Paulo Tomazela e João Kepler, da Bossa Invest: foco são negócios que se beneficiam da descentralização tecnológica (Bossa Invest/Divulgação)
Repórter
Publicado em 21 de janeiro de 2026 às 10h00.
A gestora de venture capital Bossa Invest, criada pelo executivo e investidor João Kepler, vai aportar R$ 25 milhões em 45 startups ao longo de 2026.
Segundo a gestora, a seleção das empresas deve privilegiar modelos que já nascem enxutos, com governança mais estruturada e controle rigoroso de custos, em linha com o ajuste recente visto no ecossistema brasileiro.
A lógica é apostar em companhias que conseguem provar tração comercial e disciplina financeira logo nos primeiros anos, reduzindo a exposição a negócios excessivamente dependentes de capital externo.
Para Paulo Tomazela, CEO da Bossa Invest, o momento do país favorece esse tipo de tese. Ele aponta que a maturidade das startups brasileiras aparece em indicadores como produtividade maior, queima de caixa mensal e avanço das receitas recorrentes — reflexo de um período de corte de excessos, aprimoramento de governança e busca por modelos mais sustentáveis.
Na avaliação de Tomazela, o Brasil “deixou de ser uma promessa” e passou a ser peça estratégica no portfólio de quem busca crescimento em mercados emergentes. Hoje, o país reúne fundamentos mais sólidos, empreendedores mais disciplinados e teses mais conectadas à economia real.
O Brasil encerrou 2025 com uma virada nos indicadores: startups brasileiras captaram cerca de US$ 692 milhões, avanço próximo de 50% em relação ao período anterior e quase o dobro do ano retrasado, enquanto o volume total investido em empresas de tecnologia ultrapassou US$ 1,7 bilhão em mais de 450 operações mapeadas.
Paralelamente, operações de fusões e aquisições envolvendo scale-ups, empresas de crescimento acelerado, somaram mais de R$ 200 bilhões em quase 1.500 transações, ritmo próximo ao dos anos de maior expansão do ecossistema.
A Bossa lê esse cenário como um ciclo de consolidação. De um lado, fundos estrangeiros buscam geografias que combinem escala de mercado, demanda interna, inovação aplicada e empresas com histórico de execução.
De outro, startups brasileiras ganham escala com margens mais claras e ciclos de crescimento menos dependentes de capital intensivo — combinação que abre espaço para cheques de tamanho intermediário, como o plano de R$ 25 milhões da gestora.
No desenho do próximo ano, a Bossa quer se posicionar justamente nesse meio do caminho: empresas ainda em estágio inicial, mas já aptas a acessar capital privado, com receita recorrente comprovada e operação profissionalizada. Setores como fintechs, saúde digital, energia, inteligência artificial aplicada e agrotechs aparecem como terreno fértil para esse tipo de tese.
O foco são negócios que se beneficiam da descentralização tecnológica e conseguem dialogar com compradores estratégicos. Essa condição é vista como essencial para gerar novos exits, vendas de participação, e rodadas subsequentes.