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Ele ouviu que não tinha cara de CEO. Hoje, fatura milhões e faz o maior evento de inovação de Maceió

No mercado de 2015, a startup Trakto é uma plataforma de design para facilitar a criação de artes e peças gráficas

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Paulo Tenório: as pessoas olham para Maceió como um destino de férias, lua de mel, não como um espaço de inovação (Trakto/Divulgação)

Paulo Tenório: as pessoas olham para Maceió como um destino de férias, lua de mel, não como um espaço de inovação (Trakto/Divulgação)

O concorrente da startup de criação de conteúdo e design Trakto é uma empresa criada do outro lado do mundo, em Sidney, na Austrália. A distância maior entre as duas empresas é o financiamento. A brasileira recebeu R$ 10 milhões desde a fundação há 10 anos, e o Canva R$ 2,7 bilhões, a partir de 2012.

Como muitas startups espalhada pelo país, a empresa criada em Maceió, Alagoas, trava uma batalha ao estilo Davi e Golias para se manter no mercado e entregar inovação, em um setor mais desafiador a cada a cada dia. “A dificuldade de acesso ao capital sempre foi o desafio”, afirma Paulo Tenório, fundador da startup.

A Trakto é um software para facilitar a vida de quem precisa fazer artes gráficas, apresentações e peças criativas - e não conta com muitos recursos e habilidades técnicas. Poucos cliques e, voilá, a peça está pronta, essa é a ideia.  

Tenório é um desses entusiasmados fundadores, orgulhoso da própria criação. Autodidata, se apaixonou pelo mundo da tecnologia programando em MS DOS, um sistema hoje conhecido apenas pelos geeks, e sucedido pelo Windows 95. 

Quando entrou para a universidade, uma apresentação montada usando o Flash em uma aula de teoria geral da administração mudou o seu destino. “Os outros alunos começaram a me pedir para fazer apresentações. Me contratavam para isso”, diz. 

Tempos depois, abriu o seu próprio estúdio de design, lançado com uma professora. Após três anos, foi convidado para trabalhar em uma empresa em Florianópolis, Santa Catarina, depois em São Paulo, e, por fim, nos Estados Unidos. 

Passou por Salt Lake City, Nova York até chegar em Los Angeles, trabalhando para estúdios de cinema e televisão, criando anúncios publicitários e sequência em créditos de conteúdos para redes como Fox e Nickelodeon.  

Em 2013, Tenório voltou ao Brasil, num período marcado por perdas familiares. O retorno representou também uma reconexão com o estado natal. 

Como surgiu a Trakto

A ideia da criação da Trakto nasce neste momento, em 2013, e o negócio entrou em operação em 2015. “Eu participei de uma aceleração em Belo Horizonte, depois em São Paulo, no Vale do Silício, nos Estados Unidos. Aí em 2015, eu disse ‘poxa, agora dá pra eu tirar do papel, tenho condições, estou preparado’”, afirma. 

Diferentemente do concorrente, a empresa foi financiada com o dinheiro da própria poupança. Algum tempo depois, recebeu uma captação de R$ 300.000, dividida em 10 vezes de R$30.000. “Era outro Brasil comparado aos dinheiros de hoje”. 

O início difícil da startup tinha cara e endereço, avalia o empreendedor. “As pessoas olham para Maceió como um destino de férias, lua de mel, não como um espaço de inovação”, diz. Em muitas ocasiões, quando falava que a sede do negócio era em Maceió, ouvia logo: “por que não em São Paulo?”.

Um episódio o marcou tanto que decidiu criar um evento de inovação na cidade, a Trakto Show. Na conversa, um pretenso investidor indagou sobre a qualificação de profissionais em Alagoas para o desenvolvimento da startup e disse que Tenório não tinha cara de CEO, entre outros comentários preconceituosos. “Eu cheguei revoltado no escritório”.

Lançada em 2017, a Trakto Show se tornou o principal evento de inovação de Alagoas. Na última edição, recebeu mais de 5.000 pessoas em três dias de palestras e exposições. Para este ano, a expectativa é de reunir um número ainda maior. 

Qual é o tamanho do negócio   

Apesar dos desafios, o desejo de empreender e de fazer a Trakto avançar falou mais alto. Atualmente, a startup tem uma base de mais de 1 milhão de usuários, sendo 20% de fora do país.

O público foi conquistado pelo modelo freemium, divisão que responde por 30% do faturamento. Em 2023, o valor é estimado em R$ 12 milhões, alta de 71% em relação aos R$ 7 milhões um ano antes. Os números não incluem o resultado com a Trakto Show.   

Mas são operações relativamente novas, resultado de uma mudança na estratégia comercial, que têm acelerado os ponteiros da receita, com 70% do total. 

No ano passado, a startup criou a Trakto Edu, para escolas públicas e privadas; e a Trakto Empresas, solução usada por companhias como Globo, Diageo e Suvinil, área que mais tem crescido.  

“Com esse serviço, nós conseguimos personalizar as experiências. Isso é muito bom para grandes empresas que geralmente têm milhares de materiais de marketing para serem criados e não conseguem escalar”, afirma Tenório.

Quais são os novos cenários para a startup

O acordo mais recente da empresa foi com o Google. A gigante de tecnologia está usando os recursos da Trakto para que os seus clientes, como grandes varejistas, possam produzir peças criativas com maior agilidade. 

O mecanismo foi estruturado a quatro mãos e utiliza o Google Bard e o Vertex AI, de inteligência artificial também do Google, para, em alguns cliques, transformar uma planilha de excel, por exemplo, em centenas de artes gráficas. 

O produto está sendo testado no Brasil e pode ajudar a empresa a chegar a novos destinos no ano que vem, com a entrada no mercado americano com a divisão de empresas. Apesar da parceria, o empreendedor afirma que o produto não é exclusivo e pode ser usado por outras marcas e companhias.

O Google é um dos investidores da Trakto, selecionada pelo Google for Startups em 2021 para participar da edição 2022 do Black Founders Fund. Na lista, estão ainda Endeavor, The Venture City Launch Academy e Plug and Play. 

O desenvolvimento de soluções personalizadas para as empresas deve liderar a estratégia de crescimento do negócio. A expectativa para 2024 é de que a startup dobre a receita, indo a 24 milhões. 

Outro impulso deve vir de uma rodada de capital, pensada para o segundo semestre de 2024. Após dois anos sem levantar recursos, a Trakto deve ir a mercado atrás de um série A. 

Os valores serão usados para o desenvolvimento de novas tecnologias, recursos e para se preparar para a onda provocada pela IA generativa. 

“Tem muita gente abrindo a cabeça para o universo da criatividade. Isso é muito bom porque está entrando um mercado novo também”, afirma Tenório. “Passada a fase de namoro, essa interação vira negócio. E aí nós conseguimos usar o poder da inteligência artificial com  toda a automação que temos aqui”. 

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