de US$ 4 bilhões, duas fontes com conhecimento do plano disseram no início deste mês.

Entre os interessados na operação estão o Banco Bradesco SA e o canadense Bank of Nova Scotia, segundo as fontes.

O Banco Santander Brasil SA está estudando o ativo, Jesus Zabalza, presidente da unidade brasileira do maior banco espanhol, disse a jornalistas em São Paulo terça-feira.

Representantes do Bradesco e do Scotiabank não quiseram comentar sobre as negociações com o HSBC.

Depois de tentar demitir cerca de 800 trabalhadores no Brasil no ano passado, o HSBC fechou um acordo para estender os convênios médicos dos trabalhadores demitidos e aumentar as indenizações, disse Nasser Ahmad Allan, advogado da Declatra em Curitiba, que representa alguns funcionários do HSBC em ações trabalhistas.

O acordo foi fechado depois que o Ministério Público do Trabalho do Paraná recomendou a suspensão das demissões, disse ele, em entrevista por telefone, na semana passada.

A Justiça do trabalho do Paraná disse em setembro que o HSBC precisará pagar R$ 2 milhões por espionar funcionários.

De acordo com a ação movida pelo Ministério Público do Trabalho do Paraná, o banco contratou uma empresa privada de espionagem para investigar 152 funcionários em licença médica entre 1999 e 2003.

Os investigadores chegaram a entrar sem permissão nas casas de alguns funcionários para filmar e tirar fotos, segundo a sentença.

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