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Em carta, Bezos fala sobre o futuro do Washington Post

O empresário e dono da Amazon comprou, na tarde desta segunda-feira, o jornal que antes pertencia à Post Co., de Donald Graham

EXAME.com (EXAME.com)

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Mariana Fonseca

Mariana Fonseca

Publicado em 5 de agosto de 2013 às 20h51.

São Paulo - Apesar de ser o dono da Amazon, Jeff Bezos comprou na tarde desta segunda-feira o jornal Washington Post e todas as suas publicações como uma pessoa física, pela quantia de 250 milhões de dólares. Em carta aos seus novos funcionários, Bezos mostra suas expectativas com o novo negócio no jornalismo, em uma época em que o Post perde dinheiro. Veja a íntegra da carta a seguir:

"Para os funcionários do The Washington Post:

Vocês já devem ter ouvido as notícias, e muitos de vocês vão aceitá-las com um certo grau de apreensão. Quando uma só família é dona de uma companhia por várias décadas, e quando essa mesma família age por essas várias décadas de boa fé, com princípios, nas horas boas e ruins, como administradores de valores importantes - quando essa família fez um trabalho tão bom assim -, é somente natural se preocupar com a mudança.

Então, deixem-me começar com algo crítico. Os valores do The Post não precisam de mudanças. O dever do jornal permanecerá junto aos seus leitores e não para interesses privados de seus donos. Nós continuaremos a seguir a verdade, onde quer que ela nos leve, e trabalharemos duro para não cometermos erros. Quando os fizermos, nós os confessaremos franca e completamente.

Eu não estarei liderando o Washington Post todos os dias. Eu estou vivendo feliz na "outra Washington", onde eu tenho um trabalho que eu amo. Além disso, o Post já tem um excelente time de liderança que sabe muito mais do negócio jornalístico do que eu, e eu sou extremamente grato a eles por concordarem em ficar.

Haverá, com certeza, mudança no Post ao longo dos anos. Isso é essencial e teria acontecido com ou sem novos donos. A internet está transformando quase todos os elementos no mercado jornalístico: ciclos menores de notícias, a corrosão do ato de renovar as fontes confiáveis de longo tempo e a possibilidade de novos tipos de competição, alguns dos quais possuem pouco ou nenhum custo para coletar notícias. Não há um mapa, e traçar um caminho a seguir não será fácil. Nós precisaremos reinventar, o que significa que teremos de experimentar. Nosso critério será o leitor, entender com o que ele se preocupa - governo, líderes locais, inauguração de restaurantes, grupo de escoteiros, negociações, caridades, governadores, esportes - e trabalhar a partir daí. Estou animado e otimista quanto a esta oportunidade de criação.

O jornalismo representa um papel crítico em uma sociedade, e o Washington Post - como o jornal local da capital dos Estados Unidos - é especialmente importante. Eu ressaltaria dois tipos de coragem que os Grahams [família que era a dona da Post Co.] têm mostrado como donos que eu gostaria de entregar. A primeira é a coragem de dizer espere, tenha certeza, vá com calma, arranje outra fonte. Pessoais reais e suas reputações, suas subsistências e suas famílias estão em jogo. A segunda é a coragem de dizer siga a história, não importa o custo. Apesar de eu esperar que ninguém jamais ameace colocar uma das partes do meu corpo em um espremedor, se acontecer, graças ao exemplo do Senhor Graham [Donald Graham, presidente-executivo da Post Co.] eu estarei pronto.

Eu quero dizer uma última coisa que não é realmente sobre o jornal ou sua mudança de dono. Eu tive o imenso prazer de conhecer Don [Donald Graham] muito bem há mais de dez anos. Eu não conheço um melhor homem.

Atenciosamente,
Jeff Bezos"

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