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As 100 cidades mais sustentáveis do mundo em 2022

Ranking analisou 100 cidades, em 47 países, em critérios ambientais, sociais e econômicos. São Paulo ocupa a 84ª posição da lista

Museu The Astrup Fearnley, em Oslo, na Noruega: capital ocupa o primeiro lugar no Arcadis Sustainable Cities Index 2022 (Begrensede rettigheter/Reprodução)

Museu The Astrup Fearnley, em Oslo, na Noruega: capital ocupa o primeiro lugar no Arcadis Sustainable Cities Index 2022 (Begrensede rettigheter/Reprodução)

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Da Redação

Publicado em 29 de novembro de 2022, 07h30.

Desde 2015, a Arcadis, empresa de consultoria e soluções sustentáveis de design e engenharia, divulga uma lista anual das cidades mais avançadas em sustentabilidade no mundo. O Sustainable Cities Index 2022 avaliou 100 cidades, em 47 países, com base em 51 métricas, em 26 indicadores organizados sob os três pilares da sustentabilidade: Planeta (ambiental), Pessoas (social) e Lucro (econômico). 

“O CSI 2022 oferece ainda uma nova visão de prosperidade, que coloca o planeta e as pessoas no centro. O lucro pode – e deve – ser um catalisador para o bem-estar social e ambiental. Cidades que não podem recorrer à força da economia inevitavelmente se encontrarão limitadas em seus esforços para melhorar a vida de seus cidadãos ou investir na transição para a sustentabilidade”, diz o relatório.

A capital norueguesa Oslo lidera o índice geral. Estocolmo (Suécia), Tóquio (Japão), Copenhague (Dinamarca) e Berlim (Alemanha) completam as cinco primeiras posições da lista. 

(Arte/Exame)

Com exceção de Tóquio, o top 20 é ocupado apenas por cidades europeias e norte-americanas, com destaque para as escandinavas, que detêm três lugares nas cinco primeiras posições. 

A brasileira mais bem colocada na avaliação geral é São Paulo, na 84ª posição, que também aparece como número 94 em Pessoas. Rio de Janeiro é indicada em 48º lugar em Planeta e 83º em Lucro. 

Oslo: a número 1

A campeã Oslo ficou em 1º lugar no pilar Planeta, 17º no Pessoas e 39º no Lucro. Segundo a Arcadis, embora todos os pilares tenham peso forte na classificação final, o Planeta é o mais importante. 

A cidade norueguesa de cerca de 650 mil habitantes apresenta, historicamente, uma forte preocupação ambiental e tem intensificado esses esforços nos últimos anos. 

No transporte, por exemplo, desde a década de 1990 incentiva a população a usar veículos elétricos – hoje, a cidade é líder mundial em mobilidade elétrica e pretende chegar a 100% dos carros em 2025. Paralelamente, grandes investimentos vêm sendo feitos em transporte público, infraestrutura cicloviária e hidrovias.

A gestão de resíduos é outro ponto forte. Além de um completo serviço de coleta seletiva e uma série de programas de reciclagem, o município é o primeiro a testar a captura e armazenamento de carbono por meio da incineração de resíduos. 

“A gestão de resíduos é um desafio global que atualmente gera enormes emissões. Grandes volumes de resíduos são depositados em aterros sanitários. Recuperar energia desses resíduos usando a captura de carbono é parte da solução. O conhecimento norueguês pode se tornar uma exportação global”, diz o prefeito de Oslo, Raymond Johansen.

Opera House em Oslo: projeto prevê que a capital norueguesa se torne uma cidade negativa em carbono a partir de 2030 (VisitOSLO/Didrick Stenersen/Reprodução)

A estratégia climática da capital norueguesa também é ambiciosa e estabelece que Oslo se tornará praticamente sem emissões de gases de efeito estufa (GEE) até 2030, com redução de 95% nas emissões em comparação a 2009 – e 52% menos já em 2023. 

A partir de 2030, o projeto é que Oslo seja uma "cidade negativa em carbono", diz o documento. A intenção é contribuir para a redução da quantidade  de GEE na atmosfera por meio biológico e captura e armazenamento industrial de carbono.

Ainda está prevista uma redução de 10% no consumo total de energia até 2030, em relação a 2009. E a resiliência está sendo reforçada para resistir aos impactos da mudança climática esperados até 2100, com medidas de adaptação como telhados verdes e espaços para escoamento de água.

As cidades são a chave para atingir as metas climáticas

Mais da metade da população mundial vive em cidades e, até 2050, a projeção é que esta medida suba para dois terços. Nesse contexto, a Arcadis ressalta no Sustainable Cities Index 2022 que ao mesmo tempo em que alimentam alguns dos nossos maiores desafios, como a crise climática, as metrópoles também podem ser a solução. 

“Estimativas da ONU Habitat indicam que enquanto as cidades representam apenas menos de 2% da superfície da Terra, consomem 78% da energia mundial e produzem mais de 60% das emissões de gases de efeito estufa”, afirma o estudo.

No entanto, lembra o relatório, é nas cidades onde as pessoas se reúnem para encontrar soluções inovadoras para os problemas da humanidade e onde novos caminhos para o futuro são testados e aprimorados.