Negócios

Como a Fnac praticamente zerou as perdas com furtos

Depois de investir em equipamento e treinamento, taxa de perda por furto caiu de 6% para 0,33% do faturamento

Além de ter retorno financeiro, política contra furtos melhora a imagem da Fnac perante os clientes (.)

Além de ter retorno financeiro, política contra furtos melhora a imagem da Fnac perante os clientes (.)

DR

Da Redação

Publicado em 28 de junho de 2010 às 18h32.

São Paulo - Câmeras de vigilância, etiquetas magnéticas e equipamentos modernos nem sempre são garantia de segurança contra furtos no varejo. Antes de começar a reestruturar sua política de segurança, há sete anos, a rede de livrarias Fnac Brasil tinha o aparato técnico, mas não conseguia combater o alto índice de "perdas desconhecidas" - o termo com o qual se refere aos furtos - das lojas, que representava 6% do faturamento.

O diretor geral adjunto da Fnac Brasil, Marco Aurélio Moschella, conta que não havia um controle rígido sobre a mercadoria. Era feito apenas um inventário anual que contabilizava as perdas e, por isso, o prejuízo era grande. O problema foi atacado em duas frentes: equipamentos mais modernos - como câmeras novas, sensores anti-furto mais sensíveis e etiquetas magnéticas - e treinamento e conscientização de funcionários. O executivo não revelou quanto foi investido nessas medidas.

"Não adianta ter só o equipamento para combater furtos. É necessário treinar a equipe para que saiba proteger o produto. Nós demos palestras e seminários para explicar aos funcionários os prejuízos da perda", explica Moschella. A equipe de segurança passou a interagir mais com os vendedores e a administração das lojas passou a fazer inventários mensais para controlar as perdas mais de perto.

Posições seguras

Outra mudança foi a reorganização da loja, colocando os produtos mais visados, como CDs, DVDs, games e lançamentos de livros, em posições mais seguras. Alguns passaram a ficar "amarrados" à mobília das lojas. Todas essas medidas resultaram em uma queda significativa nas perdas por furto, que passaram a representar apenas 0,33% do faturamento.

Moschella também considera que a imagem da empresa ficou melhor perante os clientes. "Às vezes, o cliente queria um produto que havia sido furtado, mas o sistema da loja não detectava a falta. Isso criava uma situação chata, pois ele saía insatisfeito de não achar um objeto que a loja dizia que tinha."

Prevenção

O diretor da empresa de segurança Gateway-Security, Luiz Fernando Sambugaro, é taxativo: "todo varejista é roubado. Quem diz que não é porque não faz inventário". Ele acredita que a impunidade faz com que os ladrões se tornem mais ousados e mais criativos, mas diz que há três armas para prevenir as ocorrências.

A primeira é o equipamento, como catracas, etiquetas, sensores nas portas das lojas, câmeras de vigilância e outras tecnologias. A segunda forma é a gestão, que engloba as normas e procedimentos que orientam como usar o equipamento e como controlar a entrada e saída do estoque. Por último, pessoas bem treinadas.

Para Sambugaro, as empresas devem ter em mente que pegar o ladrão não é o mais importante, mas, sim, desencorajá-lo de roubar. Isso também vale para os funcionários que costumam furtar produtos, pois, com um controle maior, eles passam a ver que o patrão vai descobrir a falta do objeto.

De acordo com Sambugaro, em geral, o produto mais roubado no varejo é lâmina de barbear, por caber no bolso e ser algo que quase todo mundo usa. Na sequência, os mais visados são itens de perfumaria, cosméticos, jeans, lingeries e pilhas. Entre os aparelhos eletrônicos, estão as máquinas fotográficas e iPods. E, no que depender da Fnac, livros e revistas vão estar bem no final desta lista.
 

Acompanhe tudo sobre:gestao-de-negociosResultadoEficiência

Mais de Negócios

PresenteIA: a aposta da CRMBonus para transformar dados em presentes via WhatsApp

Empreendedores veem 2026 desafiador no Brasil, mas confiam no próprio negócio

20 franquias baratas para quem quer deixar de ser CLT a partir de R$ 5.000

Velório de Henrique Maderite será aberto ao público em BH