Repórter de Negócios
Publicado em 3 de setembro de 2026 às 10h24.
O mercado de franquias continua crescendo no Brasil, mas perdeu ritmo no segundo trimestre de 2026. O faturamento avançou 9,3% na comparação anual, abaixo dos 10,1% registrados nos primeiros três meses do ano. A receita somou R$ 76,3 bilhões entre abril e junho, segundo a Associação Brasileira de Franchising (ABF).
A desaceleração também aparece na comparação com o desempenho de um ano atrás. No segundo trimestre de 2025, o setor havia crescido 14,2%. As taxas são nominais, sem descontar a inflação.No acumulado do primeiro semestre de 2026, as franquias faturaram R$ 149 bilhões, alta de 9,7%.
O resultado reúne movimentos distintos. Limpeza e conservação, saúde e serviços de alimentação cresceram acima da média do setor. Já comercialização e distribuição de alimentos registrou queda de 3,8%, a única retração entre os 12 segmentos pesquisados.
“Em um contexto de maior racionalidade nos gastos, continuam crescendo os negócios ligados à conveniência, bem-estar e necessidades recorrentes”, diz Tom Moreira Leite, presidente da ABF.
Para o restante do ano, a entidade mantém uma perspectiva positiva, apoiada na demanda por serviços, na digitalização e na expansão das redes. Juros elevados, crédito restrito e endividamento das famílias, porém, pressionam o caixa das empresas e exigem maior disciplina financeira.
Limpeza e conservação teve a maior expansão percentual de faturamento no trimestre, de 17,6%, alcançando aproximadamente R$ 700 milhões. O número de operações aumentou 8%, também o maior avanço entre os segmentos pesquisados.
Segundo a ABF, o desempenho foi sustentado pela expansão das lavanderias expressas e de autosserviço, nas quais o próprio cliente opera as máquinas, além dos serviços de limpeza profissional.
A entidade associa esse movimento à redução do tempo disponível para tarefas domésticas e às mudanças no perfil das moradias urbanas. A terceirização dessas atividades abre espaço para redes que oferecem serviços próximos de casa e de uso recorrente.
Saúde, beleza e bem-estar aparece em seguida, com crescimento de 15,2% e faturamento de R$ 21,1 bilhões, o maior valor entre as categorias do levantamento.
Cuidados pessoais, atividades físicas e serviços odontológicos impulsionaram o resultado. De acordo com a associação, casas de repouso e serviços de cuidadores também ganham espaço com o envelhecimento da população e a demanda das famílias por assistência especializada.
“Essas franquias têm um denominador em comum: economizam tempo e simplificam a vida das pessoas. O consumidor moderno valoriza cada vez mais conveniência, proximidade e praticidade”, afirma Leite.
As franquias de serviços de alimentação, categoria que inclui restaurantes e sorveterias, registraram alta de 13,7%, com receita de R$ 12 bilhões no segundo trimestre.
Sorveterias e restaurantes de serviço rápido foram os principais responsáveis pelo desempenho, segundo a ABF. A busca por preços competitivos e refeições práticas, incluindo pedidos por entrega, favoreceu essas operações.
O resultado contrasta com o de comercialização e distribuição de alimentos. Nesse segmento, o faturamento caiu 3,8%, para R$ 7,5 bilhões, mesmo com aumento de 2,2% no número de operações.
A retração ocorre sobre uma base de comparação elevada. No segundo trimestre de 2025, a categoria havia crescido 44%, impulsionada pela Páscoa e pela expansão de formatos como mercados autônomos e lojas de conveniência. O levantamento atual não detalha as causas da queda.
Outros dois segmentos cresceram acima da média das franquias neste trimestre. Entretenimento e lazer avançou 12,1%, com receita de aproximadamente R$ 900 milhões, enquanto educação cresceu 11,8%, para R$ 4,2 bilhões.
Confira o desempenho entre abril e junho de 2026. A variação compara o faturamento com o mesmo período de 2025, sem descontar a inflação.
|
Segmento |
Faturamento no 2º trimestre de 2026 |
Crescimento anual |
|
Limpeza e conservação |
R$ 700 milhões |
17,6% |
|
Saúde, beleza e bem-estar |
R$ 21,1 bilhões |
15,2% |
|
Serviços de alimentação |
R$ 12 bilhões |
13,7% |
|
Entretenimento e lazer |
R$ 900 milhões |
12,1% |
|
Educação |
R$ 4,2 bilhões |
11,8% |
|
Moda |
R$ 7,9 bilhões |
7,9% |
|
Serviços e outros negócios |
R$ 8,5 bilhões |
7% |
|
Hotelaria e turismo |
R$ 3,9 bilhões |
6,8% |
|
Serviços automotivos |
R$ 2,6 bilhões |
6,4% |
|
Casa e construção |
R$ 5 bilhões |
5,4% |
|
Comunicação, informática e eletrônicos |
R$ 2,1 bilhões |
5,3% |
|
Comercialização e distribuição de alimentos |
R$ 7,5 bilhões |
-3,8% |
|
Total |
R$ 76,3 bilhões |
9,3% |