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Ele tratou um câncer e agora quer "voltar com tudo" numa rede de escolas de idiomas de R$ 1,2 bilhão

Empresa irá apostar na internacionalização e em financiamento para crescer o número de lojas e aumentar a receita em 2024

Reginaldo Boeira, da KNN Idiomas: empresário quer faturar 1,3 bilhão de reais em 2024 (Exame/Divulgação)
Daniel Giussani

Repórter de Negócios

Publicado em 30 de janeiro de 2024 às 16h06.

Última atualização em 28 de março de 2024 às 14h36.

Depois de um 2023 estável, em que manteve o faturamento de 1,2 bilhão de reais de 2022, a rede de escolas de idiomas KNN Idiomas quer voltar a crescer com tudo em 2024.

No comando da operação está o empresário mineiro Reginaldo Boeira. Ele ficou mais afastado da rede no ano passado para tratar de um câncer que descobriu em março. Agora, curado, assume novamente o comando da companhia — e quer expandir.

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“Tô nos últimos exames, já acabamos com o câncer. Agora o bicho vai pegar”, brinca o empresário. “Vou trabalhar para conseguir crescer 10% em faturamento, número de alunos e número de escolas”.

Na mira do crescimento para faturar quase 1,4 bilhão de reais está a expansão em operações fora do Brasil e uma oferta de financiamento próprio para novos franqueados abrirem lojas da KNN pelo Brasil. Hoje, já são quase 1.000.

“Para fora do Brasil, estamos estudando leis e regulações para abertura de lojas”, diz. “Mas queremos levar franqueados para lá. Inicialmente, abrindo uma operação que servirá como laboratório para ver se sabemos fazer”.

As operações ficarão nos Estados Unidos e na Colômbia. No país norte-americano, o foco é para brasileiros que queiram aprender inglês, e estadunidenses interessados em saber sobre português. Na Colômbia, ensinarão inglês e português para hispânicos.

Qual a história de Reginaldo Boeira

Dono de uma empresa bilionária, a vida de Boeira nem sempre foi assim. Mineiro, caçula de uma família de dez irmãos, teve o primeiro contato com o inglês ainda na infância, por meio de rádios internacionais que ouvia enquanto trabalhava na roça com os pais. Desde então, sempre estudou o idioma e chegou a frequentar algumas redes de escolas mais famosas.

Quando se mudou para o interior de São Paulo, trabalhou como empacotador, vendedor de doces e tentou alguns negócios com açougue e equipamentos de informática, que não deram certo. Parte do dinheiro que ganhou, usou para aprender inglês. E sabendo falar, passou a ensinar, dando aulas particulares.

Foi quando decidiu conhecer o mundo, passando como países como Rússia e Londres. Foi na Suíça, porém, que encontrou a chave do que viria a ser a KNN.

“Eu estava em Zurique e, durante um jantar, encontrei uma romena que havia desenvolvido um método específico para os romenos falarem inglês. Eu pensei: é isso! Não tem como um brasileiro aprender inglês como um alemão”, diz. “Por isso, voltei para o Brasil e comecei a pensar como o brasileiro poderia aprender o inglês, e desenvolvi uma metodologia própria”.

Nessa metodologia, o inglês é ensinado igual ao processo de alfabetização do português: primeiro a fala, depois a escrita e, por último, a estrutura gramatical.

Qual a estrutura da KNN hoje

A estruturação da KNN foi completada somente em 2012. O empreendedor investiu aproximadamente 2 milhões de reais para formatar a KNN como franqueadora. “A primeira unidade já com o nome KNN foi inaugurada em Itapema, Santa Catarina, em 2012”, afirma. “Em seguida, foram reestruturadas as demais escolas próprias.”

Em 2014 veio a expansão. Na época, Boeira já possuía quatro escolas próprias: em Itapema (SC), Balneário Camboriú (SC), São João da Boa Vista (SP) e Espírito Santo do Pinhal (SP). O crescimento constante fez com que a KNN encerrasse 2023 com cerca de 1.000 unidades espalhadas pelo país, entre abertas e em processo de abertura.

Qual a estratégia da KNN para “voltar com tudo”

No meio do caminho, havia um câncer. Ano passado, depois de comemorar um faturamento bilionário, Boeira descobriu um câncer que atrapalhou seus planos profissionais.

Ele precisou se afastar completamente da operação para tratar a doença. No seu lugar, quem ficou no comando dos negócios foi seu filho. Nesse período, a empresa ficou estável. Não perdeu faturamento, mas também não cresceu. O ano foi marcado também pela troca de alguns franqueados, o que atrasou o processo de crescimento da KNN.

Agora, Boeira está praticamente curado, e pronto para voltar com tudo no negócio.

Na sua estratégia, um dos pontos fortes é o crédito próprio para franqueados abrirem lojas da KNN. Em 2023, já foram investidos 30 milhões de reais, valor que deve crescer pelo menos 10 milhões de reais neste ano.

“Se a pessoa chegar aqui e realmente tiver o perfil, mas não o dinheiro,não será um problema investir conosco”, diz. “Pegamos na mão dele, damos força, e apoiamos com o finaciamento”.

Além da KNN, ele também comanda a Phenom Idiomas, com 40 escolas operando e outras 108 para abrir. Na lista de investimentos do empresário há também uma construtora, uma administradora de bens e uma empresa de marketing.

Quais os desafios da KNN

No caminho de desafios de crescimento da KNN Idiomas passa, principalmente, as mudanças de comportamento do consumidor e na forma como as pessoas têm aprendido novos idiomas.

Aplicativos que ensinam idiomas, como Duolingo, têm se tornado cada vez mais popular, bem como aulas remotas ou híbridas.

A KNN está de olho nisso. Desde março, trabalha num sistema chamado KNN at Home, que dá parte das aulas presencialmente e, o restante, de forma remota. Apesar disso, Boeira não acredita que as escolas presenciais de idiomas irão acabar. “Além de aprender o idioma, é um espaço para socializar, para criar conexões, e isso faz a diferença no fim do dia”.

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