Jean Paul Vieira, da Senior, durante o EXAME Talks: tecnologia sob demanda para empresas brasileiras (SENIOR SISTEMAS/Divulgação)
EXAME Solutions
Publicado em 9 de dezembro de 2025 às 13h29.
O EXAME Talks reuniu, na última quinta-feira (4), lideranças de grandes empresas em um encontro oferecido pela Senior Sistemas, uma das líderes em ERP no país, para discutir projeções para 2026 e o impacto da tecnologia na produtividade e na eficiência operacional das organizações.
O debate trouxe uma visão integrada sobre economia, tecnologia e gestão. O painel contou com Luciano Pádua, editor de Macroeconomia da EXAME; André Lopes, editor de IA; e Jean Paul Vieira, diretor-executivo de Marketing e Produto da Senior.
O objetivo foi debater o cenário fiscal brasileiro, os desafios de implementação da IA e as aplicações práticas que começam a ganhar escala no país.
Pádua explicou que, há pelo menos dez anos, o Brasil discute repetidamente a necessidade de organizar melhor as contas públicas — o chamado ajuste fiscal. Ele lembrou que há expectativa de que o governo consiga cumprir a meta nos próximos anos, com um déficit primário muito pequeno, de cerca de 0,25% do PIB, o que significa que o país deve gastar um pouco mais do que arrecada.
Ainda assim, o ambiente continua pressionado porque grande parte do orçamento é obrigatória, deixando pouco espaço para o governo decidir onde pode ou não gastar.
Com a inflação recuando e se aproximando da meta de 3%, Pádua avaliou que há espaço para o avanço do ciclo de redução dos juros, que ainda permanecem em patamar elevado. A atividade econômica, no entanto, deve continuar moderada.
Transformação digital: uso estratégico da IA promete aumentar a eficiência em meio a desafios econômicos. (SENIOR SISTEMAS/Divulgação)
“Estamos há mais de dez anos presos ao mesmo debate fiscal, discutindo espaço no orçamento e limites do gasto. Mesmo com a inflação cedendo e abrindo caminho para a queda dos juros, a economia segue funcionando sob aperto”, destacou Pádua.
O editor de Macroeconomia da EXAME chamou atenção para 2027, quando o avanço automático das despesas — especialmente a indexação ao salário mínimo — deve reduzir drasticamente o espaço para gastos discricionários, como é chamada a verba que o governo pode decidir onde usar. “O governo deve chegar a 2027 com muito pouco para gastar. Seja qual for o próximo governo, haverá necessidade de um novo ajuste fiscal”, diz Pádua.
André Lopes, editor de IA da EXAME, explicou que o Brasil historicamente ocupa o papel de consumidor de tecnologias criadas no exterior. Esse padrão limita o país, que ainda não conseguiu transformar sua reconhecida criatividade em protagonismo tecnológico.
Ele destacou que a chegada da IA generativa — com soluções como copilotos e, mais recentemente, agentes inteligentes — abre uma janela real de virada. Isso porque essas tecnologias surgem simultaneamente no mundo todo, o que reduz a distância entre países desenvolvidos e emergentes. “Por anos, a gente experimentou um cenário de Brasil consumidor de tecnologias. A gente tem uma dificuldade de colocar o país numa posição de produtor”, disse Lopes.
Apesar da oportunidade, o editor de IA da EXAME reforçou que o avanço depende de investimento consistente em governança, estrutura e preparação de dados, condições essenciais para que o país deixe de apenas adotar tecnologias e passe a desenvolver soluções próprias.
Nesse contexto, empresas como a Senior Sistemas ganham destaque ao ampliar a criação de tecnologias produzidas no Brasil e adaptadas à realidade regulatória, fiscal e operacional das organizações nacionais — um passo essencial para reduzir a dependência de soluções externas. A evolução da IA abre espaço para que o Brasil avance com soluções próprias.
Diretor-executivo de Marketing e Produto da Senior, Jean Paul Vieira trouxe ao debate a perspectiva de quem desenvolve tecnologia sob demanda para empresas brasileiras. Ele destacou que a nova geração de IA corporativa se apoia em agentes inteligentes capazes de atuar em processos complexos, analisar grandes volumes de dados e apoiar decisões de negócio — mas que isso exige novos modelos de governança.
Governança, segurança e ética tornam-se rapidamente parte central de qualquer projeto. “Dentro da organização, qualquer usuário pode acessar tudo o que está dentro do modelo? Não. Essa é a primeira questão que aparece.”
Vieira citou o caso de agentes de RH que, nos testes iniciais, respondiam questões demais, o que levou a Senior a criar diferentes camadas de controle, como:
● whitelist: o agente só responde aos temas autorizados.
● blacklist: responde a tudo, exceto aos temas bloqueados.
Essas regras permitem adaptar a IA ao dia a dia das empresas sem expor dados sensíveis. Vieira destacou ainda o agente de RH desenvolvido pela Senior, que elabora PDIs completos e personalizados. “É incrível a capacidade que um agente de RH tem de dar contribuições fantásticas, alinhadas ao contexto, aos desafios e ao profissional”, afirma.
Para mostrar como a IA apoia áreas críticas além da gestão de pessoas, Vieira apresentou o agente da reforma tributária desenvolvido pela Senior. A solução avalia fornecedores, créditos atuais e simula o impacto das mudanças previstas para 2026, indicando opções eficientes e permitindo que as empresas se antecipem a um dos maiores desafios regulatórios da década.
A tecnologia, segundo Vieira, deve ajudar a organização a atravessar ciclos complexos sem perder competitividade.
O EXAME Talks terminou com a reflexão de que os próximos anos devem combinar volatilidade econômica, pressão fiscal e aceleração tecnológica. Nesse contexto, companhias que estruturarem dados, adotarem IA com governança clara e compreenderem a dinâmica macroeconômica tendem a atravessar 2026 com mais resiliência.
