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Blau cresce no lucro e aposta em remédio contra câncer para avançar em 2026

Farmacêutica teve lucro de 297 milhões de reais e investe em biotecnologia e produção para destravar crescimento

Marcelo Hahn, da Blau: “Preferimos investir em projetos complexos, onde já estamos há anos, em vez de entrar em mercados onde chegaríamos atrasados” (Leandro Fonseca/Exame)

Marcelo Hahn, da Blau: “Preferimos investir em projetos complexos, onde já estamos há anos, em vez de entrar em mercados onde chegaríamos atrasados” (Leandro Fonseca/Exame)

Leo Branco
Leo Branco

Editor de Negócios e Carreira

Publicado em 18 de março de 2026 às 15h55.

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Poucas farmacêuticas brasileiras atuam no desenvolvimento local de medicamentos complexos. Em um mercado dominado por multinacionais, a produção nacional ainda é limitada em áreas como biotecnologia e oncologia.

A Blau Farmacêutica, fundada há 38 anos por Marcelo Hahn, atua justamente nesse nicho. A companhia tem foco no mercado hospitalar, com produção de medicamentos injetáveis de alta complexidade para doenças crônicas, especialmente câncer.

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Os resultados de 2025 mostram uma empresa em transição. A receita líquida foi de 1,7 bilhão de reais, queda de 3% em relação ao ano anterior. Ao mesmo tempo, a companhia ampliou margens, lucro e geração de caixa, apoiada por mudanças no portfólio e ganhos de eficiência.

“Preferimos investir em projetos complexos, onde já estamos há anos, em vez de entrar em mercados onde chegaríamos atrasados”, afirma Marcelo Hahn.

Para 2026, o foco está em destravar crescimento com aumento de capacidade produtiva, novos medicamentos e avanço em biotecnologia.

Resultados: lucro cresce e caixa supera dívida

Em 2025, a Blau registrou lucro líquido de 297 milhões de reais, alta de 39% na comparação anual. O EBITDA foi de 424 milhões de reais, com margem de 24,9%.

Mesmo com a leve queda de receita, a empresa melhorou rentabilidade. A margem bruta subiu para 40,1%, impulsionada por maior produção local e ganhos de escala.

O ano também marcou a volta ao caixa positivo. A companhia encerrou o período com mais caixa do que dívida, após o desinvestimento na operação de plasma na Europa.

A geração de caixa permitiu uma distribuição recorde aos acionistas: 182 milhões de reais em proventos, entre dividendos e juros sobre capital próprio.

Além disso, a empresa realizou sua primeira bonificação de ações, com a entrega de três novas ações para cada dez existentes.

O que travou a receita em 2025

O crescimento mais limitado da receita teve dois fatores principais.

O primeiro foi o adiamento de uma licitação prevista para 2025, que deve impactar o resultado de 2026.

O segundo foi a restrição de capacidade produtiva. As fábricas operaram próximas do limite, o que gerou atrasos e limitou o volume de vendas.

Esse cenário levou a empresa a acelerar investimentos em expansão.

Expansão para destravar crescimento

Em 2025, a Blau investiu 419 milhões de reais, com foco em ampliar a produção.

Entre os principais movimentos estão:

  • construção de quatro novas linhas produtivas

  • aumento da capacidade de embalagem

  • ampliação de turnos nas fábricas

  • expansão da unidade de Pernambuco

Duas linhas já estão prontas e entram em operação em 2026. As demais devem ser concluídas ao longo do ano.

A expectativa é aumentar o volume de produção e reduzir custos unitários, com diluição de despesas fixas.

Aposta em biotecnologia

O principal eixo de crescimento está na biotecnologia.

A empresa destinou cerca de 188 milhões de reais, o equivalente a 11% da receita, para pesquisa e desenvolvimento em 2025.

O foco está em proteínas, vacinas recombinantes e, principalmente, anticorpos monoclonais, usados no tratamento de câncer.

Hoje, a Blau tem mais de 150 produtos e o maior portfólio de medicamentos oncológicos do país.

Um dos projetos centrais é o desenvolvimento do pembrolizumabe, um imunoterápico utilizado em mais de 40 tipos de câncer.

A empresa já obteve certificação da Anvisa e prepara estudos clínicos na Europa, com investimento estimado em 50 milhões de reais.

Produção local e verticalização

Um dos diferenciais da Blau é a produção completa dentro de casa.

A companhia desenvolve desde o Ingrediente Farmacêutico Ativo (IFA) até o produto final, sem depender de fornecedores externos.

Esse modelo permite controle sobre custos, qualidade e prazos.

Em 2025, a empresa avançou na produção nacional de biológicos, incluindo anticorpos monoclonais.

A “oportunidade da década”

A estratégia está ligada a um movimento global.

Nos próximos anos, diversas patentes de medicamentos biológicos devem expirar, abrindo espaço para versões biossimilares.

A Blau prepara seu portfólio para atender essa demanda.

“A quebra de patentes de anticorpos monoclonais é a oportunidade da década”, afirma Hahn.

A empresa já trabalha em quatro moléculas biológicas, com potencial de mercado estimado em 8 bilhões de reais no Brasil.

Presença internacional

A atuação fora do país está concentrada na América Latina.

A Blau tem subsidiárias próprias no Chile, Peru e Equador, além de investimentos no México.

Nos Estados Unidos, mantém operação de coleta de plasma, ainda em revisão estratégica.

Na Europa, a empresa vendeu a operação de fracionamento de plasma e passou a focar em pesquisa clínica e aprovação regulatória.

Próximos passos

Para 2026, a estratégia se divide em três frentes:

  • aumento da produção com novas linhas

  • avanço dos projetos de biotecnologia

  • expansão internacional por meio de licenciamento

A empresa também iniciou a adoção de orçamento base zero e ampliou o uso de inteligência artificial na operação.

“Queremos ser uma empresa global, levando tecnologia desenvolvida no Brasil para outros mercados”, afirma Hahn.

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