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Quem é a marca chinesa que pode comprar fábrica da Mercedes-Benz no Brasil

Para Anderson Suzuki, diretor da Great Wall Motors, mercado brasileiro deve voltar a 3 milhões de vendas em dois anos

A chinesa Great Wall Motors pode ser desconhecida para brasileiros, mas é um dos maiores fabricantes de automóveis no país de origem. E nosso mercado está na mira há uma década. Só que, agora, o grupo (com quatro submarcas) parece realmente disposto a concretizar esse casamento com nosso mercado — a ponto de especularem a compra da fábrica desativada da Mercedes-Benz.

E a EXAME entrevistou Anderson Suzuki, diretor de planejamento de produto para América Central e do Sul, que é responsável pelo projeto de implementação da empresa no Brasil. De tão avançados os planos para o mercado nacional, há mais de um ano já está registrada a patente do Haval H6, SUV com porte de Volkswagen Tiguan Allspace, no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI).

Anderson Suzuki, diretor de planejamento de produto para América Central e do Sul da Great Wall Motors Anderson Suzuki: "O 'custo Brasil' tira a competitividade da nossa indústria"

Anderson Suzuki: "O 'custo Brasil' tira a competitividade da nossa indústria" (Anderson Suzuki/Acervo pessoal)

Quais são os planos da Great Wall Motors para o Brasil?

“A Great Wall Motors tem um plano de globalização e internacionalização da marca. Estamos analisando varias regiões e a América do Sul é uma delas, com foco em Brasil e Argentina.

No momento, o que posso falar é que estamos fazendo a análise de estudos e, se tudo correr bem, poderemos ter novidades em breve. Mas realmente é um mercado importante para a empresa”.

Por que a empresa decidiu investir agora no país?

“Essa decisão ainda não foi tomada. Estamos analisando as possibilidades, como questões de mercado e rentabilidade, além de todos os assessment [relatórios].

Mas, claro, se a equação for positiva, tomaremos a decisão. Mas continua em jogo, porque estamos analisando Brasil, Argentina e todos os mercados em potencial na região da América do Sul”.

Quais são as previsões da Great Wall Motors para nosso mercado, em termos de volume, crescimento e potencial de faturamento?

“Essas análises estão sendo feitas agora, mas, o que enxergamos em relação ao potencial, é que o mercado brasileiro é um dos mais importantes, entre sexto e oitavo em produção e vendas.

Então, realmente acreditamos no potencial do mercado e que deverá voltar ao patamar de 3 milhões de emplacamentos nos próximos dois anos. Por isso o interesse”.

Já se fala na chegada da marca há quase uma década. Por que demorou tanto tempo para vir?

“Porque a Great Wall decidiu pelo plano de internacionalização mais forte nos últimos dois a três anos e, desde então, inauguramos uma fábrica completamente nova na Rússia e acabamos de abrir outra unidade na Tailândia. Também estamos prestes a finalizar um investimento na Índia.

Esse movimento forte de globalização é recente. Mas a empresa já analisa o mercado brasileiro desde 2010. De lá para cá, veio o Inovar Auto [programa de incentivo à produção local e sobretaxa de veículos importados] e demos uma segurada.

Testamos a atratividade dos nossos modelos no Salão do Automóvel de São Paulo em 2014. Mas, desde então, não tínhamos encontrado uma solução ideal para nossa entrada e, agora, vemos uma situação que poderá ser positiva”.

Haval H6 no registro de patente do INPI Haval H6: SUV com porte de VW Tiguan já está registrado no Brasil

Haval H6: SUV com porte de VW Tiguan já está registrado no Brasil (Inpi/Reprodução)

Quais são as principais dificuldades para operar no Brasil?

“Mercado brasileiro não é simples. Existe uma estrutura tributária complicada e antiga, que não facilita as trocas com outros mercados, além de ser muito fechado com acordos de livre comércio. É uma situação muito atípica e exige muito conhecimento para viabilizar a operação.

Como obstáculo, posso citar o ‘custo Brasil’, com todos problemas logísticos e tributários. E até mesmo as guerras fiscais que beneficiam uns em detrimento de outros. São várias situações que tornam a operação no país seja um desafio bem pesado.

Se pensarmos em termos de mercado externo, nossa estrutura de custo é mais alta que em outros países da América Latina, por exemplo, o México, que tem competitividade maior. Então, pensando em exportação, também é um problema, porque o ‘custo Brasil’ tira a competitividade da nossa indústria.

Mas, independentemente dessas dificuldades, a ideia é passar por cima disso e achar uma equação positiva”.

Quais são as possibilidades previstas para a operação no país? Deve vir como importador ou fabricante?

“Essa questão é bastante estratégica e o que posso dizer é que estamos analisando vários cenários. Lógico que a importação é sempre a maneira mais rápida de entrar no mercado. Para fabricação local, estamos fazendo nossas análises, mas sabemos que, para ter uma presença importante no mercado brasileiro, a nacionalização é fundamental.

O que posso dizer é que estamos analisando vários cenários nos quais tentamos encontrar as melhores respostas de timing. Começar eventualmente como importador e começar a produção local em um segundo momento. Mas estamos trabalhando neste momento para tomar a decisão nos próximos meses até, no máximo, ano que vem”.

Algo a ser dito em relação aos boatos de compra da fábrica que era da Mercedes-Benz no Brasil?

“Eu prefiro não comentar a respeito dessas especulações, mas, o que posso dizer, é que estamos analisando várias possibilidades. Desde a importação, como opção mais rápida, até produção local. Levamos em consideração tanto o cenário greenfield, começando do zero, como o cenário brownfield.

Mas, lógico, sabemos que algumas fábricas encerraram as produções entre o fim do ano passado e o começo deste ano, com a Mercedes-Benz sendo uma delas. Mas não vou comentar especificamente a respeito deles, mas estamos analisando as possibilidades brownfield no Brasil e na região”.

Em relação ao governo, existe alguma discussão para incentivos?

“Essa também é uma área que não posso comentar ainda, mas a Great Wall Motors sempre procura a melhor estrutura de produção, de custo, visando sempre atender a expectativa de qualidade, confiabilidade e valor esperado pelos nossos clientes no mundo inteiro.

Então, não seria diferente no Brasil. Claro que sempre respeitando as legislações do país e isso, com certeza, é uma das maneiras para se manter competitivo”.

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