Como descartar o lixo eletrônico de forma correta?

Com a evolução da tecnologia, uma quantidade cada vez maior de lixo eletrônico tem sido produzida. Entenda qual a importância de descartá-lo corretamente
Lixo eletrônico: produtos eletrônicos que chegaram ao fim de sua vida útil não podme ser tratados como lixo doméstico comum (Adam Smigielski/Getty Images)
Lixo eletrônico: produtos eletrônicos que chegaram ao fim de sua vida útil não podme ser tratados como lixo doméstico comum (Adam Smigielski/Getty Images)
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Da RedaçãoPublicado em 05/10/2022 às 07:00.

À medida que a tecnologia continua a evoluir e as empresas empregam equipamentos de última geração para obterem vantagem competitiva, a necessidade de descarte adequado de lixo eletrônico está crescendo.

Em algum momento, todo este lixo eletrônico precisa ser descartado, e ele não pode ir para o lixo doméstico comum. Mas por que é tão importante descartar o lixo eletrônico e como fazê-lo corretamente?

O que é lixo eletrônico?

O lixo eletrônico refere-se a produtos eletrônicos que chegaram ao fim de sua vida útil. É uma subcategoria de resíduos especiais e também inclui lâmpadas modernas, televisores, computadores, laptops, tablets e celulares.

Portanto, ele não pode ser tratado como lixo doméstico comum e deve ser descartado adequadamente para proteger as pessoas e o meio ambiente.

Impacto do ESG no lixo eletrônico

ESG não é apenas uma palavra da moda, é um entendimento de que criar empregos, crescer equitativamente, proteger os recursos naturais e defender os interesses do consumidor não depende apenas dos governos.

A sigla ESG, que significa environmental, social and governance, corresponde às práticas ambientais, sociais e de governança de uma organização, onde:

  • Os critérios ambientais que as empresas estão medindo incluem seu consumo de energia e uso de outros recursos, emissões de carbono e geração de resíduos;
  • Os padrões sociais podem incluir relações industriais, iniciativas de diversidade e inclusão;
  • A governança inclui as práticas internas da empresa, controles e procedimentos de autogovernança. Inclui como a empresa cumpre a lei e atende às necessidades de seus stakeholders externos.

Portanto, as organizações que desejam se manter competitivas devem considerar seu impacto no meio ambiente. Pesquisas mostram que empresas que implementam programas de sustentabilidade com sucesso têm retornos anuais melhores do que outras.

No caso do lixo eletrônico, o primeiro passo é identificar os potenciais riscos, avaliar as ações que devem ser tomadas e desenvolver uma estratégia para lidar com seu crescimento.

Por que o lixo eletrônico é um problema?

O lixo eletrônico é hoje um dos maiores resíduos eletrônicos domésticos do mundo. Sendo assim, vejamos quatro razões pelas quais ele é um problema.

1. Efeitos ambientais do lixo eletrônico

A maioria dos produtos eletrônicos contêm substâncias tóxicas como chumbo, zinco, níquel, bário e cromo, e o chumbo, em particular, pode causar danos ao sangue, aos rins e ao sistema nervoso central e periférico do corpo humano se não for descartado corretamente.

Sendo assim, quando eletrônicos danificados ou indesejados são despejados em aterros sanitários, substâncias tóxicas como chumbo e mercúrio podem se infiltrar no solo e na água. Nesse caso, o lixo eletrônico e o descarte correto do mesmo é um fator fundamental.

2. Envio de lixo eletrônico para o exterior

Importante ressaltar que os mercados informais de reciclagem na China, Índia, Paquistão, Vietnã e Filipinas processam de 50% a 80% do lixo eletrônico do mundo. Portanto, quando os equipamentos eletrônicos são despejados nesses países em desenvolvimento, isso causará danos ao meio ambiente do país e à saúde das pessoas.

Como resultado, quando equipamentos eletrônicos são despejados nesses países em desenvolvimento, isso causa danos ao meio ambiente do país e à saúde das pessoas.

A maior parte do lixo eletrônico é deixada em aterros sanitários ao redor do mundo, poluindo o meio ambiente ou sendo incinerado, produzindo gases tóxicos e nocivos e aumentando o risco de doenças associadas à poluição do ar.

3. Segurança de dados

O descarte de lixo eletrônico de maneira incorreta também pode acabar em mãos erradas, levando à perda de dados confidenciais, roubo de identidade, fraude ao consumidor, violações de dados e perda de integridade.

4. Perspectivas de negócio através do lixo eletrônico

Enquanto as empresas que adotam a abordagem ESG estão abordando os riscos de marca e reputação com os consumidores, representados pelo lixo eletrônico, a discussão sobre o tema continua a evoluir. 

De acordo com o Global E-Waste Monitor, o mundo recicla apenas 20% das mais de 53 milhões de toneladas de lixo eletrônico geradas globalmente a cada ano. Apesar do desafio, trata-se de uma grande oportunidade perdida. 

À medida que o mundo transita de uma economia linear para uma economia circular, a mineração das matérias-primas necessárias para a indústria eletrônica não é sustentável para as empresas a longo prazo. 

Em contrapartida, a tecnologia para reciclar componentes críticos com eficiência vem sendo desenvolvida, fazendo com que mais e mais empresas estejam investindo em tecnologia de reciclagem, de modo a impactar significativamente no meio ambiente e contribuir para o desempenho financeiro futuro. 

Importante destacar que, especialistas sobre o tema, estimam que o lixo eletrônico global vale US$ 62 bilhões anualmente, valor  atualmente inexplorado em aterros sanitários.

Como as empresas podem explorar este potencial?

Aproveitar o valor do lixo eletrônico existente pode economizar bilhões em custos de material e reduzir significativamente a pegada de carbono de um produto.

Não por acaso, as empresas vêm discutindo como a recuperação de recursos do lixo eletrônico pode ser usada como uma vantagem estratégica de negócios na transição para uma economia circular.

Em suma, para que tal perspectiva ocorra, as empresas devem realizar ações em duas frentes. A primeira é entender e mitigar os riscos associados ao lixo eletrônico.

A segunda gira em torno de aproveitar o valor da transição da economia circular por meio do redesenho de produtos e reutilização de materiais valiosos.

Apoiadas por uma abordagem ESG, as empresas devem partir para a redução do desperdício, das emissões e da desigualdade. Com este objetivo em mente, um número crescente de empresas conseguirão gerar impactos econômicos, ambientais e sociais positivos – e em escala global. Bom para elas, para a sociedade como um todo e, claro, para o meio ambiente.