No Febraban Tech 2026, Mastercard apresenta soluções que combinam IA, tokenização e segurança para transformar a experiência de pagamento (MASTERCARD BRASIL/Divulgação)
Exame Brand Solutions
Publicado em 3 de setembro de 2026 às 15h01.
São Paulo recebe dezenas de congressos ao longo do ano, mas poucos têm o poder de ditar os rumos de um setor inteiro em questão de dias. É o caso do FEBRABAN TECH, um dos principais eventos de tecnologia e finanças do Brasil, que aconteceu entre 24 e 26 de agosto.
Celebrando 30 anos de atuação no Brasil, a Mastercard marcou presença no evento e reforçou a tese de que o futuro dos pagamentos é sobre eliminar o esforço de quem paga – do varejo às multinacionais.
Em um estande de 80 metros quadrados e com presença constante nos principais painéis do setor, a companhia apresentou soluções em segurança, inteligência artificial, tokenização, pagamentos B2B e dados, que devem ditar a agenda do mercado nos próximos meses.
Ao longo dos três dias, a EXAME acompanhou conversas e entrevistas que ajudaram a traduzir essas mudanças em cinco movimentos. Confira:
O histórico do mercado de cartões no Brasil é marcado pela redução contínua de atritos. Da época das assinaturas em papel e confirmações telefônicas, o setor migrou para o chip com senha, avançou para a aproximação e se consolidou nos smartphones.
Agora, é a vez do “pagamento invisível”, mecanismo no qual a cobrança ocorre de forma imperceptível e sem a necessidade de digitar dados do cartão. A tecnologia por trás dessa dinâmica é a tokenização, que substitui os dados reais do cartão por uma credencial digital, combinada à biometria do próprio dispositivo.
Na prática, isso significa que o consumidor não precisa mais digitar o número do cartão, a validade e o código de segurança a cada compra.
Se o pagamento pode se tornar mais fluido e transparente, o próximo passo é fazer com que parte da própria compra deixe de depender de uma ação humana.
É nesse ponto que entra a inteligência artificial. O Agent Pay, apresentado pela Mastercard durante o evento, permite que agentes autônomos pesquisem, tomem decisões e realizem pagamentos a partir de parâmetros previamente definidos pelo usuário.
A lógica vai além de um assistente que apenas pesquisa opções. O consumidor pode estabelecer critérios (destino, preço, horário ou aeroporto, por exemplo) e deixar que o agente encontre uma alternativa que atenda às condições. Com autorização prévia, a compra pode ser concluída pelo próprio sistema.
Para isso, entram em cena recursos como credenciais tokenizadas, payment passkey e limites definidos pelo usuário.
A mudança pode parecer pequena na tela, mas representa uma transformação importante na relação com o pagamento. Em vez de escolher, preencher dados e autorizar cada etapa, a pessoa passa a definir o que quer e quais condições aceita.
A novidade, no entanto, traz uma questão importante: quem é responsável quando a decisão de compra passa a ser tomada por uma máquina? Para Marcelo Tangioni, presidente da Mastercard Brasil, essa é uma das principais discussões que a indústria terá pela frente.
“É uma grande mudança, talvez uma das maiores para os próximos anos”, afirma. Segundo ele, será necessário repensar regras e mecanismos de proteção que hoje estão estruturados para transações realizadas diretamente pelo consumidor.
Nesse cenário, a segurança ganha ainda mais importância. A Mastercard aposta em agentes de IA com credenciais tokenizadas e regras definidas pelo usuário para garantir segurança nas transações. A tecnologia já foi testada com 17 parceiros no Brasil, incluindo o Santander, e pode permitir compras quase sem a participação direta do consumidor.
Marcelo Tangioni, presidente da Mastercard Brasil, em entrevista a Pedro Bial (MASTERCARD BRASIL/Divulgação)
As mudanças na infraestrutura de pagamentos avançam de forma paralela no segmento corporativo. Para o mercado de pequenas e médias empresas — responsável por 99% dos negócios do país, segundo dados do Sebrae —, as soluções focam na separação prática entre as finanças pessoais e empresariais, unificando modalidades como o Pix e cartões corporativos à gestão de caixa e oferta de crédito.
Já nas grandes corporações, a estratégia passa pela integração direta das ferramentas de pagamento aos sistemas de gestão empresarial (ERPs), fruto de parcerias com fornecedores de software como Oracle e SAP.
De acordo com Fabiano Grottoli, vice-presidente de Soluções Corporativas da Mastercard Brasil, o objetivo é "trazer o pagamento para dentro do fluxo de compras, que já ocorre hoje nas grandes empresas", transformando a quitação de fornecedores em uma etapa nativa da rotina operacional.
Fabiano Grottoli, VP da Mastercard, fala sobre pagamentos integrados às operações das empresas (MASTERCARD BRASIL/Divulgação)
Outro movimento que ganha força é o Open Finance. A proposta é permitir que consumidores e empresas compartilhem seus dados financeiros, com autorização, para acessar produtos e serviços mais adequados às suas necessidades.
Para o consumidor, isso abre espaço para experiências mais personalizadas. Para as empresas, pode significar novas formas de analisar informações, oferecer crédito e estruturar pagamentos.
O ponto central, portanto, não é apenas ter mais dados. É dar ao usuário controle sobre eles e transformar essas informações em serviços úteis. E, novamente, segurança aparece como condição para que essa evolução aconteça.
Raul Moreira, do Open Finance Brasil, fala sobre o uso de dados financeiros (MASTERCARD BRASIL/Divulgação)
Há uma linha que conecta as diferentes fases dos pagamentos. Quando o cartão em relevo deu lugar ao chip e à senha, havia uma preocupação maior com segurança. Quando a senha começou a ser substituída pela aproximação, novas camadas de proteção foram incorporadas. Com a tokenização, os dados do cartão deixam de circular da mesma forma.
Agora, enquanto a indústria trabalha para tornar o pagamento quase imperceptível, a segurança precisa ficar ainda mais sofisticada — justamente porque o consumidor participa menos das etapas. No Agent Pay, por exemplo, a Mastercard combina tokens, autenticação e limites de compra com mecanismos capazes de identificar comportamentos suspeitos.
“Segurança é a base de todos os pagamentos. Antes de pensar em qualquer coisa, o pagamento tem que ser seguro”, disse Tangioni.
É uma mudança que diz muito sobre os próximos anos do setor. O pagamento tende a ocupar cada vez menos espaço na experiência do consumidor. Mas isso não significa que ele esteja se tornando menos importante. Ao contrário, quanto menos o usuário pensa sobre o pagamento, maior será a responsabilidade da tecnologia que existe por trás dele.