Pague Menos: companhia chega a R$ 234 milhões de captura de sinergias, 90% do total projetado (Pague Menos/Divulgação)
Repórter de Negócios
Publicado em 27 de agosto de 2026 às 13h34.
Em 1981, uma farmácia no bairro Ellery, em Fortaleza, começou a fazer algo que nenhuma concorrente fazia: deixar o cliente pagar a conta de luz no mesmo caixa do remédio.
Quarenta e cinco anos depois, a Pague Menos faturou 16 bilhões de reais e é a maior varejista do Ceará — e a 18ª do Brasil.
O estado é o que mais colocou empresas do Nordeste no ranking TOP 300 do Varejo Brasileiro, do Instituto Retail Think Tank (IRTT), levantamento anual que ordena as maiores redes do país por faturamento.
Tirando a líder, o varejo cearense da lista é feito de redes de porte médio e alcance local. Sete das dez maiores operam exclusivamente dentro do estado, e a maioria fatura entre 600 milhões e 2 bilhões de reais. Oito das 13 atuam em supermercados, hipermercados ou atacarejo.
A Pague Menos faturou 16 bilhões de reais em 2025, alta de 18% — mais que o dobro do crescimento médio das TOP 300.
A rede é uma das 38 companhias brasileiras presentes em todas as 27 unidades da federação, com 1.689 lojas. É também a maior varejista do Nordeste no segmento de drogarias e perfumarias, que responde por 14,9% das vendas das 300 maiores, o segundo maior setor do ranking.
O ritmo do setor farmacêutico é um dos destaques do estudo. As redes de drogarias vêm crescendo acima da média do varejo e ampliando o mix de produtos para além do medicamento, em direção a um posicionamento de saúde e bem-estar.
Francisco Deusmar de Queirós trabalhava no mercado financeiro no fim dos anos 1970 quando conheceu, em viagens aos Estados Unidos, o modelo das drugstores americanas — farmácias que vendem de remédio a comida. Em 19 de maio de 1981, abriu a primeira Pague Menos no Ellery, bairro simples de Fortaleza.
Ele nasceu em Amontada, no interior do Ceará, e começou vendendo frutas na rua ainda criança, em 1955. Depois foi balconista na mercearia do pai, entrou na IBM do Brasil em 1966 e migrou para o mercado financeiro. É economista de formação e deu aula na Unifor nos anos 1980.
A aposta inicial foi preço baixo para a baixa renda do Nordeste, combinada a um serviço que ninguém oferecia num balcão de farmácia: o pagamento de contas de luz e água no mesmo caixa do medicamento.
A expansão nacional veio devagar. Só em 2013 a rede se tornou a primeira do varejo farmacêutico a ter loja em todos os estados brasileiros. O IPO, oferta pública inicial de ações, saiu em setembro de 2020, na B3.