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JWM cresce ao deixar de vender apenas transporte e assumir mais etapas da logística

Há 30 anos no mercado, empresa aposta na integração logística para crescer junto a grandes indústrias

 (JWM Logística/Divulgação)

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Exame Brand Solutions
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Publicado em 27 de agosto de 2026 às 15h26.

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Em 2025, a JWM Soluções Logísticas movimentou cerca de R$ 40 bilhões em mercadorias. Aos 30 anos, a empresa, que nasceu em Guarulhos como transportadora, busca ampliar seu papel na cadeia logística, participando também do planejamento das operações de seus clientes.

A estratégia combina transporte, armazenagem, planejamento e tecnologia em uma mesma operação, sobretudo em setores nos quais a logística tem impacto direto sobre a produção.

“Não recebemos uma demanda de transporte pronta e a executamos; entramos antes, para entender a operação e a necessidade de cada cliente e construir a solução junto com ele”, afirma Ygor Marinelli, CFO da JWM Soluções Logísticas. “É por isso que costumamos dizer que queremos ser uma extensão do negócio do cliente, e não um fornecedor na ponta final da cadeia.”

A expansão levou a companhia ao ranking Negócios em Expansão (NEEX) 2026, da EXAME, em uma fase na qual crescimento e estrutura de gestão caminham juntos.

“Somos uma empresa familiar, mas que vem investindo cada vez mais em governança, profissionalização da gestão e desenvolvimento de lideranças justamente para que a JWM seja maior do que qualquer geração que esteja à frente dela”, diz Marinelli.

O que muda quando a logística entra antes

Em uma contratação convencional, o transportador recebe informações como origem, destino, prazo e preço e, a partir daí, executa o serviço. A proposta da JWM é participar de uma etapa anterior, entendendo como funciona a produção do cliente, as características da carga, os prazos e a forma como as diferentes etapas da logística podem trabalhar juntas.

“Na prática, a diferença aparece em quantas conversas a gente participa antes de a carga se mover”, afirma Marinelli.

Em uma indústria, esse trabalho pode envolver desde a fabricação do produto até a definição da embalagem, a estratégia fiscal, a armazenagem, a escolha do veículo, o desenho das rotas e a integração dos sistemas que acompanham a operação. O objetivo é avaliar a cadeia de forma integrada, em vez de tratar cada etapa isoladamente.

"Queremos ser uma extensão do negócio do cliente, e não um fornecedor na ponta final da cadeia"Ygor Marinelli, CFO da JWM Soluções Logísticas

Isso também muda a conta que o cliente faz. Um frete mais barato pode deixar de ser vantajoso quando vem acompanhado de atrasos, retrabalho, falhas de comunicação ou falta de previsibilidade.

“Os clientes mais estratégicos passaram a olhar para o custo total da operação, previsibilidade, qualidade, segurança e capacidade de resposta e não somente para o menor preço de frete”, afirma o executivo.

 A contratação pontual continua fazendo sentido em determinadas situações. O desafio, segundo Marinelli, é quando uma necessidade recorrente da indústria é tratada sempre como uma compra isolada. “Ao economizar pontualmente no frete, a empresa pode estar abrindo mão de eficiência e de vantagem competitiva no médio e longo prazo.”

Antes da carga sair, a operação é revisada

Para operações mais complexas, a JWM criou internamente o conceito de “leitura de operação”, uma checagem feita pouco antes da movimentação da carga para confirmar se o planejamento continua válido.

A equipe revisa documentação, veículo, motorista, horários, características da carga, condições da rota e comunicação com o cliente. A ideia é identificar alterações que possam comprometer a execução, como mudança na janela de carregamento, documento pendente ou alguma condição diferente no trajeto.

“Planejar bem é fundamental, mas confirmar o planejamento no momento certo é o que protege a execução”, afirma Marinelli.

O procedimento ganha importância no transporte de produtos perigosos e de cargas indivisíveis, que exigem planejamento específico para circular pelas rodovias.

No caso dos produtos perigosos, a empresa revisa documentos, condições do veículo, preparação da equipe, rota, comunicação e planos de emergência. A JWM informa que seus sistemas de gestão são certificados pelas normas ISO 9001, ISO 14001 e ISO 45001 e que mantém um plano de emergência formalizado, com apoio de uma empresa especializada.

Nas cargas indivisíveis, o planejamento considera restrições das estradas, horários, interferências no trânsito, autorizações e infraestrutura. Nesse cenário, a rota mais curta nem sempre é a mais adequada. “Quanto maior a complexidade, menor o espaço para improviso”, diz Marinelli.

Tecnologia para conectar quem participa da operação

A tecnologia entra como consequência desse desenho operacional. A JWM utiliza sistemas já consolidados no mercado e desenvolveu o JWMLog, plataforma própria para integrar informações de seus clientes.

Antes de criar uma ferramenta, a companhia procura entender como uma informação nasce, por quais áreas passa, onde ocorrem retrabalhos e quais decisões precisam ser tomadas. “Por isso costumo dizer que o JWMLog é a materialização de um processo desenhado antes”, afirma Marinelli.

A plataforma conecta áreas como expedição, fiscal, financeiro, planejamento e operação, permitindo que diferentes equipes trabalhem a partir das mesmas informações e reduzindo a dependência de controles paralelos e trocas manuais.

A inteligência artificial aparece como próximo passo. A JWM afirma que está incorporando a tecnologia dentro de seus parâmetros de segurança da informação e das obrigações de confidencialidade com os clientes. A intenção é avançar de sistemas que registram e integram informações para ferramentas capazes de antecipar desvios e apoiar decisões.

“O diferencial não está em possuir uma tecnologia proprietária. Está em saber quais problemas precisam ser resolvidos antes de escrever a primeira linha de código”, afirma o CFO.

Jundiaí concentra o próximo investimento

A expansão também exige espaço físico. O principal investimento em curso da JWM é a ampliação de sua estrutura em Jundiaí, no interior de São Paulo. O projeto terá 135 mil metros quadrados de área total, sendo 35 mil metros quadrados destinados à armazenagem. A localização foi escolhida pela proximidade com corredores logísticos e com o aeroporto de Viracopos, em Campinas.

A empresa também mantém investimentos em tecnologia própria, inteligência artificial, frota mais sustentável e novas filiais. Formação e atração de pessoas estão entre as prioridades, assim como a busca por referências de gestão e inovação no Brasil e no exterior.

A estratégia combina estruturas próprias com parceiros que seguem os mesmos padrões de qualidade, segurança e propósito. Segundo Marinelli, o modelo permite crescer perto dos clientes sem imobilizar capital a cada nova operação.

Aos 30 anos, a JWM busca ampliar o negócio sem depender de um único setor ou ciclo econômico, preservando a capacidade de adaptação que considera necessária para atravessar diferentes momentos do mercado.

Para os próximos cinco anos, a ambição é ampliar ainda mais o papel desempenhado pela empresa na operação de seus clientes.

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