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O que está acontecendo em Maceió? Área afunda 5 cm por hora e cidade aguarda cratera

De acordo com o prefeito, 60 mil pessoas que vivem em cinco bairros afetados foram realocadas e o plano de mitigação está em prática

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Mina da Braskem: De acordo com o prefeito, 60 mil pessoas que vivem em cinco bairros afetados foram realocadas (Braskem/Divulgação)

Mina da Braskem: De acordo com o prefeito, 60 mil pessoas que vivem em cinco bairros afetados foram realocadas (Braskem/Divulgação)

A capital de Alagoas, Maceió, amanheceu em alerta máximo nessa sexta-feira, 1, por causa do risco iminente de colapso em uma das minas da Braskem, na região do antigo campo do CSA. Segundo a defesa civil local, houve aumento significativo na movimentação do solo na Mina 18, indicando a possibilidade de rompimento. Com isso, surgirá uma cratera que pode chegar a até 150 metros de superfície nas projeções da Defesa Civil de Alagoas.

O prefeito da cidade, JHC, disse no começo dessa manhã que o afundamento chegou a cinco centímetros por hora. "Isso varia de acordo com o decorrer das horas do dia. Já passa de um metro. Naquela região, o fenômeno é relevante. A boa notícia é que conseguimos evacuar toda essa área", afirmou JHC em entrevista à CNN Brasil.

De acordo com o prefeito, 60 mil pessoas que vivem em cinco bairros afetados foram realocadas e o plano de mitigação está em prática.

O que diz a Defesa Civil

Na manhã deste domingo, 3, a Defesa Civil de Maceió informa que o deslocamento vertical acumulado da mina n° 18 é de 1,69m e a velocidade vertical permanece de 0,7cm por hora, apresentando um movimento de 10,8 cm nas últimas 24h. Ontem, o prefeito da capital alagoana, JHC, disse que a velocidade de afundamento da mina 18 tem diminuído. "Nós chegamos a 5 cm por hora e agora estamos com 0,8cm por hora. Isso significa que há uma tendência de diminuição de afundamento naquela região." Dos 12 DGPSs, aparelhos que medem o afundamento da mina, seis haviam chegado ao alerta máximo.

A situação parece ser melhor do que a informada pelo coronel Moises Melo, coordenador da Defesa Civil de Alagoas, na sexta-feira, que disse a mina está em movimento acelerado nas últimas horas. "A qualquer momento ela pode eclodir", disse.

Não existe tecnologia para poder mitigar essa situação, segundo o coronel. "A mina vai eclodir e chegar à superfície, é questão de horas. O que podia ter sido feito deveria ter sido feito no passado. Daqui em diante é esperar que essa mina surja. Estamos dando orientação para a população de Maceió", afirmou Melo.

O local, o coronel afirmou, está isolado. O raio da cratera é estimado em 32 metros, podendo atingir cinco vezes essa projeção, chegando a uma superfície de 150 metros. "Mas a distância mais próxima da população está em 2 quilômetros. Temos uma margem de segurança. Acreditamos que o dano ambiental é certo, mas com essas medidas não iremos ter nenhuma vida dragada por essa cratera que vai se abrir e será preenchida com a água da lagoa Mundaú, em Maceió", disse.

Mina da Braskem em Maceió: o que sabe até o momento

Na noite de quinta, 30, a Defesa Civil de Maceió (AL) informou que permanece em alerta máximo devido ao risco iminente de colapso da mina da Braskem, localizada no bairro Mutange.

O órgão orientou que fosse evitada a circulação de pessoas e de embarcações na lagoa próximo ao local, que foi desocupado por causa do afundamento do solo causado pela mineração.

Em nota, a Defesa Civil alertou para o "risco iminente de colapso" da mina número 18. Estudos mostram um aumento significativo na movimentação do solo, indicando a possibilidade de rompimento e surgimento de uma imensa cratera.

A mina citada pelo órgão é formada por cavernas abertas pela extração de sal-gema durante décadas de mineração, mas que estavam sendo fechadas desde que o Serviço Geológico do Brasil (CPRM) confirmou que a atividade realizada pela Braskem havia provocado o fenômeno na região.

De acordo com a Braskem, a movimentação no solo foi registrada "em um local específico, dentro das áreas de serviço da companhia, nas proximidades da Av. Major Cícero de Goes Monteiro", que foi isolada preventivamente.

Na última quarta-feira, 29, após pelo menos cinco abalos sísmicos em novembro, o governo federal informou que enviou uma equipe da Defesa Civil Nacional para avaliar a gravidade da situação.

O ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), Waldez Góes, em contato com o governador de Alagoas, Paulo Dantas, determinou a ida imediata do diretor de obras, Paulo Falcão, e de um membro do Grupo de Apoio a Desastres (Gade), para acompanhar e monitorar a situação.

O MDR também pediu ao Ministério das Minas e Energia a presença do Serviço Geológico do Brasil (CPRM), que já confirmou que as ações da Braskem são responsáveis pelo afundamento do solo nos bairros de Pinheiro, Mutange e Bebedouro. Em 2018, a população foi evacuada e os locais estão desocupados. Desde então, a Defesa Civil Nacional monitora a situação.

Nas redes sociais, o governador Paulo Dantas afirmou que “esse desabamento pode ocasionar a formação de grandes crateras, por isso as equipes nacionais estão chegando a Alagoas nesta noite. O Governo de Alagoas tem reiteradamente cobrado a Braskem para verdadeiramente assumir sua responsabilidade diante do maior crime ambiental do urbano do mundo”, afirmou.

Em nota, "a Braskem informa que, em decorrência do registro de microssismos e movimentações de solo atípicas pelo sistema de monitoramento, paralisou suas atividades na Área de Resguardo. Tais registros estão concentrados em um local específico, dentro das áreas de serviço da companhia, nas proximidades da Av. Major Cícero de Goes Monteiro.

A área, que já estava com algumas atividades paralisadas para evitar interferência na coleta de dados, foi isolada preventivamente e em cumprimento às ações definidas nos protocolos da companhia e da Defesa Civil. Essa é uma medida preventiva enquanto se aprofunda a compreensão da ocorrência.

*matéria atualizada às 10h50 de domingo com dados novos da Defesa Civil

Créditos

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