Publicado em 6 de janeiro de 2026 às 08h12.
Crescer é o objetivo de muitos empreendedores. Sustentar esse crescimento, porém, exige clareza sobre posicionamento, modelo de negócio e consistência na execução.
No novo episódio do Choque de Gestão, reality show da EXAME, o Nosso Açaí, rede fundada pelo casal Ana Paula e Sérgio Bezerra, em Santo André (SP), busca respostas para dar o próximo passo após mais de uma década de operação.
A marca soma cerca de dez unidades, passou por mudanças importantes desde a pandemia e agora enfrenta um mercado mais competitivo. Para ajudar nessa jornada, o convidado é João Branco, ex-CMO do McDonald’s.
Criado em 2014, o Nosso Açaí nasceu da experiência de Sérgio no varejo e da formação técnica de Ana Paula em administração e contabilidade.
A primeira loja rapidamente ganhou tração, abriu caminho para novas unidades e levou o casal a testar diferentes formatos de expansão. No atual, há lojas próprias e outras num modelo de licenciamento.
Hoje, o desafio é crescer sem perder a essência que conquistou clientes desde a primeira colherada.
Ao analisar o negócio, João Branco chama atenção para a construção de marca.
Para ele, força de marca não vem apenas de campanhas ou visibilidade pontual.
“Construir uma marca mais forte não é uma questão de quanto vocês anunciam”, afirma. O que sustenta o crescimento ao longo do tempo, segundo ele, é consistência. “Marca forte se constrói deixando marcas na vida dos clientes”, diz.
Dentro da loja, o especialista observa a presença de várias mensagens positivas, como produto natural, variedade e negócio familiar. O problema, explica, é a dispersão.
“Quando vocês têm um orçamento de marketing bem peque nininho, vocês precisam escolher um diferencial”, aconselha. Em um mercado saturado, o consumidor precisa identificar rapidamente o que torna aquela marca única. “Tem um monte de açaí, mas tem o Nosso Açaí”.
A conversa avança para o plano de expansão. João Branco reforça que crescimento exige modelo claro e replicável. “Franqueado não quer um amigo. Ele quer alguém que ensine ele a ganhar dinheiro”, afirma.
Relação próxima é importante, mas não substitui processo, padrão e rentabilidade. “Linguagem de amor de franqueado é lucro”.
Os números também entram no centro da análise. Ao avaliar dados de vendas por loja e por canal, João destaca a importância de olhar para métricas com atenção. “Tem um outro tesouro também nos números”, diz, ao mostrar como informações bem organizadas ajudam a entender se o modelo está saudável e pronto para escalar.
Ao final do episódio, o diagnóstico deixa lições que vão além do setor de alimentação. Marcas fortes não se constroem apenas com boas intenções, mas com escolhas claras, consistência e um modelo econômico que funcione para todos os envolvidos.
Para o Nosso Açaí, o próximo passo é transformar esses aprendizados em decisões práticas e preparar a empresa para crescer com identidade, padrão e rentabilidade.